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Projeto Sankofa

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Projeto Sankofa Brasil-Angola:

 

Educação Superior, Básica e Popular rumo à internacionalização conjunta, recíproca e solidária entre países de América e África

 

Em função do laço construído com a escola pública, a Oficina Teatro na Escola, da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora (FALE-UFJF), pode ser considerada o embrião do “Projeto Sankofa Brasil-Angola: Educação Superior, Básica e Popular rumo à internacionalização conjunta, recíproca e solidária entre países de América e África” (PROEX-UFJF, 2021), cujo conteúdo está disponível em sua íntegra aqui. Também podem ser acessadas as gravações dos eventos virtuais já promovidos pelo projeto:

 

Atividades do projeto: Ano 2021

 

1) Sankofa Brasil-Angola 2021: 1º Encontro Internacional entre Universidade, Escola Pública e Popular, realizado em 28 de abril de 2021

Evento virtual de apresentação do projeto para a comunidade de docentes e discentes brasileiros e angolanos. 

 

2) Teatro lido virtual da peça “Amortinumtemquimorrê: uma comédia de recomeço de mundo”, de Luiz Fernando Matos Rocha (com apoio afetivo e efetivo de discentes pesquisadores da Oficina Teatro na Escola, da Faculdade de Letras, da UFJF, Heitor Luique Ferreira de Oliveira, Leandra Alves do Nascimento e Nicoli Santos Lima). Apresentação aberta para o público em geral realizada no dia 2 de agosto de 2021, tendo no elenco docentes e discentes de Educação Básica, Popular e Superior.

 

Personagens e elenco:

 

Maria Poronga – Cristina Braga, atriz, diretora e docente da Escola Municipal Murilo Mendes (Juiz de Fora – MG)

Questiona – Luiz Fernando Matos Rocha, docente e pesquisador da Faculdade de Letras da UFJF

Trava-Língua – Evelyn de Fátima Praga Delgado, docente de ensino colaborativo da Escola Municipal Murilo Mendes (Juiz de Fora – MG)

Estória – Vanda Maria Ferreira, docente da Escola Municipal Murilo Mendes (Juiz de Fora – MG)

Cancioneira – Cláudia Helena da Silva, a Cacau, docente da biblioteca da Escola Municipal Murilo Mendes (Juiz de Fora – MG)

Anedota – Adriana Perini, gestora e docente da Escola Municipal Murilo Mendes (Juiz de Fora – MG)

Provérbio – Alexandre Cadilhe, docente e pesquisador da Faculdade de Educação da UFJF

Frase-Feita – Antônio Carlos Lemos Ferreira, docente de História da rede municipal de ensino de Juiz de Fora (MG)

Adivinha – Onete Lopes Ferreira, docente e pesquisadora do Instituto de Educação de Angra dos Reis (IEAR) da Universidade Federal Fluminense (UFF)

Parlenda – Bárbara Delgado Azevedo, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Linguística da UFJF

Desafio 1 – Fabrício Zanelli, docente e pesquisador da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Viçosa (UFV)

Desafio 2 – Sebastião Augusto Estêvão,  o Farinhada, educador popular militante das comunidades quilombolas de Minas Gerais (Brasil) e assessor parlamentar do deputado estadual Roberto Cupolillo, “Betão”(Partido dos Trabalhadores, Minas Gerais, 2019/2023)

Engano – Lyliane Drumond Lanza, docente de matemática, educadora na área de Saúde Mental, estudiosa de Psicanálise

 

 

Depoimentos do elenco:

 

“A peça Amortinumtemquimorrê nos provoca à reflexão de como lidamos com o nosso tempo de vivências. Não sabemos nada sobre a nossa finitude e mesmo assim ainda deixamos escapar por entre os dedos algumas preciosidades como o amor, a gentileza e por vezes a esperança. Nós os fazemos visitar o Beleléu! Mas podemos resgatá-los, temos o mapa para a volta deles ao Mundo dos Reais. Façamos!” — Cristina Braga

 

 

“Após a viagem ao Beleléu, retornamos com outros olhos ao mundo reais, mais atentos” — Evelyn de Fátima Praga Delgado.

 

 

“As estórias não podem cair no esquecimento, pois através delas contamos aos nossos filhos, netos … o que não se encontra em livros, documentos e etc. Elas nos fazem ver nas entrelinhas dos registros dos acontecimentos. Na estória, quem conta um conto aumenta um ponto. E na História quem registra algo esconde um ponto” — Vanda Maria Ferreira

 

 

 “O teatro é a forma mais leve, de aprendizado para vida!” — Cláudia Helena da Silva, a Cacau

 

 

“Lá estávamos nós, todos, com a túnica posta aos ombros, os rins cingidos, em frente ao público, na Ágora, celebrando Dionísio, dois mil e quinhentos anos depois. Recitando um texto, esculpido com esmero, para celebrar aquela arte igualmente atemporal.” — Antônio Carlos Lemos Ferreira

 

 

“A vida, apesar dos reveses – que são ainda mais fortes nestes tempos de pandemia e desastre político neste país, que hoje flerta abertamente com o fascismo -, nos oferece momentos de muita felicidade. São as contradições da realidade, como ensina a dialética.  A precisa contradição a que me refiro tem na arte a sua pulsão.  Deve haver mesmo um elo que torna todas as coisas vivas uma cadeia e cria redes, como explica a ciência da complexidade. Pois bem, foi assim que conhecei as pessoas mais diretamente responsáveis por eu está neste momento teclando estas linhas. Luiz Fernando Matos Rocha e tantos outros educadores fizeram-me dois dos mais interessantes convites nesta “era do coronavirus”. Fernando gostaria que eu participasse da leitura de um dos personagens do texto Amortinumtemquimorrê. Convite imediatamente aceito, pois não nos é permitido pensar sobre aceitar as coisas bonitas. Elas já se nos oferecem como nossas. Estava contido nos convites o sentido da beleza da vida: o encontro às vezes casual entre elos, que de alguma forma foram, rompidos sem nosso conhecimento. Adriana Perini, com o mesmo espírito desta beleza, entendeu que o encantamento do viver está na partilha das coisas e convidou  cada um dos  componentes da leitura dramatizada para compor seu texto. E estabelecendo uma concatenação de ideias para colocar, no papel ou na tela, uma mensagem que expressasse tanto o meu prazer pelos dois convites, como o sentido que reconheço no texto da peça “Amortinumtemquimorrê: uma comédia de recomeço do mundo” compreendi que deveria dizer, sobretudo, desta emoção. Creio que ao afirmar isto, já cumpri meu objetivo. Entretanto, acho que ainda falta dizer que o texto traz a beleza de nos fazer rir, desde a falta de graça deste mundo e tempo que ora atravessamos. E, para dizer algo sobre o conteúdo do texto, eu penso que o desejo de retorno, das coisas desprezadas lá no reino do Beleleu, para o nosso convívio simboliza, nesta comédia, uma crítica muito potente ao atual estado de coisa que é desencadeado pela condução política no Brasil. O texto permite que, de forma muito criativa, o público escolar seja introduzido numa reflexão sobre a nossa realidade social.” — Onete Lopes Ferreira

 

 

“Assim como o texto faz um resgate ao Beleléu, a peça resgata em nós nossa cultura, tradição e memórias até então esquecidas dentro da gente.” — Bárbara Delgado Azevedo

 

 

“O reino do beleléu

meu amigo pode ir

sei que ali não é o céu

mas tem muita gente boa

e uma rainha pinéu

 

Numa curiosa história

contada com alegria

tem parlenda e anedota

tem muita estripulia

e dois irmãos violeiros 

que adoram uma porfia

 

Tem também a Cancioneira

de voz mansa e graciosa

O questiona pergunta tanto

que deixa em polvorosa

a imperatriz do reino

a cada hora mais nervosa

 

Poronga é o sobrenome

de quem se chama Maria

no seu reino ela queria

ser dona das criaturas

A imperatriz não segura

ninguém com suas manias

Pro seu reino até que eu ia

só pra dar boas risadas

Trava-lingua com as charadas

Engano com a ousadia

 

Com a Estória e Adivinha

o Povérbio e Frase-feita

Sr. Questiona fez colheita

Carregou até o gesto

Ainda deixou um manifesto

E a imperatriz insatisfeita

 

Ler e ver esse enredo

serve pra que você pense

vivia cheio de medo

o povo beleleuense

mas agiu bem logo cedo

com força, sem arremedo

pra acabar com esse suspense

 

Meu amigo venha agora

conferir que confusão

nós já estamos indo embora

mas com grande emoção

que texto de grande glória!

venha conferir essa história

e essa grande encenação!” — Fabrício Zanelli

 

 

“Eu, ao ouvir pela primeira vez a peça, me encantei, e fiquei mais encantado quando fui convidado a participar. Eu entendo perfeitamente que não trata simplesmente de uma peça para ser mais uma apresentação de entretenimento das pessoas. Ao participar, ler o roteiro, dialogar com outros participantes, eu percebi que a peça tem um conteúdo de nos fazer e nos colocar no nosso lugar. Ela dialoga com a cultura popular, ela reafirma os saberes tradicionais, os saberes populares, o beleléu que está em nossa mente prá onde tudo que está perdido vai, mas ela dialoga com a pauta do feminicídio, do machismo, do racismo, da intolerância religiosa, então assim, eu fico muito feliz de poder dar um depoimento de um trabalho que nesse tempo está dentro daquilo que a gente sempre sonhou e acreditou. E a arte é o nosso remédio. A arte nos cura. Eu entendo que essa peça não é uma peça simplesmente para criança, ela é de mamando a caducando. Eu ficaria muito feliz se minha mãe pudesse assistir essa peça e o meu pai que gosta dos mitos, das histórias, dos casos de lobisomem, ele que também é uma figura lendária pudesse então um dia assistir essa peça e com certeza ele iria se identificar com alguns dos personagens. Então eu penso que ela tem esse compromisso de dialogar com as pautas atuais e fazer a gente viajar de volta na nossa história, na nossa infância de brincar. Quem nunca sonhou um dia a ser rei, rainha ou princesa? Acho que tudo isso que a peça traz, desse elenco da cultura popular nos coloca no lugar que a gente deve assumir, cada um, cada uma, nas suas atividades, no seu papel, ele é um personagem e esse personagem tem que estar conectado com a transformação social, com a luta social. Por isso eu acredito muito que ela dialoga com a cultura popular, ela é uma bela peça, uma arte linda, maravilhosa, e tem muito a contribuir com a educação, com o fortalecimento da identidade, com a cultura regional, com a cultura popular, porque ela está dentro desse contexto que a gente acredita que a arte como ferramenta de luta, como ferramenta de trabalho, para criar nas pessoas um espaço de diálogo sobre a sociedade que nós queremos construir, que é a sociedade do bem viver. Um grande abraço.” – Sebastião Augusto Estêvão,  o Farinhada