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La Fake Vita

 

Ciao Carissimi! 

A partir de hoje, esse é o nosso espacinho para falar de algumas curiosidades da cultura e da língua italiana.

Para começar com uma “buona fortuna”, vamos falar de Clássico 1:

“La Dolce Vita” é um filme do cineasta italiano Federico Fellini2 que retrata o glamour da Roma dos anos 60 e o usa como uma grande metáfora contra essa sociedade do espetáculo.

Após o fim da 2 ª Guerra Mundial, 1945, toda a Europa foi o foco de uma grande reconstrução, grandes quantidades de dinheiro estavam sendo investidas, resultando num milagre econômico, e mesmo após das bandeiras italianas terem dado espaço a filosofia do Eixo, o país se tornou uma relevante peça para tentar deter o comunismo. Com esse boom econômico, natural que houvesse uma demarcação mais clara de classes, a classe média apareceu e a classe alta se tornou mais rica abastarda, o incentivo financeiro fez com que as artes se levantassem e assumissem um lugar de destaque, principalmente a sétima.

Nos anos 60, Roma era praticamente uma segunda Hollywood, muitas vezes dividia espaço com a primeira. A chamada “Hollywood sobre o Rio Tibre”, recebia muitos atores famosos, que vinham dos Estados Unidos abrilhantar os títulos de lá, uma grande prova recente disso é o filme “Era uma Vez em… Hollywood”3 (2019), de Tarantino. 

Nesse filme, o ator Rick Dalton, interpretado por Leonardo DiCaprio, e seu dublê Cliff Booth, feito por Brad Pitt passam uma temporada de 6 meses em Roma, trabalhando em diversos filmes. 

Na Roma, dessa década, a “Via Veneto”4 era famosa por seus caríssimos restaurantes e bares que recebiam essas celebridades. Vale até lembrar uma das primeiras sequencias do nosso clássico de hoje, em que acontece um jantar aparentemente nessa rua. 

Antes de ingressarmos profundamente na história do filme, vou deixar claro que os acontecimentos não são uma sequência exatamente cronológica, mas são todos ligados por um fio e um participante. Marcello Rubini, personagem do ator Marcello Mastroianni (sim,os dois com o mesmo nome), o protagonista do filme 

Marcello5 (nesse ponto usar do nosso italiano de novela com a mão em forma de coxinha e soltar o melhor “MarTIÉlo, faz a gente entrar no clima) é um jornalista e escritor frustrado, que se dedica ao jornalismo do entretenimento, sem escrúpulos nenhum que usa de todos os artifícios que possui para conseguir o que deseja, seja no ambiente pessoal, ou no profissional. Sua “Dolce Vita” é extremamente vazia e angustiante. Sempre acompanhado do seu amigo “Paparazzo”, um personagem que só se resume a essa profissão, nem nome tem direito a ter, vivem inúmeras situações para conseguir uma pauta para o jornal. 

O filme é repleto de acontecimentos marcantes, cenas que se tornaram referencias até para o cinema mundial, no entanto, não devemos dissociar dessas cenas, por mais belas que sejam, o significado delas, que é deixar latente a rasadura e liquidez das relações desse ambiente. Focados numa Roma moderna, sofisticada, mas decadente 

 

Escolhi destacar duas que me marcaram bastante: 

Sylvia é uma atriz hollywoodiana, que Marcello se encarrega de acompanhar e apresenta-la a cidade, juntamente com a necessidade de entrevista-la para conseguir qualquer exclusiva para o seu jornal. 

A atriz que no filme é  interpretada por Anita Ekberg é de uma beleza estonteante, mas vive num mundo cor de rosa, em meio as ruínas de sua vida devastada. Marcello se fascina por Sylvia e ao final desses dias de passeios, os dois se encontram num jantar, que termina em confusão, ao tentar fugir disso, os dois acabam se banhando nas aguas da Fontana de Trevi7 .

 

Steiner é um intelectual e musico conhecido de Marcello. Os dois mantém uma relação amistosa, e se ajudam. Numa noite, num jantar na casa do colega, Marcello lhe confessa a admiração e afeição, e a vontade de ter uma família, assim como ele. 

Após esse jantar9,

Steiner comete o assassinato do seu casal de filhos e seu suicido, deixando na cabeça de todos e principalmente do nosso protagonista vários pontos de interrogações. Ainda dentro dessa sequência, vem a necessidade de contar a então viúva que estava viajando o que acontecera. Marcello se habilita a essa missão, nesse momento conseguimos perceber que o personagem tem somente boas intenções, mas em uma das críticas mais ferrenhas a essa imensa necessidade de saber e expor, foi seguido por vários repórteres e fotógrafos que esperavam capturar o momento. 

 

O filme todo é uma obra que critica esse lado desumanizador e impiedoso do glamour.  

 

Finalizamos percebendo que a “Dolce Vita” se usa dela para falar de iguais a ela, com esse título pode se tornar até passível de ser apontado como fake news. E mostra que assim como uma fôrma cheia de bolo de cenoura coberto de brigadeiro, o doce está só na superfície. 

 

Ci vediamo presto! 

Abracci

Bárbara ;) 

 

Ficha técnica completa

 

Título Original

La Dolce Vita

Ano produção

1960

Dirigido por

Federico Fellini

Estreia

3 de Fevereiro de 1960 ( Mundial )

Duração :

174 minutos

Gênero

Comédia Drama

Países de Origem

França- Itália

Classificação

Não recomendado para menores de 14 anos

 

Fontes:

1:https://www.gettyimages.com.br/detail/foto-jornal%C3%ADstica/la-dolce-vita-poster-italian-poster-from-left-anita-foto-jornal%C3%ADstica/1137201930?adppopup=true

2: https://www.dw.com/pt-br/federico-fellini-centen%C3%A1rio-de-uma-lenda-do-cinema/g-52054976

3: https://www.looke.com.br/filmes/era-uma-vez-em-hollywood

4: https://www.youtube.com/watch?v=OBQIMDyCUPI

5: https://www.wannart.com/mutlaka-izlemeniz-gereken-6-marcello-mastroianni-filmi/

6: https://medium.com/@rodrigotorresouza/cinema-a-doce-vida-de-federico-fellini-4d4a5de3708e

7: https://catracalivre.com.br/agenda/mostra-projeta-todos-os-filmes-de-fellini-a-preco-popular/

8: http://felliniladolcevita.blogspot.com/2013/10/steiner.html

9: https://www.youtube.com/watch?v=aODiXVMiubo

10: https://www.imdb.com/title/tt0053779/

 

Veja também: Disciplinas curiculares para o curso de Letras, Disciplinas para a comunidade de entorno, Nossas pesquisas, Para estudar mais italiano.

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