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José Bonifácio de Andrada

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                                                                     José Bonifácio

                                                             José Bonifácio Ass

Nascido José Antônio em Santos, no estado de São Paulo, ainda na adolescência adota o nome de José Bonifácio de Andrada e Silva. Filho de Maria Bárbara da Silva e de Bonifácio José de Andrada sendo este membro de família da aristocracia portuguesa.  Bonifácio mudou-se, aos quatorze anos, para a capital do estado, frequentando o curso preparatório ministrado pelo frei Manuel da Ressurreição, com ênfase na cultura clássica, além das aulas de Gramática, Retórica e Filosofia (SOUSA, 1988).

            Em 1783 o jovem Andrada e Silva segue seus estudos em Coimbra, Portugal, onde se matricula na Faculdade de Direito e um ano depois na de Filosofia, nesta faculdade teve a oportunidade de cursar Física, Mineralogia, Zoologia, Botânica, Química, com professores renomados que vinham de vários países europeus (GUNTAU, 2000).

Em 1787, José Bonifácio recebeu o diploma de bacharel em Filosofia Natural e no ano seguinte o de Leis. Embora formado em direito, Andrada e Silva logo se inclinou para as ciências, somente mais tarde, vamos perceber que esta formação ajudou a compor o seu perfil político. Assim como afirma Guntau (2000, p. 254):

Logo em seguida às suas formaturas, o estudioso foi admitido para a Academia Real de Ciências de Lisboa. A partir daí, iniciou-se a sua carreira de pesquisador.

Em 1790, Andrada e Silva recebeu do Governo Português uma espécie de “bolsa de estudos” para que fosse aperfeiçoar-se nos maiores centros científicos europeus. Nessas escolas Andrada e Silva aprimorou os seus conhecimentos em Química e Mineralogia (GUIMARÃES, 1988).

Os Minerais:

            Concluída sua viagem de estudos, o estudioso escreveu em 1800 a memória sobre os novos minerais, publicada no mesmo ano no Journal de Physique, de Chimie et de Histoire Naturelle, em francês; no Allgemeines Journal der Chemie em alemão; e em 1801 no A Journal of Natural Philosophy, Chemistry and the Arts, em inglês. Nesta memória, ele fez uma descrição das espécies minerais que ele encontrou. Em seu relato, afirmava ter descoberto doze novos minerais, mas hoje sabemos que, na realidade, apenas quatro dessas espécies eram realmente desconhecidas, sendo que as outras oito espécies eram variedades de minerais anteriormente descobertos.

Os novos minerais eram o espodumênio, a petalita, a criolita e a escapolita. A variação dos minerais já conhecidos, mas que imaginou serem inéditos em suas análises; eram o acanticônio, a salita, cocolita, ictioftalmo, afrizita, vernerita, alocroíta e a indicolita.

            A partir dos minerais descobertos por Andrada e Silva, foi possível descobrir o Lítio em 1818 por Johan August Arfwedson (1792-1841), quando trabalhava no laboratório de Jacob Berzelius (1779-1848), na Suécia. Inicialmente, Arfwedson realizou as análises com a petalita e posteriormente com o espodumênio e lepidolita. Em uma carta destinada a Berthollet, Berzelius relata a descoberta do Lítio e comenta que as análises foram realizadas a partir do mineral petalita, anteriormente descoberto por Andrada e Silva (WEEKS, 1960).

Neste mesmo ano, o lítio foi isolado na forma elementar por Humphry Davy (1778-1829), após eletrolisar uma solução de óxido de lítio em uma cápsula de platina (MARQUES, 2011).

Em seguida, temos imagens dos exemplares integrantes da coleção do Museu Nacional do Rio de Janeiro. As amostras foram recolhidas das minas da Suécia e Noruega no final do século XVIII (FALCÃO, 1963).

minerais

 

Andrada e Silva como Lente na Universidade de Coimbra:

 

Por mais de uma década Andrada e Silva esteve envolvido com a atividade docente na Universidade de Coimbra e todo esse tempo foi fundamental para que o pesquisador formasse sua opinião e crenças sobre o ensino. Durante uma reforma curricular ocorrida na Universidade de Coimbra em 1811, ele escreveu a “Memória do desembargador José Bonifácio de Andrada e Silva sobre os meios de prepararem no Reino os estudos de mineralogia dando nova forma e método para seu estudo”, em que teve a oportunidade de externar suas ideias sobre o estudo da Filosofia Natural.

A partir de toda a bagagem de conhecimentos adquirida, Andrada e Silva propôs um programa de estudos completo e inovador para o curso de Filosofia Natural da Universidade de Coimbra. Por ser um homem que dedicou sua vida ao estudo, apresentava crenças que adivinham das suas próprias experiências, tendo ambicionado grandes mudanças no desenvolvimento da cadeira de metalurgia criada especialmente para ele, por Carta Régia na Universidade de Coimbra, mas, infelizmente, não teve a oportunidade de ver concretizar sua proposta de currículo.

 

Referências:

ANDRADA e SILVA, José Bonifácio de. Memória do desembargador José Bonifácio de Andrada e Silva sobre os meios de prepararem no Reino os estudos de mineralogia dando nova forma e método para o seu estudo. In. VARELA, A.G; LOPES, M. M; FONSECA. M. R. F. O Ilustrado José Bonifácio de Andrada e Silva e os estudos Mineralógicos na Universidade de Coimbra. Revista da SBHC, v. 2, n. 1, p. 148-160, 2003.

ANDRADA e SILVA, José Bonifácio de; Short notice the properties and external caracteres of some new fóssil from Sweden and Norway; together with some Chemical remarks upon the same. In: Falcão, Edgard de Cerqueira (org.). Obras Cientificas, políticas e sociais de José Bonifácio de Andrada e Silva. Santos: Revista dos Tribunais, v.3, 1963.

GUIMARÃES, Fernando Luiz Campos (coord.). José Bonifácio Cientista. Rio de Janeiro: Mailty Comunicação e Editora, 1988.

MARQUES, Adílio Jorge. José Bonifácio de Andrada e Silva, naturalista. Um lado desconhecido da Historiografia brasileira. Norte Ciência, v. 2, n. 2, p. 59-70, 2011.

FALCÃO, Edgard de Cerqueira (org.). Obras Cientificas, políticas e sociais de José Bonifácio de Andrada e Silva. Santos: Revista dos Tribunais, vols.1, 2, 3. 1963.

GUNTAU, Martin. José Bonifácio de Andrada e Silva – Estudos e trabalhos científicos na Europa Central. In: FIGUEIRÔA, Silvia F. M. Um olhar sobre o passado: história das ciências na América Latina. Campinas, São Paulo: Editora da Unicamp, 2000.

SOUSA, Octávio Tarquínio de.  José Bonifácio. 2ª série. Vol I. São Paulo: Itatiaia, 1988.

 

 

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