UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora

Pesquisas em andamento

Você está em: Projetos e pesquisas > Pesquisas em andamento

* As elites e os outros: reprodução social e rede de alianças em Minas Gerais no século XVIII

Coordenadora: Profa. Carla Almeida

Financiamento: CNPq (Edital PQ/2019)

Descrição: Esta pesquisa é um desdobramento dos meus estudos anteriores sobre os grupos de elite estabelecidos nas Minas Setecentistas, especialmente daqueles que atuaram como camaristas. A pesquisa pretende viabilizar uma apreensão mais adequada da dinâmica de reprodução social destes grupos, notadamente no que diz respeito ao sistema de casamentos e às práticas de transmissão do patrimônio por eles adotadas. A meta mais abrangente deste projeto é discutir até que ponto as práticas de reprodução social características destes grupos se aproximavam ou se distinguiam daquelas utilizadas por grupos de elites locais no centro do império português (no reino). Objetiva também, analisar as relações verticais estabelecidas entre os homens da elite e os grupos subalternos (homens livres pobres, forros, escravizados, etc). De certo modo, retomo com essa proposta minha trajetória de pesquisas anteriores sobre os grupos de elite na região das Minas mais diretamente ligada à tradição da História Social.

 

* As câmaras de Minas Gerais e sua inserção nos circuitos da comunicação política na monarquia pluricontinental portuguesa do século XVIII

Coordenadora: Profa. Carla Almeida

Financiamento: Fapemig (Edital PPM 2017)

Descrição: Este projeto tem por meta dar sequência aos trabalhos iniciados anteriormente e desenvolvidos junto ao grupo de pesquisa Antigo Regime nos Trópicos (UFRJ) em parceria direta com o ICS da Universidade de Lisboa, a respeito das formas de comunicação política no Império português. Nosso propósito é avançar nas questões que foram se estruturando no decorrer das pesquisas iniciadas ainda em 2009 fruto da parceria entre o grupo de pesquisa ART e o ICS da UL. Embora tenhamos avançado muito no trabalho com o tema das comunicações políticos (que já deu origem a dois livros), a abrangência da documentação local relativa a MG me levou a propor a continuidade da pesquisa com a mesma problemática. O eixo central deste plano de trabalho é, portanto, o estudo das formas de comunicação e da dinâmica das relações entre centro e periferias no império luso no Atlântico, considerando: 1- as relações hierárquicas entre algumas câmaras municipais do Reino e do ultramar com os conselhos palacianos da Monarquia lusa, com o intuito de aferir o grau de negociação entre centro e periferias; 2- a dinâmica das hierarquias sociais das sociedades escravistas do Atlântico português, sociedades estas construídas a partir da interação entre ibéricos e africanos; 3- especialmente neste plano, nos concentraremos no levantamento da documentação local da capitania de MG que não pode ser esgotada nos trabalhos anteriores (Câmara de Mariana; Secretaria de Governo/APM e correspondências existentes no ANTT em Lisboa).

 

* Terra, família e mobilidade social de egressos do cativeiro – América Portuguesa, século XVIII

Coordenadora: Profa. Mônica Ribeiro de Oliveira

Financiamento: Fapemig

Descrição: Projeto de pesquisa aprovado pelo Edital Universal da Fapemig CHE – APQ-02304-17 Espacialmente, a pesquisa concentra-se nos sertões da Mantiqueira, incluindo uma série de povoados que foram ganhando importância ao longo do processo histórico. Nas primeiras décadas, a análise prende-se à Borda do Campo e, depois, com o lento processo de interiorização da ocupação e crescimento em importância de pequenos arraiais, a pesquisa concentra-se em outros cinco povoados da Mantiqueira. Estes espaços foram tomados como base e referência para o acompanhamento do percurso da gente de cor e liberta das amarras da escravidão, negros ou índios e suas gerações sucessivas. No entanto, estas deverão ser reconstituídas a partir das frentes familiares e suas inter-relações, em um amplo esforço de entendimento das redes relacionais. Junto a este processo torna-se importante a avaliação da qualidade do homem livre que se instalou na região. Essa questão remete à discussão sobre a contínua produção de hierarquias cruzadas às distintas categorias raciais que emergem na América Portuguesa, fruto da significativa presença africana, suas manumissões e a miscigenação com indígena. Vinculada a essa discussão emerge a questão do uso social da cor e não necessariamente da raça para demarcação das diferenças no interior da população local. Um outro importante objetivo é verificar as possibilidades e os significados da mobilidade social para esse grupo. Considero que, na conjuntura do século XVIII na América Portuguesa e por meio da experiência concreta dos indivíduos e grupos, a mobilidade social poderia ser realmente dificultada, no entanto, não era inalcançável e se caracterizava por distintos traços. O acesso autônomo a terra, a constituição de uma família, a reunião dos saberes artesanais para produção dos itens básicos de consumo, a maior autonomia feminina, a posse de escravos, a vivência comunitária, dentre outros, são fatores que os distanciavam da experiência pregressa do cativeiro e os colocavam em outros lugares na experiência de liberdade naqueles sertões. Perceber esses diferentes modos de viver a liberdade ao longo das gerações constitui o meu principal objetivo.

 

* Pobres do Ouro: trajetórias de indivíduos e famílias não brancas na América Portuguesa

Coordenadora: Profa. Mônica Ribeiro de Oliveira

Financiamento: CNPq

Descrição:  Análise de trajetórias de indivíduos e famílias do sertão de Minas Gerais que antes viviam sob o cativeiro e depois reconstruíram suas vidas no mundo dos livres, suas possibilidades de acumulação, a recriação de identidades, as estratégias de sobrevivência familiar, as alternativas de ascensão social e, por outro lado, a reiteração destas relações de dependência. Enfim, meus protagonistas são os homens e mulheres pobres da sociedade agrária mineradora, produtivos, em sua maioria roceira, autônoma ou situada em terras de outrem, o grupo formado por negros, pardos livres e outras qualidades de mestiços. É meu objetivo analisar como se criavam as hierarquias sociais em um contexto institucionalmente e economicamente débil, sem a presença de um Estado forte, capaz de regular as relações entre os indivíduos nas diversas instâncias da vida, seja na religiosidade, na sociabilidade, na aquisição de bens (terras e escravos, por exemplo), como também na instância da fiscalidade (traço marcante da sociedade mineradora). Nesse contexto analiso o papel exercido pelo parentesco neste grupo. O estabelecimento de laços consanguíneos e rituais cumpriria a função de recriação de laços em uma sociedade formada por libertos e mestiços de toda ordem e, ao mesmo tempo, serviam para reforçar as relações de poder, através das redes verticais. Está claro na historiografia que as tentativas de controle por parte da Coroa esbarravam continuamente na atuação dos líderes locais que, muitas vezes, não tinham interesses em se submeter às suas intromissões, mas que, no entanto, estendiam suas redes de influência aos extratos mais baixos da sociedade, o que me leva a questionar até que ponto estas relações clientelísticas estabilizavam esta sociedade ou criavam tensões? Uma outra importante questão que tem que ser problematizada é o grau de participação do índio nesta sociedade marcada pela presença de distintas hierarquias e diferentes gradações de cor. Os índios coloniais, provenientes de diversos grupos étnicos, desenraizados de suas aldeias, sobreviventes das primeiras entradas, viviam em vilas e lugarejos de Minas Gerais. Destaca-se a multiplicidade de misturas aonde não se reconheciam mais os brancos, índios e negros, mas mulatos, pardos, cabras e caboclos, enfim um universo mestiço.

 

* Universo militar, escravidão e Antigo Regime no Distrito Diamantino: mobilização bélica e estratégias de afirmação social de africanos e seus descendentes

Coordenadora: Profa. Ana Paula Pereira Costa

Financiamento: Fapemig

Descrição: O trabalho objetiva investigar a presença de africanos e seus descendentes no universo militar colonial aqui representado pelo Distrito Diamantino, localidade pertencente à Comarca de Serro Frio, no período de 1734 a 1780. Por um lado, buscar-se-á investigar a criação, a composição e a mobilização de tropas compostas pelos grupos em questão no intuito de observar sua contribuição para o estabelecimento de uma ordem que apoiasse a administração portuguesa em seus domínios ultramarinos e, ao mesmo tempo, assegurasse o bom ordenamento da sociedade colonial. Por outro lado, objetivar-se-á refletir sobre a possibilidade de mobilidade social facultada aos oficiais destas tropas, extremamente valorizada pelos pretos e pardos, forros e livres. Isso significa dizer que o acesso ao oficialato era uma via de ascensão social para homens livres pobres, forros, pardos, etc. Nessa perspectiva, ganham espaço os conflitos, as negociações, as alianças dos africanos e seus descendentes no universo bélico escravista e de Antigo Regime da colônia. O pano de fundo do trabalho engloba, conforme sugestão de Sílvia Lara a tentativa de conectar dois movimentos historiográficos revisionistas surgidos no Brasil nos anos de 1980, a saber: o estudo da escravidão africana e seus descendentes e a análise da sociedade colonial. Grosso modo, o primeiro buscou valorizar as ações e experiência de escravos, libertos e livres para a compreensão da própria escravidão e de suas transformações. Já o segundo, repensou a natureza das conexões metrópole/colônia dedicando um foco maior sobre a política e as relações de poder no mundo colonial. Para se conectar tais historiografias é preciso indagar sobre o modo como a escravidão e o Antigo Regime estiveram intrinsecamente ligados e conviveram na América lusa.

 

* Elites em Minas Gerais colonial: uma análise da caracterização social da elite Tejucana no Setecentos

 Coordenadora: Profa. Ana Paula Pereira Costa

Descrição: A pesquisa tem por objetivo analisar as trajetórias de enriquecimento e aquisição de poder político, status e prestígio dos homens que se dirigiram para o Arraial do Tejuco ao longo do século XVIII e que se transformaram em poderosos na localidade. Objetivamos também nos debruçar sobre as formas de ação dessa elite local enquanto membros ativos na construção, organização e gerenciamento da sociedade em que estavam inseridos, a fim de entender a lógica de funcionamento deste território pertencente a Minas colonial em articulação com o vasto império português, ou seja, como uma região que partilhava da lógica mais ampla de funcionamento das sociedades de Antigo Regime.

 

* Pretos e pardos nos corpos militares de Minas colonial: reflexões sobre mobilidade e estratégias de afirmação social no Antigo Regime. Distrito Diamantino, 1734 a 1797

Coordenadora: Profa. Ana Paula Pereira Costa

Descrição: O trabalho objetiva investigar a presença de africanos e seus descendentes no universo militar colonial aqui representado pelo Distrito Diamantino, localidade pertencente à Comarca de Serro Frio, no período de 1734 a 1780. Por um lado, buscar-se-á investigar a criação, a composição e a mobilização de tropas compostas pelos grupos em questão no intuito de observar sua contribuição para o estabelecimento de uma ordem que apoiasse a administração portuguesa em seus domínios ultramarinos e, ao mesmo tempo, assegurasse o bom ordenamento da sociedade colonial. Por outro lado, objetivar-se-á refletir sobre a possibilidade de mobilidade social facultada aos oficiais destas tropas, extremamente valorizada pelos pretos e pardos, forros e livres. Isso significa dizer que o acesso ao oficialato era uma via de ascensão social para homens livres pobres, forros, pardos, etc. Nessa perspectiva, ganham espaço os conflitos, as negociações, as alianças dos africanos e seus descendentes no universo bélico escravista e de Antigo Regime da colônia..

 

* Reflexões sobre a Mulher Medieval nos Livros Didáticos do Ensino Médio

Coordenadora: Denise da Silva Menezes do Nascimento

Descrição: Na divulgação do conhecimento é preciso dar às mulheres a condição de sujeito histórico, pois o sujeito histórico não é universal (homem, branco) e pressupor que o seja é rememorar uma história parcial, mutilada. Assim, o projeto de pesquisa visa pensar a mulher de forma relacional, ultrapassando o binarismo homem-mulher para pensar as diferenças, o que por sua vez, implica em desnaturalizar modelos de comportamento e compreender que as mulheres no Medievo não possuem uma definição intrínseca e sim uma definição contextual e multifacetada. Nesse sentido, objetivamos analisar livros didáticos em conjunto com a bibliografia coeva sobre mulheres na Idade Média a fim de perceber em que medida as novas e antigas propostas de organização dos livros didáticos permitem a incorporação de estratégias e concepções historiográficas que visem o respeito a diversidade e a incorporação de sujeitos durante muito tempo marginalizados pela pesquisa e ensino de História.

 

* Índios como sujeitos de direito internacional: os parlamentos de índios na Argentina e no Chile no século XVIII. 

Coordenadora: Profa. Hevelly Acruche

Descrição:  O objetivo deste projeto é analisar a ocorrência de parlamentos indígenas envolvendo, de um lado, autoridades espanholas, e de outro lado, povos indígenas não submetidos a colonização em regiões como o sul do Chile e da Argentina, espaços considerados de fronteira e que serão incorporados aos respectivos Estados Nacionais em finais do século XIX. Procuramos entender como houve tentativas de consenso entre esses grupos, bem como a compreensão do parlamento como uma instância de negociação onde os indígenas de grupos não submetidos ao jugo colonial procuraram adquirir e manter direitos, sendo sujeitos que tinham suas demandas em termos do direito internacional.

 

* Fronteiras, pessoas e processos: dinâmicas sociais e direitos nos espaços hispânicos (1750 – 1830).

Coordenadora: Profa. Hevelly Acruche

Descrição: O projeto tem por objetivo discutir as relações entre direito e escravidão no conjunto das fronteiras envolvendo o Império Espanhol e outras coroas no continente americano, sobretudo no que diz respeito aos sujeitos escravizados que fugiam pelas fronteiras em busca de liberdade ou de uma escravização mais “branda” em território espanhol. Trabalhamos com os tratados de amizade, comércio, definição das fronteiras e, destacadamente, a devolução mútua e recíproca de escravos fugitivos a partir da segunda metade do século XVIII.

 

* Atlas histórico dos povos da Amazônia pré-colombiana: mapeando lugares e territórios numa região transfronteiriça a partir de perspectivas da História do Espaço e abordagens do Sistema de Informações Geográficas.

Coordenador: Prof. Mateus Rezende de Andrade

Descrição: Uma das poucas certezas que se tem sobre o mundo pré-colombiano nas Américas é a da catástrofe vivenciada pelas populações nativas locais com a chegada dos europeus em 1492. Diversos estudos apontam apontam para o fato incontestável de que as perdas são inimagináveis, principalmente se levar-se em consideração que junto com as respectivas populações, foram varridas do continente as práticas culturais, suas formas de organizações, as estruturas sociais e todos os saberes que acumularam durante séculos. Todos estes conhecimentos estão potencialmente condenados ao esquecimento pelas vias de historiografias que resumem a América pré-colombiana às narrativas históricas romantizadas das evoluções técnicas e irrefutáveis desenvolvimentos científicos de povos e impérios como o dos Maias, Mexicas e Incas. Estas narrativas, produzidas por entusiastas da complexidade da organização social e política destes impérios pré-colombianos, relegam ao pé de página a presença de outros povos nativos e as sociedades por eles constituídas, invariavelmente, representando-as sempre em sua dependência e interrelação com os grandes impérios, o que deformou a produção historiográfica da América pré-colombiana. Através da criação e manutenção de um Atlas histórico dos povos da Amazônia pré-colombiana, este projeto pretende levar adiante uma nova maneira de interpretar os espaços amazônicos, a qual não reitera os processos de subjugação daquela região, mas, traz à tona espacialidades dinâmicas em suas historicidades. Grosso modo, a investigação realizada tem como chave interpretativa os espaços que foram produzidos a partir da relação entre sociedades humanas e o meio ambiente, deixando de lado as imposições das fronteiras e territórios inventados pelas narrativas da conquista, colonização e formação dos estados nacionais na América. Deste modo, a pesquisa que se propõe, parte de princípios teóricos que desconstroem os limites regionais, desmantelando as linhas de força e o ?diagrama de poderes? que dominaram os discursos delineadores da história de uma região.

 

* Polícia, prisões e criminalidade: cotidiano, violência e estado na Primeira República em Minas Gerais (1913-1918)

Coordenador: Prof. Mateus Rezende de Andrade

Descrição: Durante a transição do Império à República a sociedade brasileira vivenciou conturbados anos em suas estruturas burocráticas e administrativas. Apesar de muitos aspectos que denotam mais continuidades do que rupturas neste processo de transformação política, estudos sobre instituições, práticas e conceitos que perduraram ao longo dos dois períodos históricos, demonstram que a Abolição e a Proclamação da República, dentre outros processos menores, significaram a aceleração da produção de desigualdades e impasses ao florescimento da liberdade. Debruçando-se especificamente sobre o cotidiano da criminalidade e da violência no estado de Minas Gerais do Império à República, alguns estudos demonstram como uma nova burocracia de estado desestruturou progressivamente o sistema de justiça, minando assim a capacidade de intermediação de conflitos, proliferando a violência privada e os crimes violentos. No rastro das constatações apresentadas por estes autores, este projeto tem por objetivo somar esforços à longa tradição na historiografia brasileira que tem por elemento de investigação a relação entre Estado e sociedade durante a Primeira República. Todavia, diferente da maioria dos trabalhos que se empreenderam nesta temática pelo escopo de uma história do crime, os quais enfocaram suas pesquisas em arquivos e documentos produzidos no âmbito de processos crimes e no uso da imprensa como fonte de pesquisa, este projeto terá como foco os documentos históricos das instituições policiais, os quais estão depositados no Fundo Chefia de Polícia do Arquivo Público Mineiro, acervo documental ainda muito pouco explorado por pesquisadores. Este projeto, irá voltar seus esforços de levantamento de dados, especificamente aos livros produzidos pelo Gabinete de Identificação e Estatística criminal, órgão interno das maiorias das Chefias de Polícia dos estados, os quais produziram tipologias de fontes que exigem maior atenção dos historiadores da Primeira República, haja vista que estes gabinetes foram criados como parte de um esforço transnacional sul-americano de vigilância policial dos ?perigosos? e ?indesejáveis?, padronizando a identificação e categorização de indivíduos no bojo de políticas repressivas empreendidas por autoridades políticas no período. Desta forma, ao ter como foco da pesquisa o Gabinete de Identificação e Estatística criminal, este projeto atuará em duas frentes de pesquisa, as polícias e as prisões, mesclando dois lados de uma mesma moeda, a saber, a repressão do Estado. A escolha destas duas perspectivas, além de assentarem-se nas tipologias de fontes produzidas pelo referido Gabinete, pauta-se nas ricas possibilidades interpretativas proporcionadas pela pesquisa das forças de polícia e das instituições punitivas.

 

Intercâmbios Oceânicos: rastreando redes portuárias da América Latina a partir da costa atlântica brasileira (1850-1914)

Coordenador: Prof. Mateus Rezende de Andrade

Descrição: A história marítima sempre se beneficiou de uma ampla circulação e produção que extrapola os círculos acadêmicos da produção historiográfica, o que lhe conferiu um público leitor, diga-se, muito leal, que sempre esteve em busca de atrativas narrativas e grandes aventuras. Em meio a esta realidade, por orgulho intelectual do historiador de formação, ao qual se somou o esnobismo daqueles que desvalorizam qualquer abordagem que não demonstre ter trabalhado de mãos no convés e linguagem adequada à perícia marítima prática, cada vez mais a história marítima manteve-se à margem das constelações das pesquisas históricas produzidas a partir das universidades e outros centros de pesquisa a elas associados. Felizmente este quadro tem passado por mudanças significativas e a realidade hoje é outra, isto porque, um número crescente de historiadores, de todas as subáreas (social, econômica, política e cultural), começaram a lidar com questões que envolvem os mares e os oceanos. Por exemplo, hoje é muito comum ouvirmos falar em História Atlântica ou “perspectiva atlântica”, fenômeno historiográfico dos anos recentes. Impulsionado por estas novas perspectivas em que o espaço marítimo compõe parte essencial dos problemas históricos a ser analisado, este projeto tem como principal objetivo fazer avançar o nosso entendimento sobre as interconexões que existiram entre o Brasil e a América Latina num período histórico de expansão imperialista dos países já industrializados ou em processo de industrialização, caso dos Estados Unidos, sobre os mercados das antigas colônias sul-americanas e caribenhas. Deste modo, este projeto visa traçar os caminhos, redes, transações e sistemas de intercâmbios que definiram o que é a América Latina a partir de suas redes portuárias internas, e não aquela América Latina obscurecida por enfoques interpretativos que enxergaram suas redes mercantis e seus contornos marítimos pelo olhar do imperialismo.

 

Laboratório de História Econômica e Social – LAHES