UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora

Pesquisa da UFMG avalia efeitos da pandemia sobre fecundidade das brasileiras

Data: 9 de novembro de 2020

[O Tempo] Pesquisadores avaliam que a pandemia pode levar a outros efeitos sobre a saúde das mulheres, além do risco de contraírem Covid-19, especialmente na fecundidade e na saúde sexual. Algumas delas podem adiar os planos de engravidar por temer o cenário econômico do país nos próximos anos, ao mesmo tempo em que aquelas com menor renda, que dependem do serviço público para fazer o controle da natalidade, podem ter tido mais dificuldade nos últimos meses. 

 

Essas são hipóteses que ainda serão estudadas por cientistas de todo o mundo nos próximos anos e são investigadas por uma pesquisa da Universidade do Texas, em Austin (EUA), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Os pesquisadores pretendem ouvir 2.000 brasileiras de 18 a 45 anos em um questionário aberto na última semaCom questões acerca do receio de contrair Covid-19 e Zika e da percepção das mulheres sobre a gravidez neste momento, ele leva cerca de 15 minutos para ser respondido e ainda não tem prazo para ser finalizado.

 

Uma das responsáveis pelo estudo, a professora Raquel Zanatta Coutinho, da UFMG, lembra que o surto de Zika vírus no Brasil em 2015 e 2016 levou a variações na taxa de fecundidade em alguns pontos do país, o que pode se repetir com a pandemia de Covid-19. 

 

“São dois choques, duas crises sanitárias no Brasil. Em nossos estudos anteriores, vimos que a proximidade geográfica dos casos de Zika importa, por exemplo. Nos locais onde casos de microcefalia aconteceram mais, houve uma resposta reprodutiva mais rápida. A fecundidade caiu mais de 20% em Pernambuco, ao passo em que Estados do Sul, menos atingidos pela epidemia, ela não caiu”, elabora. 

 

Os bebês que estão nascendo durante a pandemia são frutos de relações sexuais iniciadas antes da irrupção da Covid-19, em geral, portanto os efeitos da crise sanitária sobre a fecundidade no Brasil começarão a ser sentidos em breve, avalia a pesquisadora.

Laboratório de Demografia e Estudos Populacionais


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