UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora

Pandemia faz gestações e casamentos diminuírem no Japão

Data: 2 de novembro de 2020

[DEUTSCHE WELLE] A redução do número de gestações e casamentos no Japão durante a pandemia de covid-19 deve intensificar a crise demográfica no país, que já enfrentava problemas decorrentes do rápido envelhecimento de sua população.

 

O país tem a sociedade mais idosa do mundo. Mais de 35% de sua população deverá chegar aos 65 anos de idade até 2050, uma tendência que traz riscos ao crescimento econômico e sobrecarrega as despesas do governo.

 

Acredito que a disseminação do coronavírus deixa muitas pessoas preocupadas com a gravidez, nascimentos e com criar as crianças“, afirmou em 23 de outubro o ministro encarregado de reagir ao declínio dos índices de nascimento, Tetsushi Sakamoto.

 

Dados oficiais recentes demonstram que o número de gestações registradas de maio a julho caiu 11,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto o de casamentos diminuiu 36,9%, O declínio acentuado nos matrimônios é 1 dado importante, já que a maioria dos bebês japoneses nasce de pais casados.

Isso é algo muito sério, porque os efeitos negativos poderão permanecer, com a piora na economia resultando em menos casamentos e, consequentemente, em menos nascimentos“, afirmou Hideo Kumano, economista-chefe do Instituto Dai-ichi de Pesquisa sobre a Vida.

 

A pandemia agravou a preexistente tendência negativa das taxas de natalidade, o que o ex-primeiro-ministro Shinzo Abe chamava de uma “crise nacional“. Em 2019, o número de nascimentos já havia sido reduzido em 5,8%, para cerca de 865 mil, o registro anual mais baixo até então.

 

A Associação Pediátrica do Japão alertou que a natalidade baixa poderá se estender por mais 10 anos em razão da pandemia, o que deve abalar não apenas a medicina pediátrica, mas poderá ter efeitos bastante amplos.

 

O FMI (Fundo Monetário Internacional) previu crescimento econômico global de 5,2% em 2021, enquanto o do Japão deverá ser de 2,3%. Segundo Kumano, o despovoamento foi o efeito mais significativo na diferença entre ambos os percentuais.

 

Um estudo publicado pelo jornal Nikkei, que entrevistou 22 economistas, revela que a maioria dos analistas avalia que a economia japonesa não deverá voltar aos níveis pré-pandemia antes de 2024, o que sugere 1 longo período de redução nos casamentos.

 

Os governantes lutam como podem contra a crise, inclusive com a oferta de cobertura dos tratamentos de fertilidade por meio de seguros de saúde e dobrando o teto máximo da ajuda financeira aos recém-casados, o que pode chegar a até 600 mil ienes (R$ 32.600).

Há várias previsões sobre o que deve acontecer se o número de nascimentos continuar a cair, mas uma coisa é certa: os sistemas atuais, incluindo o de bem-estar social, não estarão mais aptos a funcionar“, alertou o ex-ministro responsável pelo declínio da taxa de natalidade Masaji Matsuyama. “Será uma crise na qual a própria existência do país como conhecemos estará em risco“.

 

 

 

Laboratório de Demografia e Estudos Populacionais


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