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Juiz de Fora: Cidade Negra

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Juiz de Fora: Cidade Negra

Centro de Referência sobre a memória negra na cidade de Juiz de Fora.

 

    O antigo arraial de Santo Antônio do Paraibuna transformou-se em cidade no auge da expansão do café, baseada no sistema “plantation” e sustentada pela importação de africanos escravizados. Corria o ano de 1850 mas o nome Juiz de Fora só viria 15 anos depois em 1865. Sua tradição cafeeira consolidou-a como a principal cidade escravista de Minas Gerais, dado ratificado pelo censo de 1872 que apontava que 2/3 da população local era composta por negros escravizados. Mas não só na lavoura cafeeira a presença negra é intensa; o trabalho de africanos e seus descendentes – cativos, libertos e nascidos livres – esteve também na base da precoce expansão industrial da cidade. Essa força da escravidão no município fez do entorno de Juiz de Fora cenário privilegiado de muitas das pesquisas pioneiras sobre a história social do pós-abolição no antigo sudeste escravista.

 

    Desse período, especificamente na primeira metade do século XX, atentamos para a transformação da cidade em atraente polo migratório para populações negras de áreas vizinhas, processo crucial para o entendimento do crescimento urbano nesse período, que foi profundamente acentuado pelo intenso êxodo rural da segunda metade do século. Na busca dessas memórias negras invisibilizadas nas narrativas oficiais da cidade a FUNALFA, em parceria com ativistas e pesquisadores da história negra local, promoveu uma série de iniciativas para inscrever a história da comunidade e da cultura negras em publicações e espaços de memória da cidade, com resultados ainda pouco difundidos na opinião pública local.

 

    Esse movimento, em muito motivado pelas discussões em prol da redemocratização via constituinte e pela reestruturação do movimento negro, processo de que tem como marco a Marcha Zumbi dos Palmares em 1988, ganhou novo fôlego a partir da Conferência internacional de combate à discriminação racial realizada em Durban, na África do Sul, em 2001, durante a qual discussões acerca da necessidade de medidas de reparação à escravidão como crime contra a humanidade, implementadas no país e no mundo, colocaram a história da escravidão atlântica e do racismo no mapa da pesquisa histórica global.

 

    Nessa perspectiva, misto de resgate memorialístico e reparação histórica, esta plataforma procura reunir os resultados dos esforços já realizados e em andamento sobre este e outros temas em Juiz de Fora, bem como registros documentais, imagéticos e de toda natureza cedidos gentilmente pela população de Juiz de Fora, de forma a reverter a invisibilidade da experiência negra que ainda persiste na memória pública da cidade.

 

Alguns itens do Acervo: 

. RITA DE CASSIA SOUZA FÉLIX BATISTA – CLUBES NEGROS NA ESPACIALIDADE URBANA DE JUIZ DE FORA

. Patricia Lage de Almeida – ELOS DE PERMANÊNCIA o lazer como preservação da memória coletiva  dos libertos e de seus descendentes em Juiz de Fora no início do século XX

. Entrevista LABHOI/UFJF – Adenilde Petrina Bispo

. Tâmara Lis Reis Umbelino – RIMANDO POR RECONHECIMENTO A TRAJETÓRIA DO MOVIMENTO HIP HOP EM JUIZ DE FORA NA CONSTRUÇÃO DE SUA IDENTIDADE

. Maria da Graça Floriano – Religiões de matriz africana em Juiz de Fora trajetórias, alianças e conflitos

 

Para acessar o acervo do projeto, clicar aqui: ACERVO

Índice do Acervo: ÍNDICE

 

 

Projeto desenvolvido sob coordenação associada de Hebe Mattos (pesquisadora do CNPq com o projeto Passados Sensíveis: memória e amnésia da escravidão e do racismo no Sudeste do Brasil) e Giovana Castro (doutoranda UFJF com o projeto Obás em riste: estratégias de resistência de mulheres negras em movimentos sociais de Juiz de Fora, sob orientação de Fernanda Thomaz), com os bolsistas de iniciação científica:  Amanda Pimentel Lira Cruz, Jéssica Mendes, Luís Roberto da Silva Cruz, Luiza Rocha, Vanessa Lopes  

Veja também: Índice do Acervo - Juiz de Fora, Cidade Negra.

Laboratório de História Oral e Imagem