UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora

DPIC

Você está em: Equipe > Parceiros > DPIC

DPIC

 DEPARTAMENTO DE PRATICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES/ SUS PJF

RELATO DE EXPERIENCIA EM HOMEOPATIA
Walcymar Leonel Estreça. Médica homeopata. E-mail: walcymar.estrela@gmail.com
Neysa Maurício Campos. Médica. Chefe de Departamento de práticas integrativas e complementares. E-mail: neysa@pjf.mg.gov.br

 

Juiz de Fora é uma cidade mineira, situada na região sudeste do estado, conhecido como Zona da Mata Mineira, próxima aos limites com os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Com uma área aproximada de 1.400km quadrados, altitude média de 700m, conta com uma população quase exclusivamente urbana, estimada em 518 mil habitantes (IBGE, 2010).
O sistema municipal de saúde pública de Juiz de Fora apresenta valores satisfatórios de indicadores em relação à média da Região Sudeste, com controle social atuante. É uma cidade polo e referência para a saúde na região, inclusive na zona rural, em que a maioria dos postos tem a finalidade de atender cidades e lugarejos vizinhos, rurais e sem infraestrutura para atendimento em saúde.
Em setembro de 1992 houve a criação do Departamento de Homeopatia da sociedade de medicina e cirurgia de Juiz de Fora (DHSMCJF), institucionalizando a especialidade e legitimando a entidade com fins científicos junto a comunidade médica e á sociedade local.
Em 1994, o Secretário de Saúde solicitou ao DHSMCJF um projeto que possibilitasse a implantação da Homeopatia no SUS, quando foi criado um acordo de cooperação entre a Secretaria Municipal de Saúde e o Departamento (DHSMCJ), instituindo um grupo de trabalho para discutir a questão. Esse projeto deu início a um serviço centralizado, subordinado a uma chefia local, com farmácia própria, inaugurado em dezembro de 1995. Em 2002, com a reforma administrativa, foi criado o Departamento das Terapêuticas Não-Convencionais, resultado dos esforços da militância administrativa da gestão local e de um forte movimento social por parte dos usuários. Esse departamento disponibilizava, além do serviço de homeopatia, o de fitoterapia e, mais tarde, o de acupuntura.
Em 2004, o serviço apresentou sua experiência no I fórum nacional de homeopatia, a convite do ministério da saúde, com a finalidade de fundamentar debates essenciais á construção das linhas estratégicas da política de Medicinas Naturais e práticas complementares (2004), que futuramente deu origem á PNPIC do ministério da saúde. Logo depois, em 2005, foi agraciado com uma menção honrosa, na categoria experiências exitosas, com o prêmio Sérgio Arouca da Secretaria de gestão participativa do ministério da saúde. Apos a publicação da política nacional de práticas integrativas e complementares (PNPIC), o departamento foi renomeado para Departamento de PICs (DPIC). Em 2010, recebeu o primeiro lugar no prêmio assistência farmacêutica da secretaria estadual de saúde (SES-MG) na categoria de experiências exitosas.
O serviço de Homeopatia está ativo, portanto, desde 1995, sendo o serviço mais desenvolvido no DPIC e oferecendo as seguintes ações: assistência multidisciplinar médica, farmacêutica, enfermagem e serviço social, ações educativas para todos os usuários do programa, além de atividades de ensino, pesquisa, extensão e educação permanente. O tratamento é individualizado, com tempo de consulta previsto para primeira vez de 50 a 60 minutos e, no retorno, de 20 a 30 minutos, conforme legislação pertinente. A dificuldade de acesso se dá antes da primeira consulta, pois a procura é maior que a demanda.
O acesso para os retornos é garantido ao usuário, A medicação é fornecida de forma gratuita a todos os pacientes do serviço, por meio de farmácia própria de manipulação, cuja reforma para readaptação às novas legislações, financiada por meio da deliberação CIB-SUS-MG nº580/09, finalizou em novembro de 2013. Os procedimentos de cuidados se apoiam em elementos caracterizados por ”boas práticas” de tratamento homeopático.
Esse serviço conta, atualmente, no nível central, com 07 médicos e, na atenção primária, com mais 04, todos concursados e portadores de título de especialista em homeopatia oficialmente reconhecido, com mais de cinco anos de prática na especialidade e no seu exercício no serviço. Além disso, possui 01 assistente social, 03 enfermeiros, 04 auxiliares de enfermagem, 02 técnicas de laboratório, 01 auxiliar administrativa, 01 estagiário de administração, 01 auxiliar de serviços gerais e 01 funcionário de limpeza. No que se refere ao quantitativo de atendimentos, o serviço gera mensalmente, em média, 700 atendimentos médicos (15%de consultas de primeira vez, 20% de intercorrências sem agendamento prévio e 65% retornos agendados) e fornece cerca de 1.200 vidros de medicamentos manipulados. Tem protocolo de rotinas para todas as categorias profissionais e planilha de coleta de dados sobre os atendimentos individuais que possibilitam avaliações periódicas. A análise desta documentação resultou em três trabalhos, a saber: o primeiro, compreendendo uma análise do primeiro ano de funcionamento, com 1.183 atendimentos analisados (ESTRELA;TORRES, 1997); o segundo avaliou 3.900 consultas de primeira vez dentro de quatro anos de funcionamento do programa, compreendidos entre março de 1996 e março de 2000 (ESTRELA, 2002); e o último estudou o período de 2000 a 2003, pesquisando um total de 35.837 resumos de atendimento (ESTRELA; SANTOS, 2004). Os resultados, apresentados resumidamente abaixo, sintetizam as conclusões dos três trabalhos.
O perfil do usuário baseia-se em uma clientela predominantemente de adultos (47%) e crianças (38%), prevalecendo os pacientes de sexo feminino entre 40 e 65 anos de idade, na sua grande maioria de cor branca, com baixa escolaridade e renda familiar em torno de 300 reais.
As patologias mais frequentes, em torno de 33%, estão no trato respiratório, seguidas de 20% dos transtornos psicoemocionais. O levantamento do cumprimento do protocolo de rotinas gira em torno de 65 a 88% dos atendimentos.
Com relação aos resultados, utilizamos alguns indicadores para avaliar o serviço. Levando-se em conta que para o serviço o retorno não é ponto de estrangulamento, tendo o paciente acesso direto ao atendimento, sem filas ou outros impedimentos, e que a média encontrada para o retorno dos pacientes foi três vezes ao ano, consideramos esse resultado baixo, já que grande parte dos pacientes tem patologias crônicas ou de caráter recorrente. São considerados indicadores da resolutividade a média de retornos em três consultas/ ano/ paciente, associada à adesão ao tratamento em 95%, à utilização de alopatia junto ao tratamento homeopático em apenas 5% e ao índice de aprovação do usuário de 96%.
O serviço de acupuntura do DPIC foi criado em 2005 e conta com apenas 01 médico acupuntor, igualmente concursado. Realiza a média mensal de 180 atendimentos aos pacientes em tratamento. Esse atendimento está em fase de ampliação com a contratação de mais 02 profissionais. Também possui protocolo de rotinas e documentos de registro dos atendimentos em prontuário próprio.
O serviço de fitoterapia esteve em atividade entre 1998 e 2006 e após esse período entrou em franco declínio por falta de investimento, tendo suas atividades encerradas devido a esse motivo. Nem mesmo a captação de recursos financeiros na SES-MG garantiram a retomada do projeto, por falta de contrapartida do município em 2012.
No período que esteve em atividade, apresentou programa de utilização de chás medicinais, em que havia desde a presença de hortos medicinais em comunidade até a implantação de arranjo produtivo local, envolvendo uma cooperativa de pequenos produtores rurais no plantio de um elenco de ervas previamente selecionados para trabalho, secagem, embalagem e controle de qualidade – com a chancela da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) – e distribuição para profissionais previamente capacitados a essa prescrição na rede de atenção primária. A coordenação do programa era do DPIC, e a atuação dos profissionais disseminada pela rede. A retomada dessa inciativa no município tem sido difícil, mas está entre as ações elencadas para terem início ainda este ano.

DPIC

Reunião científica do DPIC

 

Práticas Integrativas e Complementares