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09/02/2009 – CADERNOS DE PESQUISA – Fundação Carlos Chagas.

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CADERNOS DE PESQUISA – Fundação Carlos Chagas.  

Autor: Maria Teresa de Assunção Freitas

Resumo:

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“A abordagem sócio-histórica como orientadora da pesq. qualitativa” – Maria Teresa de Assunção Freitas

 O artigo analisa as perspectivas abertas pela abordagem sócio-histórica para a investigação qualitativa no âmbito das ciências humanas, apoiando-se nas idéias de Vygotsky, Luria e Bakhtin. Aponta que uma forma outra de fazer ciência, envolvendo a arte da descrição complementada pela explicação, pode ser encontrada na pesquisa qualitativa desenvolvida a partir de uma orientação sócio-histórica. Enfatiza nessa abordagem a compreensão dos fenômenos a partir de seu acontecer histórico no qual o particular é considerado uma instância da totalidade social.

A pesquisa é vista como uma relação entre sujeitos, portanto dialógica, na qual o pesquisador é uma parte integrante do processo investigativo.

Essas idéis têm implicações nas características processuais e éticas do fazer pesquisa em Ciências Humanas que se refletem na relação pesquisadpr-pesquisado, nos próprios instrumentos utilizados e na análise de dados. Apresenta um relato descritivo do processo metodológico desenvolvido em uma pesquisa qualitativa de cunho sócio-histórico.

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 Nesta revista estão presentes os seguintes artigos de pesquisadores / interlocutores do LIC: “Vozes e Silêncio no Texto de pesquisa em Ciências Humanas” – Marília Amorim

 Este artigo propõe uma síntese da teoria dialógica de Mikhail Bakhtin e de suas conseqüências para a pesquisa em Ciências Humanas. Os conceitos de vozes do texto, polifonia e polissemia, são trabalhados visando a uma leitura crítica dos textos de pesquisa e a uma nova proposição de escrita destes textos. Para completar e redimensionar a abordagem dialógica, o pensamento filosófico de Jean François Lyotard e sua concepção de regime discursivo tornam-se necessários.

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 “Autoria e Autorização: questões éticas na pesquisa com crianças” – Sônia Kramer 

O texto analisa questões éticas enfrentadas na pesquisa com crianças de diferentes idades, grupos e contextos. Trata da concepção de infância subjacente às pesquisas em debate e analisa três questões.

A primeira focaliza os nomes (veradeiros ou fictícios) de crianças observadas ou entrevistadas e analisa se devem ou não ser explicitados na apresentação da pesquisa.

A Segunda discute a utilização de imagens de crianças – seus rostos- em especial a autorização do uso de imagens (em fotografias, vídeos ou filmes).

A terceira trata das implicações ou do impacto social de resultados de trabalhos científicos e pergunta se é possível contribuir e devolver os achados, evitando que as crianças ou jovens sofram com as repercussões deste retorno, no interior das instituições educacionais que frequentam e que forma estudadas na pesquisa. tais questões emergiram na orientação de monografias, dissertações e teses.

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 “Fotografar e narrar: a produção do conhecimento no contexto da escola” – Solange Jobim e Souza e Ana Elisabete Lopes 

Este textos visam apresentar os dados da pesquisa-intervenção que vem sendo realizada em uma escola que atende a portadores de necessidades especiais na rede miniciapal de ensino básico da cidade do Rio de Janeiro, em que os jovens utilizam-se da imagem fotográfica para interagir de modo crítico com o cotidiano.

Portanto, tendo por base a produção livre de imagens fotográficas, os jovens criam narrativas que integram imagens e textos orais e escritos com o objetivo de construir uma consciência crítica do contexto escolar, compartilhada entre alunos e professores. Esta proposta de trabalho possibilitou-nos uma outra forma de aproximação da realidade escolar, que se dá a partir do olhar e das narrativas contruídas pelos próprios alunos.

O diálogo desencadeado no processo de produção e execução das fotografias revela características que aproximam e distinguem o contexto das escolas, especial e regular, e abre-nos uma perspectiva crítica e sensível de observação e análise sobre a escola, o processo de ensino-aprendizado e de inclusão social.

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 “Infância, televisão e publicidade: uma metodologia de pesquisa em construção” – Rita Marise Ribes Pereira

 Este estudo tem como foco principal a relação estabelecida entre criança e publicidade televisiva. A perspectiva teórica e metodológica é baseada nas idéis de Walter benjamin, Mikhail Bakhtin e Oliviero Toscani. O objetivo é entender o contexto social e cultural mais amplo no qual esta questão é mantida sob permanente tensão, em especial em razão de algumas mudanças que o marcam acentuadamente: a emergência de novos agrupamentos familiares, que por diferirem dos arranjos nucleares tradicionais, demandam um reordenamento das relações criança-adulto; a desterritorialização do capitalismo e sua concentração no consumo; a fragmentação da vida cotidiana; a construção de uma política de vídeo e a inversão sofrida nos âmbitos públicos e privados; o lugar central hoje é ocupado pela mídia e a constatação de que há uma hegemonia das tecnologias eletrônicas e virtuais nos processos de comunicação, bem como a pulverizaçãodos espaços de saber. Nesse contexto, os meios audio-visuais- entre eles a televisão- têm compartilhado cada vez mais com a família e com a escola sua função educativa, ocasionando para ambas um grande desconforto: faz-se necessário, mais do que nunca, repensar o lugar social que ocupam.

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 FREITAS, M. T. A. A abordagem Sócio-histórica como orientadora da pesquisa qualitativa. In: Cadernos de Pesquisa. São Paulo, n. 116, p. 21-39, jul.2002.

Data: 09/02/2009

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