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Sobre a pesquisa

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Esta questão norteará todo o trabalho investigativo, presente tanto em um projeto central de pesquisa, quanto nos sub-projetos que com ele se articulam. Assim, essa questão se desdobra em outras questões orientadoras da investigação: 

 

Como os professores se situam e agem diante das novas práticas de leitura/escrita possibilitadas pela cibercultura? Como a cibercultura pode estar afetando os processos de aprendizagem na escola? Até que ponto os professores estão se apropriando das contribuições das novas tecnologias para pensarem sobre transformações que podem estar ocorrendo no processo de aprendizagem? Estão os professores preparados para enfrentarem essas questões postas pela cultura digital contemporânea? O confronto dos professores com as experiências de letramento digital de adolescentes, num trabalho formativo de reflexão, pode levar a novas aprendizagens que conduzam a uma transformação de sua prática pedagógica?

 

 Os objetivos desta pesquisa estão implícitos na questão proposta. Queremos compreender como no processo de formação inicial e continuada, professores estão percebendo o impacto das inovações tecnológicas oportunizadas pelo computador e pela Internet.

Temos como metas:

 

 

 

 

 

 

 

ENFOQUE TEÓRICO E METODOLÓGICO

O referencial teórico deste trabalho é a perspectiva sócio-histórica envolvendo a teoria enunciativa da linguagem de Bakhtin e a teoria social da construção do conhecimento de Vygotsky. Estamos abordando o letramento digital, a aprendizagem como uma construção compartilhada de conhecimento e as práticas discursivas no trabalho com professores em sua formação inicial ou continuada que nos remetem às teorias de Vygotsky e Bakhtin.

 

A teoria enunciativa de Bakhtin pode ser um ponto de partida importante para se pensar o letramento digital. Para o autor, a linguagem é um fenômeno eminentemente social, que se processa na e pela interação entre dois ou mais interlocutores. Percebemos na internet que há diferentes formas de interação com um outro, certamente num outro nível de corporeidade, mas, via linguagem. Assim, relendo alguns de seus conceitos como: interação verbal, dialogismo, interdiscursividade, polifonia, alteridade, exotopia, compreensão ativa, tempo histórico/espaço histórico, lugar social do interlocutor, entoação/apreciação valorativa, autoria, textualidade, gêneros discursivos e apropriando-nos deles podemos partir para a compreensão responsiva dessa nova realidade: letramento digital.

 

Para abordar a questão da aprendizagem é preciso situa-la a partir da teoria social do desenvolvimento e da aprendizagem de Vygotsky. Este autor (1991-2001-2001b), afirma, que a aprendizagem se realiza sempre num contexto de interação, através da internalização de instrumentos e signos levando a uma apropriação do conhecimento. Todo esse processo é que promove o desenvolvimento. Portanto, de acordo com o autor, a aprendizagem precede o desenvolvimento. Ao compreender desta forma as relações entre aprendizagem e desenvolvimento Vygotsky confere uma grande importância à escola (lugar da aprendizagem e da produção de conceitos científicos); ao professor (mediador desta aprendizagem); às relações interpessoais (através das quais este processo se completa). A aprendizagem é um processo de construção compartilhada, uma construção social. O professor atua nesse processo como um mediador intervindo com o seu trabalho no desenvolvimento potencial do aluno.

 

Trabalharemos com uma pesquisa qualitativa de abordagem sócio-histórica buscando construir estratégias metodológicas compatíveis com este enfoque. A organização metodológica deste trabalho se explicita em três grandes planos: a empiria, a construção metodológica e a expansão/atualização do referencial teórico. Em relação a empiria a pesquisa organiza-se num projeto central do qual derivam 03 sub-projetos.  No projeto central atuaremos com um grupo de 12 professores de ensino fundamental e médio em sessões reflexivas. São critérios para composição do grupo: a diversidade de níveis, de redes de ensino e de disciplinas lecionadas, compatibilização de horários, interesse e disponibilidade para o programa de pesquisa. Funcionamento em 10 sessões reflexivas de 3 hs, de março a julho de 2004, mediadas pela coordenadora da pesquisa junto com 4 pesquisadoras. Bolsistas de IC participam como observadoras gravando/filmando e transcrevendo as gravações. Após cada sessão escrevem e expandem notas de campo, para ler e discutir nas reuniões semanais do LIC. As sessões se organizam em discussões e reflexões, a partir de relatos dos professores sobre sua prática pedagógica e sobre artefatos selecionados do banco de dados das pesquisas do LIC. As práticas discursivas ocorridas nestas sessões serão material de análise para a pesquisa.

 

EIXOS TEMÁTICOS

O sub-projeto I funcionou como um projeto-piloto para o projeto central. Reuniu um grupo de 6 professores para refletir acerca da pesquisa escolar realizada na/pela INTERNET de agosto a dezembro de 2003, em 10 sessões reflexivas semanais de 2 hs. Foram critérios de composição: professores do Ensino Fundamental e Médio, de diferentes escolas e disciplinas, de diversificados graus de conhecimento acerca de informática. Navegação na internet, filmadora e gravador Forão usados. Uma pesquisadora foi mediadora do grupo trabalhando com 1 bolsista de IC que participou nas gravações em áudio e vídeo, observando sessões, construindo e expandindo notas de campo que também foram feitas pela mediadora após cada sessão. As práticas discursivas presentes nas discussões e reflexões foram material para análise. A dissertação decorrente deste trabalho foi defendida pela pesquisadora Patrícia Vale da Cunha e entitula-se “A pesquisa escolar na www: desafios e possibilidades em um trabalho de formação continuada com professores”.

 

A mestranda Olívia Paiva Fernandes está desenvolvendo sua dissertação entitulada “A Formação Inicial de Professores e as Novas Tecnologias: uma busca de  compreensão mediada pela linguagem” que é o subeixo II do projeto central. Nesse sub-projeto estão sendo usadas entrevistas coletivas com alunos do Curso de Pedagogia da UFJF, para compreender através de seu discurso, que uso fazem do computador no seu processo de formação inicial e o que pensam da presença dessa tecnologia na prática pedagógica. As entrevistas coletivas estão sendo realizadas em 02 grupos de alunos com até 09 participantes, gravadas em áudio e vídeo e está em andamento durante o período de março a junho de 2004. Acontecerá 1 entrevista coletiva com  professores do curso de Pedagogia da UFJF, para conhecer o quê pensam sobre a questão. As entrevistas serão mediadas por uma pesquisadora acompanhada por uma bolsista de IC que as observará auxiliando na filmagem, gravação e transcrição das mesmas. A mediadora e a bolsista constróem e expandem notas de campo após as entrevistas.

 

O sub-projeto III visou compreender como a Internet, a partir de um Fórum de Discussões, pode estar mediando a aprendizagem e as interações entre especialistas, tutores e cursistas do Projeto Veredas-Polo de Juiz de Fora. Para tal, a pesquisadora Bruna Sola Ramos com o auxílio de uma bolsista de IC observou do funcionamento do Fórum Virtual de Discussões do Projeto Veredas complementada por entrevistas virtuais ou presenciais que se fizerem necessárias. Durante o período de agosto a dezembro de 2003 o Fórum de discussão foi observado semanalmente, sendo gravando no computador as sessões. Após cada observação foram feitas notas de campo expandindo-as já num início de análise do material coletado. Realizou-se entrevistas via e-mail e presenciais com aqueles participantes cujo contato foi necessário. O resultado desse subeixo resultou a dissertação defendida em abril de 2004 pela pesquisadora Bruna Sola Ramos entitulado” Práticas discursivas no Fórum de discussões do Projeto Veredas: uma alternativa de aprendizagem?”

 

A construção metodológica se evidencia no esforço empreendido com a implementação das estratégias metodológicas propostas.

 

A expansão/atualização do referencial teórico se efetivará a partir do aprofundamento do referencial teórico e principalmente pelo estudo da apropriação do conceito de aprendizagem de Vygotsky no Brasil em teses e dissertações da área da educação.

 

 

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LIC – Linguagem, Interação e Conhecimento