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Sobre a pesquisa

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A partir dos achados da pesquisa anterior[1] desenvolvida de 2007 a 2010 compreendemos a necessidade de centrar nossa nova pesquisa na FACED-UFJF. O trabalho nela iniciado ainda precisa ser mais investigado e aprofundado em vista do novo quadro institucional existente. Além disso, na pesquisa anterior, atingimos apenas um pequeno grupo de professores e a reflexão instaurada apesar de produtiva, ficou ainda em estágios muito iniciais precisando ser mais aprofundada. Também percebemos que novas questões foram abertas apontando outros possíveis movimentos investigativos. Em que ponto e de que forma as tecnologias digitais contribuem para a aprendizagem escolar? Quais as implicações do letramento digital e da linguagem imagética para a formação de professores? Como as TICs estão implicadas na criação de novas possibilidades de aprendizagem e novas formas de construção do saber escolar? Cunhamos na pesquisa anterior, como produto de nossos estudos teóricos o conceito de “computador como instrumentos culturais de aprendizagem” discutindo os sentidos dos termos instrumento, cultura, mediação e aprendizagem no interior da perspectiva histórico-cultural. Sintetizando essa discussão podemos dizer que a criação do computador e a partir dele da internet são o resultado de um esforço do homem que, interferindo na realidade em que vive, constrói esses objetos culturais da contemporaneidade, que são, ao mesmo tempo, um instrumento material e um instrumento simbólico. Partindo da idéia de instrumento técnico e simbólico em Vygotsky, consideramos que, o computador é um objeto físico, o hardware, mas ele tem também uma dimensão simbólica, pois seu funcionamento depende do software, a parte lógica que coordena suas operações. Compreendemos, portanto, que computador e a internet são instrumentos de linguagem, de leitura e escrita. Nesse sentido, é possível compreender o papel mediador exercido por esses instrumentos que são, ao mesmo tempo, tecnológicos e simbólicos.(FREITAS, 2008,2009) Tomamos este conceito como base e articulando-o às questões levantadas a partir dos resultados da pesquisa anterior concebemos a nova investigação a partir de uma idéia central “instrumentos culturais de aprendizagem na formação de professores” geradora de dois focos. No primeiro situamos a relação do computador e internet com a aprendizagem enfrentando o letramento digital como potencializador dessas aprendizagens. No segundo, abrindo novas perspectivas de investigação para nossa pesquisa,  incluímos também o cinema com suas imagens fílmicas, como um instrumento cultural de aprendizagem.Estamos conscientes de que a sociedade contemporânea com sua diversidade de dispositivos midiáticos e tecnológicos confronta a educação exigindo um novo perfil de professores e a Faculdade de Educação se constitui como uma instância formadora de professores. Portanto, uma ação centrada neste espaço se faz importante e provocará um efeito multiplicador. Voltamos nosso olhar para compreender o movimento de aproximação das tecnologias digitais e imagéticas, computador-internet-cinema, à pratica pedagógica em cursos presenciais de formação de professores. Nesse sentido pretendemos acompanhar professores que no interior de suas disciplinas desenvolvem atividades usando recursos do computador e da internet e de outras mídias como o cinema, analisando sua relação com a aprendizagem compartilhada entre alunos e professores e suas implicações para a formação docente. Trabalharemos com as especificidades da aprendizagem do adulto, características de nossos sujeitos, dentro da abordagem psicológica de Vygotsky, que emerge em nossa pesquisa com um aspecto teórico a ser estudado e aprofundado. De um modo especial interessa-nos investigar o letramento digital de professores e alunos em suas diferentes possibilidades como potencializador de aprendizagens. Interessa-nos ainda investigar as formas de apropriação da linguagem imagética pelos professores e suas possibilidades como potência na construção e compreensão de novas formas de aprendizagem.  A partir dessas considerações , formulamos a seguinte questão de pesquisa: Quais os sentidos construídos por professores e alunos do curso de Pedagogia e Licenciaturas da FACED/UFJF sobre a presença do computador-internet com seu letramento digital e do cinema com sua linguagem imagética nas práticas pedagógicas desenvolvidas no que se refere à aprendizagem e suas implicações para a formação docente?

Focalizando o objeto de estudo

Centramos essa pesquisa na formação de professores diante do computador-internet e do cinema, considerando-os como instrumentos culturais de aprendizagem. Somos movidos pela compreensão de que a tarefa das escolas e dos processos educativos é o de desenvolver novas formas de ensinar e aprender em razão das exigências postas pela contemporaneidade. A revolução tecnológica introduz  não só uma quantidade enorme de novas máquinas mas principalmente um novo modo de relação entre os processos simbólicos que constituem o cultural. Na rede informacional que nos envolve, misturam-se vários saberes e formas muito diversas de aprender, enquanto nosso sistema educativo ainda se encontra todo organizado em torno da escola e do livro. O que estamos vivendo hoje, segundo Martín-Barbero (2006), é uma transformação nos modos de circulação do saber, que disperso e fragmentado, circula fora dos lugares sagrados que antes o detinham e das figuras sociais que o geriam. Portanto, a escola está deixando de ser o único lugar da legitimação do saber o que se constitui em um enorme desafio para o sistema educativo. Diante desse desafio, muitas vezes os docentes adotam uma posição defensiva e às vezes até negativa no que se refere às mídias e às tecnologias digitais, como se pudessem deter seu impacto e afirmar o lugar da escola e o seu como de detentores do saber. É preciso que, perante essa nova ordem das coisas, a escola e seus profissionais não se afastem, mas busquem compreender o que se passa e se disponham a interagir com as novas possibilidades. É esse o espírito de nossa pesquisa ao trabalharmos na formação de professores com os sentidos construídos para os usos do computador-internet e do cinema no espaço pedagógico. Pretendemos pesquisar com professores do Curso de Pedagogia e Licenciaturas da FACED-UFJF e seus alunos em formação, os sentidos construídos sobre  a presença do computador-internet, com seu letramento digital, e do cinema, com sua linguagem imagética, nas práticas pedagógicas desenvolvidas, no que se refere à aprendizagem e  suas implicações para a formação docente.Partimos do princípio de que computador-internet e cinema não são por si sós garantias de uma inovação no processo de aprendizagem escolar. Tudo depende da maneira como são usados, da mediação humana do professor. É esta que faz toda a diferença por possibilitar a eficácia das duas outras mediações: a técnica e a simbólica que caracterizam estes instrumentos culturais de aprendizagem. Ao focalizar nosso objeto de estudo, inicialmente fazemos algumas breves considerações, sem a pretensão de realizar uma revisão de literatura, sobre como, em nosso país, ao longo do tempo, o tema das tecnologias digitais se mostra presente nas pesquisas sobre a formação de professores, apresentando em seguida uma rápida incursão sobre as definições de letramento digital. Em um segundo momento, situamos as relações entre cinema e educação.

O tema das TIC em sua relação com a formação de professores ainda é novo, tendo surgido de forma incipiente no final da década de 90. André (2000), em um levantamento da pesquisa sobre a formação de professores no Brasil no período de 1990–1998, indica que entre os aspectos que, naquele momento, merecem menos atenção nas pesquisas identificadas figuram as novas tecnologias e informática. Entretanto, no final do período estudado, aparece como estudo emergente, a formação do professor para as  tecnologias digitais. Este levantamento se refere a um período que termina em 1998, o que talvez explique a pouca incidência de estudos envolvendo a informática na formação de professores. É bom lembrar que uma maior disseminação do uso do computador aconteceu a partir do desenvolvimento da internet e que, no Brasil o surgimento da internet comercial data de 1995 e que em 1997 é que foi criado o Programa Nacional de Informatização na Educação – PROINFO.[2] Analisando dados de pesquisas sobre formação de professores e as tecnologias digitais, observamos que gradativamente, a partir de 1998, vão se tornando mais freqüentes estudos na formação de professores envolvendo o computador e a internet. Em um trabalho: o Estado do Conhecimento na área de Educação e Tecnologia no Brasil, no período entre 1996 e 2002 de Raquel Barreto et al., apresentado em uma sessão especial na Reunião da ANPED de 2005, as autoras concluem que o maior número de pesquisas sobre este tema concentra-se a partir de 2000 figurando entre estes estudos o tema da Educação a distância. Procurando identificar a partir daí como a formação de professores tem se voltado para as questões dos usos do computador e da internet fizemos uma rápida incursão no site da ANPED verificando como esse tema se apresenta no GT Formação de Professores nas reuniões realizadas entre 2000 e 2008. Encontramos ao longo destes anos,entre mais de 80 trabalhos apresentados e pôsters, 13 títulos sobre o tema, que se concentraram mais nos anos de 2003 a 2007. Estes textos abordam de um modo geral as possibilidades educativas trazidas pelo uso do computador-internet, a busca de novos caminhos para a formação de educadores com os novos ambientes digitais, a necessidade de formar professores para o uso da informática nas escolas, os professores diante do  letramento digital, as mudanças na prática docente a partir do uso do computador e da internet e educação a distância na formação de professores.  Estes dados são indicativos de uma presença inicial mas não demonstram ainda uma preocupação mais forte da área  com o assunto. Expandindo nosso olhar procuramos ver como o tema se apresentava nas sessões especiais do período, que envolvem vários GTS e localizamos nestes oito anos, 05  sessões especiais  sobre o tema discutindo a relação das TICS com as práticas de leitura e escrita, com a produção da subjetividade, os processos comunicacionais na formação docente, relações entre educação e tecnologias, políticas de formação  em tecnologias digitais e políticas de EAD, envolvendo a UAB.   Observando os temas tratados no GT específico de formação de professores em um dos principais eventos da área da educação, percebemos um despertar para a questão da presença das tecnologias digitais nos processos formativos de professores. Isso já é um indicador interessante mas que mostra a necessidade de mais estudos e pesquisas  na área que promovam um avanço e apontem novos caminhos para a efetiva inserção das tecnologias digitais no processo pedagógico. Nesse sentido, consideramos que a pesquisa por nós proposta pode representar um passo  a mais nesta caminhada.

Ao abordarmos também a questão do letramento digital. Praticamente todo o uso do computador-internet se processa a partir da leitura-escrita apesar da presença cada vez mais intensa de recursos multissemióticos, multimidiáticos e hipermidiáticos nessa tecnologia. Portanto, mostra-se relevante e urgente a discussão do letramento digital principalmente no trabalho com professores. Todo os usos do computador-internet no processo pedagógico como trabalhos realizados via AVA (ambientes virtuais de aprendizagem), fóruns de discussão, e-mails, blogs, sites de busca para viabilizar pesquisas, wiki, etc passam necessariamente pelo letramento digital.Mas, o que entendemos por letramento digital? Quando falamos que os  professores devem ser letrados digitais  estamos nos referindo à possibilidade de acesso a esses instrumentos ou  ao domínio de capacidades básicas para o seu uso? Acesso e uso instrumental fazem-se importantes mas não atingem  ao que se espera de fato dos professores. Os professores precisam conhecer os gêneros discursivos e linguagens digitais que são usadas pelos alunos para integrá-las de forma criativa e construtiva ao cotidiano escolar..Souza (2007) faz um interessante levantamento de diferentes definições de letramento digital classificando-as em dois tipos: definições restritas e amplas. Entende que as restritas não consideram o contexto sócio-cultural, histórico e político que envolve o processo de letramento digital. São definições mais fechadas em um uso meramente instrumental.  Entre as definições restritas citadas pela autora selecionamos uma que refere-se ao relatório Digital Transformation[3],  no qual letramento digital é definido como “usar a tecnologia digital, ferramentas de comunicação, e/ou redes para acessar, gerenciar, integrar, avaliar, e criar informação para funcionar em uma sociedade de conhecimento”. (Serim, 2002 apud Souza 2007,p57.) Souza (2007) diz que ser letrado digital inclui além do conhecimento funcional sobre o uso da tecnologia possibilitada pelo computador, um conhecimento crítico desse uso. Assim, tornar-se digitalmente letrado significa aprender um novo tipo de discurso e, por vezes, assemelha-se até a aprender uma outra língua.As definições de letramento digital mais amplas supõem estes aspectos ao não prescindirem dos sentidos social e cultural. Selecionamos  as seguintes definições,

Letramento digital  se constitui como “uma complexa série de valores, práticas e habilidades situados social e culturalmente envolvidos em operar lingüisticamente dentro de um contexto de ambientes eletrônicos, que incluem leitura, escrita e comunicação(Selfe (1999, p.11, apud Souza, 2007,p.59). Nesse contexto, letramento digital refere-se aos contextos social e cultural para discurso e comunicação, bem como os produtos e práticas lingüísticos e sociais de comunicação, e os modos pelos quais os ambientes de comunicação têm se tornado partes essenciais de nosso entendimento cultural do que significa ser letrado. Lankshear e Knobel (2005, apud Souza, 2007) falam de “letramentos digitais” que constituem formas diversas de prática social que emergem, evoluem, transformam-se em novas práticas e, em alguns casos, desaparecem, substituídas por outras.As discussões e estudos sobre letramento digital vêm crescendo no Brasil e nesse sentido consideramos muito importante, por sua qualidade inaugural o texto de Magda Soares “Novas Práticas de Leitura e Escrita: Letramento na Cibercultura”(2002). Este texto segue a linha apontada por Lankshear e Knobel (2005, apud Souza, 2007) sobre a idéia de letramentos e sua definição se enquadra entre as apontadas por Souza (2007) como definições ampliadas. Soares (2002) define letramento digital  como“certo estado ou condição que adquirem os que se apropriam da nova tecnologia digital e exercem praticas de leitura e de escrita na tela diferente do estado ou condição – do letramento – dos que exercem práticas de leitura e de escrita no papel”(p.151) Partindo dessa definição e das reflexões feitas no texto  sobre  a leitura e escrita na cibercultura, a autora sugere que se “pluralize a palavra letramento e se reconheça que diferentes tecnologias de escrita criam diferentes letramentos” (2002, p.155) Indica, em seguida que essa necessidade de pluralização da palavra letramento já vinha sendo reconhecida internacionalmente,citando vários autores, estando entre eles Lankshear.Essa discussão sobre o termo letramento digital é trazida aqui para situar o tema e mostrar a sua importância para a nossa pesquisa, que vai merecer durante o seu processo um estudo mais aprofundado. Indicamos alguns textos que serão o ponto de partida para nossos estudos: Soares, 2002; Coscarelli e Ribeiro,2005; Warschauer.2006; Buzato, 2001 2006, 2007; Jordão, 2007; Monte Mor, 2007; Rojo, 2007; Araújo, 2007; Ribeiro e Rocha, 2007; Lankshear,C. & Snyder, I.,1998; Lankshear e Knobel (2005) Eshet-Alkalai, 2004; Santaella, 2004; aos quais serão acrescentados outros. Planejamos ainda realizar um estado da arte sobre letramento digital no Brasil, procurando estabelecer com nossa pesquisa uma linha de continuidade com estes estudos.

Ainda na apresentação de nosso objeto de estudo é preciso considerar o cinema  na formação de professores. Consideramos que a experiência que vivenciamos com as imagens midiáticas em nosso dia-a-dia, sejam técnicas ou digitais, é decisiva na formação e organização de nossa visão de mundo. Diversos autores, em diferentes áreas – comunicação, psicologia, educação etc. – reconhecem a importância das imagens midiáticas na formação das mentalidades que circulam nas sociedades contemporâneas e na transformação no modo do homem criar e perceber a realidade nesta época de reprodutibilidade técnica e digital das imagens. Nas sociedades atuais as imagens exercem papel de grandes mediadoras entre os indivíduos e a cultura mais ampla, modificando as interações coletivas e re-significando os sujeitos.(Costa,2005). A diversidade de dispositivos midiáticos nos coloca diante da necessidade de construção de uma perspectiva ecológica para pensar na relação entre mídia e educação (Fantin: 2006), numa concepção integrada de fazer educação com todos os meios e tecnologias disponíveis – computador, internet, fotografia, cinema, TV, vídeo, livro, CD –  integrando cada inovação tecnológica na outra. Nesta perspectiva ecológica defendida por Fantin (2006), o trabalho educativo na escola não pode ter apenas como objeto o uso de tecnologias em laboratórios multimídias, e sim as possibilidades para que alunos atuem nesse e em outros espaços estabelecendo interações, construindo relações e produzindo sentidos.Pensamos que ao trabalhar o cinema com professores e alunos estaremos indo além da criação artística, da fruição estética, ao nos preocuparmos em formar uma maneira de olhar. O olhar é a definição mesma do espírito, como afirma Fischer (2008), é a identidade do sair e do entrar em si. Como diz Teixeira (2003), o filme é uma expressão do olhar que organiza o mundo a partir de uma idéia sobre esse mundo. Compreendemos o mundo e damos sentido às coisas, re-significamos e expressamos por meio de olhares e idéias postas no movimento das imagens. Para situar nosso interesse investigativo em trabalhar as imagens do cinema e da mídia com professores e alunos, buscamos referências teóricas em pensadores cujas teorizações possibilitam a criação de conceitos capazes de compreender o cinema como outro tipo de articulação racional que inclui, de maneira eqüipolente, o emocional e o afetivo. A emoção e o afeto não desalojam o racional, pelo contrário, o vivificam e o redefinem. Walter Benjamin (1987) alerta contra a tendência em considerar o cinema como “espetáculo de massa” e, nos faz pensar o quanto a filosofia pode massificar e de como a arte, especialmente o cinema, pode esclarecer e libertar.Nesta mesma perspectiva de pensamento, outros autores trazem potências teóricas: Mikhail Bakhtin, com sua teoria da enunciação, seus conceitos de exotopia, autoria, sentido, acabamento/inacabamento e sua teoria sobre o papel do autor-contemplador em uma obra de arte; Gilles Deleuze e o desenvolvimento de uma reflexão sobre o cinema iluminando as relações que ele estabelece entre os diferentes meios expressivos do pensamento. Dentro de sua obra, Cinema 1(1985) e Cinema 2(1990) ocupam um lugar singular, pois é nelas que se estabelece uma leitura horizontal acerca de um objeto estético: o cinema. É preciso reconhecer que o campo de pesquisa relativo especificamente à interface cinema e educação e, de modo mais geral, das mídias e educação, está aberto às investigações e às reflexões teóricas e metodológicas. Pensar o cinema em suas possibilidades educativas próprias do espaço escolar implica compreender as formas de apropriação do cinema na escola e na pesquisa escolar, implica também em situar os referenciais teóricos e epistemológicos, procurando intercessores que, numa relação dialógica, possibilitem a criação de pensamentos e conceitos teóricos. Tomamos o conceito de experiência, inspirado em Walter Benjamin (1993-2002) com o intuito de fazê-lo ativo como ferramenta para pensar os modos pelos quais tem sido apropriadas, estudadas e investigadas as relações entre o cinema e a educação no Curso de Pedagogia e Licenciaturas da UFJF. No limiar entre o uso “escolarizado”, que restringe o cinema a um recurso didático, e o uso do cinema como objeto da experiência estética e expressão da sensibilidade, do conhecimento e das múltiplas linguagens humanas é que se encontra o material para criação de outras possíveis práticas escolares permitindo à escola reencontrar a cultura ao mesmo tempo cotidiana e elevada, pois o cinema é o campo no qual a estética, o lazer, a ideologia e os valores sociais mais amplos são sintetizados numa mesma obra de arte.  Olhar as imagens de dentro, de modo a ir além da posição daquele que coisifica a imagem, apropria-se delas e as interpreta. (FISCHER, 2008) Nossa proposta é pensar as imagens por meio de um olhar que se deixe tocar pela experiência do autor, do diretor, da personagem e do espectador.

Objetivos

O objetivo geral é compreender os sentidos construídos por professores e alunos do curso de Pedagogia e Licenciaturas alunos da FACED/UFJF sobre a presença do computador-internet com seu letramento digital e do cinema com sua linguagem imagética nas práticas pedagógicas desenvolvidas no que se refere a aprendizagem e  suas implicações para a formação docente.

Este objetivo se desdobra em outros nos seguintes eixos de trabalho:

I-Eixo teórico/metodológico

ð      Aprofundar o estudo do referencial teórico histórico-cultural desenvolvendo estudos relacionados às especificidades dos sub-projetos.

ð      Desenvolver o estudo de Benjamin com sua teoria crítica da cultura na compreensão do cinema através das suas concepções de  experiência e narrativa.

ð      Fazer uma revisão de literatura sobre Letramento digital  e empreender o estudo deste tema numa perspectiva reflexiva e crítica

ð      A partir de uma revisão de literatura já iniciada continuar e aprofundar o estudo das relações entre cinema e educação.

ð      Desenvolver e aprofundar as reflexões sobre a pesquisa qualitativa de abordagem histórico-cultural e o uso de estratégias metodológicas já experienciadas em nossas pesquisas anteriores, como as entrevistas dialógicas, as sessões reflexivas e os grupos focais reflexivos e investir na construção de outras estratégias metodológicas adequadas ao trabalho com o meio digital e a midia cinematográfica relacionadas ao desenvolvimento dos sub-projetos previstos.

ð      Continuar e aprofundar o estudo já iniciado  sobre  a análise de dados, em coerência com o  referencial teórico orientador de nosso trabalho, como uma experiência dialógica, fundamentada nos conceitos de significado e sentido propostos pela abordagem histórico cultural.

ð      Divulgar os resultados da pesquisa através da publicação de um livro, de artigos publicados em periódicos e de trabalhos apresentados em eventos da área.

II-EIXO DA EMPIRIA

Sub-projeto I – Compreender os sentidos construídos por professores e alunos (dos cursos presenciais de Pedagogia e Licienciaturas da FACED/UFJF) no desenvolvimento de atividades pedagógicas das disciplinas que utilizam recursos do computador e da internet,  analisando seus reflexos para a aprendizagem e formação  para a docência.

Sub-projeto II – Compreender  como o  letramento digital  se apresenta  e é trabalhado nos cursos de Pedagogia e Licenciatura nas diferentes interfaces que são estabelecidas com o processo de ensino-aprendizagem, construindo com seus alunos e professores uma experiência formativa relacionada às práticas e usos sociais do computador e internet.

Sub-projeto III – Compreender como as atividades de escrita online, em ambientes virtuais de aprendizagem utilizados no desenvolvimento de aulas de graduação de cursos presenciais de Pedagogia e Licenciatura podem contribuir para a aprendizagem dos alunos e proporcionar  uma escrita autoral e argumentativa.

Sub-projeto IV – Compreender  o processo de aprendizagem de adultos a partir do trabalho empreendido  nas disciplinas do Curso de Pedagogia: Educação on-line: reflexões e práticas e As Tecnologias de Informação e da Comunicação em Educação, analisando a dinâmica implementada e os sentidos construídos por alunos e professores para seu processo formativo.

Sub-projeto V – Compreender  os modos pelos quais tem sido apropriadas e estudadas  as relações entre o cinema e a educação no curso de Pedagogia e Licenciaturas da UFJF, construindo com seus alunos e professores uma experiência formativa com imagens fílmicas no ambiente educativo, visando compreender como se dá a fruição dessas peças fílmicas no processo de aprendizagem.


[1] Computador/internet como instrumentos culturais de aprendizagem na formação de professores em diferentes contextos educacionais de uma universidade federal

 

[2] A Internet está presente no Brasil desde 1988, por iniciativa da FAPESP/SP, UFRJ/RJ e LNCC/RJ, ligando os computadores e redes das universidades e centros de pesquisa brasileiros aos EUA. Em 1989, com o crescimento da demanda acadêmica por conexão Internet, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) criou a Rede Nacional de Pesquisa (RNP), com a finalidade de estruturar e manter uma espinha dorsal nacional que integrasse as redes estaduais, viabilizasse o acesso à Internet ao interior, com o provimento de serviços educacionais e estimulasse o surgimento de aplicações de redes em várias áreas do conhecimento. (PRETTO, 1999)

 

[3] A cópia completa do relatório pode ser acessada em http://www.ets.org/research/icliteracy/ictreport.pdf.

 

 

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LIC – Linguagem, Interação e Conhecimento