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Ciência Política

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Esse fenômeno, que nas modernas sociedades reside sobretudo no aparato do Estado, apresenta-se de forma diversa e difusa ao longo da historia das sociedades, fundamentando o poder na religião, na força, e, mais importante, no pacto conscientemente e legitimamente firmado sobre a lei.

 

A Ciência Política, além de sua faceta mais conhecida de estudo das práticas e instituições políticas, dos sistemas de governo, das organizações e dos processos de participação democráticos, dos governos autoritários, possui, diferentemente das demais ciências sociais, um forte diálogo com a filosofia por meio da teoria política. De fato pode-se dizer com segurança que a reflexão sobre a política constitui a mais antiga das ciências sociais, remontando pelo menos 25 séculos de debate sobre o poder, o governo, a comunidade, a ética, a representação e a cidadania.

 

Da democracia grega aos modernos Estados representativos há um manancial de temas e reflexões que devem ser explorados. O cientista político tem hoje em dia a tarefa de pensar a democracia e a república em seus múltiplos aspectos de continuidade e mudança na trajetória contemporânea. Quanto `a democracia, exigem atenção os temas da efetividade da participação da Sociedade Civil na distribuição do poder do Estado, dos partidos políticos e dos ciclos eleitorais. Essa reflexão habilita ao cientista político ver nas relações de entre Estado e Sociedade Civil um campo denso de investigações, que vão da organização da participação, passando pelas agências não-governamentais e levando ao ponto extremo, ou seja, o conflito aberto entre os distintos atores que disputam os espaços estatais e os da Sociedade Civil.

 

O campo das eleições é o lugar por excelência de uma ciência política, principalmente nas relações entre partidos e o comportamento do eleitorado e as relações de representação. As temáticas da mídia e da opinião publica ligadas às eleições são trabalhadas pelo duplo ângulo do estudo do comportamento estratégico dos políticos competidores e pelo sentido histórico daquele resultado eleitoral para a sociedade brasileira. Os estudos e as grandes explicações do Brasil em perspectiva histórica têm sido também uma temática recorrente na teoria política brasileira.

 

O curso de Ciências Sociais da UFJF tem tradicionalmente dado ênfase na formação teórica abrangente para o trato investigativo sobre a política na sociedade brasileira. As questões que confrontam a nossa via para a modernização, centrada na ação do Estado, e a oposição persistente entre autoritarismo e democracia em nossa historia, que culminam na forma atual de governo democrático, são tópicos continuamente revistos por diversos cursos e ângulos de trabalho. O estudo de políticas publicas e das relações internacionais entre Estados são duas ênfases do curso, que conta inclusive com disciplinas especificas para isso.

 

Se existe por parte do estudante pendor para trabalhar grandes autores, a ciência política oferece uma gigantesca galeria de possibilidades clássicas continuamente reapropriáveis para fins analíticos, inclusive os contemporâneos. Dessa forma o cientista político poderá, ao lado das mais avançadas técnicas de pesquisa quantitativa e qualitativa, contar com a interlocução inteligente de nomes como Platão, Aristóteles, Cícero, Agostinho, Dante, Aquino, Maquiavel, Lutero, Calvino, Hobbes, Locke, Espinosa, Montesquieu, Rousseau, Hume, Kant, Hegel, Marx, Tocqueville, Stuart Mill, Visconde de Uruguay, Joaquim Nabuco, Weber, Oliveira Vianna, Raymundo Faoro, Raymond Aron, Hannah Arendt, Sérgio Buarque de Holanda, Luiz Werneck Vianna, Olson, Habermas, Rawls, Dahl e outras infinitas possibilidades de autores que no momento são significativos.

 

Da mesma forma como ocorre com a Antropologia e a Sociologia, a Ciência Política é uma área componente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais para o Mestrado e o Doutorado.