UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora

ISSN 1983-8379

Editorial

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Neste terceiro e último número da vigésima quinta edição da Darandina Revisteletrônica serão reunidos trabalhos que, uma vez mais, adentram em questões tão caras ao nosso tempo. Para fechar esse ciclo de discussões e refletirmos as tensões que envolvem a territorialidade e como esse processo afeta a própria compreensão do indivíduo, do pertencimento e dos conflitos, os estudos aqui apresentados discutem o modo como a literatura, o cinema e as artes atravessam tais temáticas.

No artigo que abre a presente edição, “Do largo, dos homens e das suas lutas: com Manuel da Fonseca e José Cardoso Pires”, a autora Michele Dull Sampaio Beraldo Matter propõe uma análise de espaços de representação social em cidades de interior portuguesas, em especial o “largo”, em narrativas dos mencionados autores, fazendo uso de uma focalização cinematográfica desses espaços.

Em “Emergências poéticas contemporâneas no Brasil: políticas decoloniais e de pertencimento”, Felippe Nildo Oliveira de Lima promove uma interessante discussão a respeito das movimentações de inclusão política de vozes excluídas e silenciadas pela história colonial a partir da antologia poética da revista Cult, Poemas para ler antes das notícias (2019), organizada por Alberto Pucheu.

O artigo “Identidade, narração e espaço social: as trajetórias de Ciro e Neto, em Fim, de Fernanda Torres”, de Suéllen Rodrigues Ramos da Silva, Danielle Abrantes de Menezes Carvalho, Maria de Lourdes Pereira de Lima e Marta Célia Feitosa Bezerra investiga dois personagens do romance de Torres à luz de suas experiências e relações sociais, promovendo assim uma reflexão em relação à produção de sentido e ao conceito de identidade.

            Escrito por escrito por Thaís F. R. da Luz Teixeira e Paulo César Andrade da Silva, o artigo “O campo como território de pertencimento em O Hóspede Secreto de Miguel Sanches Neto” faz uma análise sobre o relato memorialístico da infância, a partir da narradora do conto.

Já o artigo “O quebra-cabeça da territorialidade: relações entre espaço e identidade no Romance Bariloche, de André Neuman”, por Rafael Eisinger Guimarães, nos remete ao papel que a ambientação tem no processo identitário de Demetrio Rota, o protagonista da obra; através da metáfora do quebra-cabeça.

Em “Os tijolos e as palavras: construções em gerúndio”, a autora Iara Machado Pinheiro tece relações entre o habitar e o escrever a partir do romance La cittá e la casa (1984) e de ensaios da autora Natalia Ginzburg, ressaltando aspectos temáticos recorrentes.

No texto “Território e alteridade em Cães heróis”, Thiago Berzoini e Enilce Albergaria exploram a escrita fragmentária do escritor mexicano Mário Bellatin, investigando os conceitos de alteridade e território na constituição de um protagonista que promove a visibilidade de indivíduos violentos da contemporaneidade.

            Em “Territórios das artes: a teoria literária nas fronteiras entre o pictórico e o verbal”, de Leandro Marinho Lares e Andréa Portolomeos, promove-se uma breve e interessante recuperação dos contatos e diálogos entre literatura e artes plásticas para assim lançar um olhar sobre o romance clariciano Água Viva, e em como a autora utiliza da estética pictórica abstrata na composição de sua obra.

O artigo “Viagem e formação do povo brasileiro em Um defeito de cor de Ana Maria Gonçalves”, escrito por Antoniele de Cássia Luciano, analisa como o conceito de viagem é ressignificado, a fim de entender os processos de formação do povo. A autora ressalta a importância como a obra Ana Maria Gonçalves inaugura a Literatura Negra no país.

No artigo “O discurso do poder patriarcal na representação do feminino no conto O cesto, de Mia Couto”, Clara Mayara de Almeira Vasconcelos e Rafael Francisco Braz analisam o referido conto através da observação das relações de poder que permeiam a representação do feminino, compreendendo a literatura como um espaço de luta e de denúncia social.

Finalizando, no terceiro e último número desse volume da Darandina Revisteletrônica, trazemos a público a resenha “A maternidade e a territorialidade: uma resenha da obra O melhor que podíamos fazer”, de Thaís Artoni Martins, na qual a autora nos apresenta uma análise da graphic novel vietnamita de Thi Biu, que explora a condição de refugiado do próprio autor e de sua família.

Por fim, temos nossas valiosas contribuições de textos de criação de Sâmela Almeida: “Ataraxia”, de Gelbart Sousa Silva: “Amor não fique brava”, “Fim de mês” e “O acumulador de lembranças”, de Wanessa Rodovalho Melo Oliveira: “Lisa e o coelho”, e três trabalhos de Priscilla Pellegrino de Oliveira: “Será que ele queria fazer parte da sociedade?”, Funk! Terceiro mundo!” e “No asfalto”.

 

 

 

Monique Ivelise Pires de Carvalho

Mayara Moratori Peixoto

Bernard Martoni Mansur Corrêa da Costa

 

Doutorandos do Programa de Pós-Graduação em Letras – Estudos Literários

    Darandina Revisteletrônica