UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora

ISSN 1983-8379

Apresentação

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Este número 25 da Revista Darandina convida a refletir e sentir as relações entre território e literatura, entre as literaturas e seus territórios, entre as textualidades territorializadas e aquelas aterrorizadas. Escrevo esta apresentação enquanto muitas vidas sofreram e sofrem despejos, invasões ilegais, ataques, vidas que sofrem no Planeta Favela a ausência de cuidados, água, conectividade, segurança alimentar, macro e micro violências ambientais e sociais. Escrever enquanto muitas e muitos estão em isolamento ou em graus de quarentena. Como a arte literária inscreve as relações entre vidas/subjetividades e as territorialidades? Como expressar os modos de suplementar terra/terror, contidos nos vastos territórios da vida?

“Eu não tenho minha aldeia/ Minha aldeia é minha casa espiritual/ Deixada pelos meus pais e avós/ A maior herança indígena” poetiza Eliane Potiguara. “Hoje, no mundo em que vivo/ Minha selva em pedra virou/ Não tenho a calma de outrora/ Minha rotina também já mudou” poetiza Márcia Wayna Kambeba.

Suely Rolnik já disse que os conceitos são como personagens numa cena. Em que cenas refletimos e somos afetadas e afetados pelos vários conceitos de território na vida e na vida textualizada nas diversas formas de entender as práticas literárias? Da aldeia à casinha, do mundo à rua? Do regional ao local? Da atlanticidade à diáspora? Da praia ao cárcere?

Como as escritoras e escritores tensionam as torções entre linguagens, subjetividades e as experiências de multiterritorialidade, extraterritorialidade e a-territorialidade? Quais migrâncias e exílios são narradas e poetizadas?

Vivemos entre o senti-pensar a queda do céu, querendo adiar o fim do mundo ou que acabe de uma vez para potenciar outros mundos possíveis. Como nunca estamos todxs ameaçadxs, se como dizia o narrador de Bernardo Carvalho “o Xingú é o que lhes restou”, o que restará dos Xingú (s) neste mundo/planeta? Nessas cenas de interpelação é que Darandina nos abre para um mergulho fresco nessas territorialidades, nas quais a vida e as artes literárias discutem e afirmam as formas históricas de pensar e imaginar modos de estar no mundo, passados, presentes e futuros.

 

Profa. Dra. Silvina Liliana Carrizo

Professora associada da Universidade Federal de Juiz de Fora, na Faculdade de Letras, na Licenciatura em Espanhol e suas Literaturas e na Pós-graduação em Letras: Estudos Literários.

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