UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora

O que é Estatística?

Você está em: A estatística > O que é Estatística?

A Estatística é um conjunto de técnicas e métodos que vai ajudar em todas as etapas de uma pesquisa: na amostragem, na organização dos dados, na geração de tabelas e análises comparativas, na interpretação dos resultados, de forma que todas as afirmações possam ser feitas dentro de um limite de segurança estabelecido.

A Estatística é atualmente a disciplina que fornece as ferramentas básicas para a tomada de uma decisão em praticamente todas as áreas que precisam analisar e modelar grandes quantidades de dados. O começo, contudo foi modesto. A Estatística teve sua origem nas técnicas para organizar e resumir dados, desenvolvidas na Antiguidade para efetuar recenseamentos. Ainda no fim do século XIX, a Estatística era definida como “A Ciência que ensina a conhecer um estado com relação à sua extensão, povoação, agricultura, administração, instrução, marinha, indústria, comércio, etc.”

Esta definição continua parcialmente verdadeira, uma vez que a análise do “Estado” continua sendo realizada por órgãos como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelos recenseamentos no Brasil. No entanto, ao se unir com a Teoria dos Erros e a Teoria das Probabilidades, na virada do século XX, a Estatística se constituiu num amplo conjunto de técnicas para coletar, analisar, modelar e interpretar dados e se tornou uma das ferramentas básicas para a pesquisa científica e tecnológica em quase todas as áreas, ampliando enormemente seu campo de atuação.

Para se ter uma ideia da expansão do uso da estatística na base das várias ciências atuais, basta verificar que, dos 29 cursos de graduação oferecidos hoje pela UFJF, apenas sete não incluem uma disciplina de Estatística na sua formação básica; todos os outros 22 cursos incluem uma ou mais disciplinas desta área em seus currículos.

 

A estatística no Brasil

No Brasil, as mudanças sociais e econômicas que ocorreram no último meio século, como a industrialização, o crescimento dos mercados, a expansão do ensino superior e da pesquisa, fizeram crescer continuamente a importância da Estatística e a demanda por profissionais da área. Cursos de graduação em Estatística começaram a ser estabelecidos nas décadas de 1970 ou 1980, em geral a partir do desmembramento dos departamentos de Matemática criados anteriormente. Esta origem teve consequências que ainda perduram: o currículo da maioria dos cursos brasileiros, modelando-se no dos cursos de Bacharelado em Matemática, tende a ser excessivamente voltado para a pesquisa e para a preparação para a pós-graduação, não prevendo a formação de estatísticos para atuação em áreas como a indústria, as agências governamentais, e as empresas de assessoria e de levantamento de opinião pública. Não são enfatizados, na formação dos estatísticos nestes cursos, aspectos como a habilidade de interlocução com pesquisadores de outras áreas, a capacidade empreendedora e a habilidade no uso de recursos computacionais.

As “Diretrizes Curriculares para Cursos de Estatística” (MEC/ SESu/ CEEMAE, 1999) reconhecem que “há um grande descompasso entre o que é ensinado e o que é demandado” e que, por consequência, “… a grande demanda por conhecimento estatístico na indústria, nos órgãos de governo, nas empresas de assessoria é hoje atendida por pessoas com pouca ou nenhuma formação estatística, com claros prejuízos para a sociedade, que se vê privada de melhor informação para a tomada de decisão.”

Esta situação só recentemente começou a ser mudada. Várias universidades têm repensado seus programas graduação em Estatística, e tentado adaptá-los às novas exigências da academia e do mercado. Vários estudos de reforma curricular estão sendo feitos e colocados em prática; seus resultados, porém só serão vistos a médio ou longo prazo.