Pesquisadores do Laboratório de Ecologia Aquática publicam mais dois artigos na “Nature”

Rio Amazonas Foto ultradownloads.com.br

Rio Amazonas: pesquisadores tentam compreender detalhes na emissão de carbono nos ecossistemas aquáticos amazônicos (Foto: ultradownloads.com.br)

Pesquisadores do Laboratório de Ecologia Aquática (LEA) e do Programa de Pós-Graduação em Ecologia (Pgecol) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) tiveram dois artigos publicados pela prestigiada revista “Nature”, um deles já na edição de dezembro último e outro, no prelo, que virá a público na edição deste mês. Ambos os estudos se dedicam a compreender detalhes na emissão de carbono (gás carbônio – CO2 e metano – CH4) nos ecossistemas aquáticos amazônicos.

Os artigos são frutos de cooperações internacionais entre o LEA e instituições francesas, suecas, canadenses e dos Estados Unidos. A pesquisa franco-brasileira, criada em 2008, teve o objetivo de se dedicar à compreensão do ciclo de carbono na floresta amazônica. Os estudos foram conduzidos no contexto do projeto Carbama, no qual integram a equipe os pesquisadores da UFJF, Fabio Roland e Luciana Vidal. Os estudos de reservatórios de hidroelétricas em diferentes países do mundo, especialmente os localizados no Brasil, incluindo os Amazônicos, teve início em 2003. Estes estudos compõem um rede científica incluindo pesquisadores internacionais e estudantes do LEA e estão sob a coordenação de Roland.

A função das áreas alagáveis na Amazônia

No artigo, já disponível on-line, e previsto para figurar neste mês, “Amazon River carbon dioxide outgassing fuelled by wetlands”, as pesquisas indicaram a função controladora das áreas alagáveis na regulação do carbono. O grupo de trabalho que compôs o estudo incluindo os pesquisadores da UFJF, teve por autor principal Gwenaël Abril, da Universidade de Bordeaux.

“A Amazônia não é o pulmão do mundo, ela se mantém em um fino equilíbrio dinâmico”, afirma Fabio Roland. Segundo ele, durante o dia há intensa absorção de CO2 por parte das plantas, realizando a fotossíntese e, em contrapartida, produzindo oxigênio. Mas à noite, ao ”respirar”, a imensa floresta devolve à atmosfera nova carga de gás carbônico, absorvendo, desta vez, oxigênio. No entanto, foi observado, que o processo depende de um elemento chave capaz de conectar a biosfera terrestre, a atmosfera e o oceano. Este elemento é o sistema de rios, que nas épocas de cheia, escoam a biomassa depositada nas suas áreas alagáveis, então “secas”, no período das vazantes.

“O estudo dos ciclos naturais de cheias e vazantes dos rios, revelaram a função das áreas alagáveis na dispersão do gás carbônico, e como as correntes fluviais concorrem para uma compreensão maior do equilíbrio do ciclo de carbono na Amazônia”, ressalta o pesquisador. Para empreender o estudo a equipe iniciou o recolhimento de dados em 2009 e percorreu oito vezes toda a extensão entre Manaus e Santarém, realizando coletas em diferentes momentos do nível hidrológico.

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Fábio Roland: “A Amazônia não é o pulmão do mundo, ela se mantém em um fino equilíbrio dinâmico” (Foto: UFJF/Arquivo)

Efeito das barragens no ciclo do carbono

O artigo intitulado “Emissions From Amazonian Dams” , publicado na edição de dezembro último, mostrou o efeito das barragens, a exemplo da polêmica usina de Belomonte, no equilíbrio do ciclo de carbono na Amazônia.

Observou-se que a criação de uma barragem afeta, em um período inicial, os níveis do rio, que periodicamente vivem suas cheias e vazantes. “A estabilização do nível pelas inundações recobre grande quantidade de biomassa e outros elementos, que se sedimentam e refreiam o ciclo de dispersão de CO2”, observa Roland. Com isso, ainda que o rio normalize sua vazão, adaptando-se a barragem, o material sedimentado continua a emitir gás carbônico, mantendo, no futuro, um nível de emissão mais acentuado do que aquele existente enquanto haviam áreas alagáveis capazes de dispersá-la. O estudo chama a atenção para a importância de pesquisas cuidadosas focando a emissão de gases de efeito estufa antes da construção dos reservatórios, principalmente para aqueles projetados para serem construídos na Amazônia.

Fizeram parte da equipe autora do artigo, o doutorando da UFJF, Rafael M. Almeida, e o doutor Nathan Barros; ambos graduados na UFJF. O grupo responsável pela pesquisa também foi coordenado por Fabio Roland.

Outras informações: (32) 2102-3227 (Pós-graduação em Ecologia-UFJF )

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