Laboratório de Ecologia Aquática participa de pesquisa na Amazônia com franceses

Luciana Vidal, do Laboratório de Ecologia Aquática diz que a UFJF é a única instituição de MG a integrar o projeto sobre "Mudanças climáticas e biodiversidade em lagos na Bacia Amazônica" (Foto: Tiago Gandra)

Cerca de 50 pesquisadores, entre franceses e brasileiros, atuarão no projeto “Mudanças climáticas e biodiversidade em lagos na Bacia Amazônica: como promover a sustentabilidade ecológica e econômica” (Clim-FABIAM, da sigla em francês). Com início em setembro e duração de três anos, o projeto será executado por uma rede científica coordenada pelo Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento Científico e receberá um financiamento de 3,2 milhões de euros, oriundos da Fundação para Pesquisa em Biodiversidade, ambas instituições do governo francês.

Única representante de Minas Gerais, a UFJF estará presente com o Laboratório de Ecologia Aquática do Instituto de Ciências Biológicas (ICB). A pesquisadora Luciana Vidal, integrante do laboratório e participante do projeto, conta que o convite foi resultado de uma parceria com os franceses que já dura há, pelo menos, três anos e resultou em dois projetos. O primeiro, sobre o fluxo de emissão de CO2 em biogeoquímica do carbono, também com financiamento do governo francês, e teve amostragem desde Manaus até Santarém, cobrindo toda a bacia de inundação. O outro projeto refere-se à captação biogeoquímica no encontro das águas dos rios Negro e Solimões.

Pesquisa tem por objetivo detectar os fatores variáveis, ambientais e humanos que interferem na comunidade biológica

Outras universidades de diversas regiões do país como, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e a Universidade Federal do Pará (UFPA), além do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast) também participarão do projeto. Dentre as instituições francesas estão o Centro Internacional de Pesquisa Agrícola para o Desenvolvimento (Cirad) e a Universidade de Paris VIII.

Segundo a professora, no acordo com o governo francês foi exigido que as melhores equipes brasileiras participassem do trabalho e não apenas os franceses. “Essa parceria é importantíssima pra gerar conhecimento para nós nesse nível de pesquisa. É o momento de fortalecer essa parceria para tomarmos o nosso espaço, mostrar o nosso conhecimento e ganharmos força com isso”.

Ela também comemora a interação com outras universidades e a possibilidade de criação de novos projetos em conjunto. “Essa interação é maravilhosa, nos dá orgulho. Ela abre portas, gera novos estudos, publica artigos. Não fica cada grupo isolado. Cada um usa as suas ferramentas para gerar um resultado comum. Cada pessoa tem a sua função específica, mas sempre pensando no todo. É um crescimento impressionante”, declara.

A pesquisa tem por objetivo detectar os fatores variáveis, ambientais e humanos que interferem na comunidade biológica para gerar modelos que irão direcionar grupos futuros. “Nós vamos poder dizer: se você mexer aqui, vai acontecer isso. Nós teremos uma noção. Por isso é importante a participação do Inpe, que tem domínio dessas técnicas de modelagem. Queremos não apenas descrever, mas prever. Queremos indicar o que pode acontecer”, afirma Luciana, que também é professora do programa de pós-graduação em Ecologia da UFJF e doutora em Ecologia.

Para ela, o tema a ser abordado na pesquisa é de fundamental importância por conta da diversidade biológica existente na Amazônia. “Essa pesquisa vai trazer um tema de grande importância atual e de interesse do governo brasileiro, que está esperando o resultado. Um dos resultados finais vai servir para fornecer informações a fim de tomar decisões. Não vamos simplesmente detectar quais são os organismos que estão ou não lá, vamos gerar modelos que podem ser aplicados e transformados em leis futuras sobre como agir na Amazônia.”

Questionada sobre como promover o desenvolvimento da Amazônia de uma maneira sustentável, Luciana afirma que, primeiro, é necessário saber em que nível a interferência humana acontece e ressalta a importância da pesquisa para a tomada de decisões futuras. “Ultimamente, a construção de barragens na Amazônia, por exemplo, está gerando muita discussão, porque você precisa de energia elétrica, mas, ao mesmo tempo, essa obra tem um impacto no ambiente. Mas não se sabe o quanto que isso é impactante e o quanto ele interfere no meio ambiente. Por isso, daqui há alguns anos, numa reunião como a Rio+20, o resultado de um trabalho dessa magnitude seriam fundamentais para uma discussão mais aplicada, sem tantas teorias ou suposições.”

Outras informações: (32) 2102-3206 (Laboratório de Ecologia Aquática)

Guylherme Morais – estudante de Comunicação Social
Os textos são editados por jornalistas da Secretaria de Comunicação