Investimentos criam novas perspectivas para Arquitetura e Urbanismo

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Galpão terá novas salas para núcleos de pesquisa e laboratórios

Novas perspectivas estão se desenhando no curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Investimento em infraestrutura, 78% do corpo docente efetivo com doutorado, estudos para mudança curricular, aumento de vagas na graduação, contratação de professores, início de Mestrado e grupo de ensino tutorial são ações que se intensificam e já são realidade no curso.

As obras que darão nova cara ao galpão que abriga atividades do curso terminarão até dezembro deste ano, conforme o Pró-reitor de Infraestrutura, Márcio Rezende. Os trabalhos do segundo piso estão previstos para terminar antes, no final deste mês. O espaço está passando por modificações e terá novo layout, a fim de trazer mais oportunidades para o desenvolvimento das atividades do curso, mantendo detalhes característicos de sua estrutura, como a escada curva de concreto aparente, parede vermelha e mosaico de árvore.

Entre as novidades do andar superior, que estava inacabado, o coordenador do curso, professor Julio Sampaio, lista: “Laboratório de informática, de conforto ambiental (para estudo de iluminação, acústica e térmica) e quatro salas para núcleos de pesquisa do curso.” No térreo, continua, “haverá um laboratório de maquete, outro de informática e um escritório técnico do curso da empresa júnior Porte” (ver quadro com todas as adaptações). Mantém-se a área de convivência, típica para a “escolha do rock da semana”, forrotron, choppadas e outras festas acadêmicas.

O curso terá, ainda, mais oportunidades de ensino. A Faculdade de Engenharia, da qual o Departamento de Arquitetura faz parte, ganhará um novo prédio, de aproximadamente 5.500 metros quadrados, com dois pavimentos, onde serão construídas salas de aula e ateliês para estudo de projetos. O prédio será construído entre o Instituto de Artes e Design (IAD) e a Faculdade de Engenharia. Conforme o Reitor Henrique Duque, o processo de licitação deve ocorrer até o final do ano, tendo o projeto já passado pelo crivo de professores da faculdade.

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Júlio Sampaio: "Reforma curricular atende às diretrizes nacionais"

Reforma curricular

Novas perspectivas de ensino surgem com a mudança pedagógica, que está sendo discutida no curso. De acordo com o coordenador Julio Sampaio, a reforma curricular atende às diretrizes nacionais da resolução 6/2006 – CNE/CES. Sampaio explica que o currículo atual já atende, em parte, o dispositivo, considerando que a última mudança realizada já havia avançado sobre o tema. A partir da reestruturação pedagógica, “algumas áreas de conhecimento serão ampliadas e outras reduzidas. Poderemos dar ênfase em determinados aspectos e criar disciplinas”, explica, sem revelar as alterações não finalizadas. O novo currículo está previsto para iniciar com os ingressantes em 2011.

A quantidade de alunos para esse ano é estimada em 70, seguindo a tendência de aumento de dez vagas ao ano até 2012. Para o Vestibular 2010, já foram criadas dez vagas, passando de 50 ingressantes para 60. Em 2009, cerca de 240 alunos freqüentam o curso, que registra uma das menores taxas de evasão. Conforme a Faculdade de Engenharia, neste ano, não foi registrado abandono ou troca de curso. Em 2008 e 2007, o índice ficou em 8% e 2% respectivamente. Esses percentuais são acompanhados pela alta taxa de concluintes do curso, alcançando 92% no ano passado.

Para manter o interesse desses alunos, o departamento terá o Grupo de Educação Tutorial (GET), em que professores atuam como tutores, reunindo-se para estudos. Além disso, o curso tem 11 estudantes monitores e desenvolve projetos de pesquisa e extensão, que envolvem acadêmicos. “Temos grupos de pesquisa bem consolidados. Cerca de 20% do nosso total de alunos está envolvido diretamente em pesquisa”, estima o chefe do Departamento de Arquitetura, Pedro de Novais. Paralelo a isso, a Faculdade de Engenharia criou o Mestrado em Ambiente Construído, interdisciplinar, que inclui linha de pesquisa voltada a projetos.

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Estudantes Matheus Werneck e Maurício Velasco contestam conceito obtido pelo curso em avaliação do MEC

Esse quadro tem a possibilidade de ampliar com as contratações de três professores efetivos. De acordo com Novais, serão realizados concursos para dois docentes, sendo que um dos processos ocorrerá ainda neste ano. E, em setembro, o curso ganhou novo professor, Klaus Chaves Alberto, para atuar na área de “Meios e Expressão”. Alberto junta-se a outros 22 professores, entre efetivos e temporários, do departamento. Dos concursados, conforme Julio Sampaio, 11 são doutores e três estão obtendo o título. O curso conta ainda com representantes de outras unidades da UFJF.

Avaliação MEC

Até o final do ano, a coordenação do curso receberá avaliadores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC), em razão do Conceito Preliminar de Curso (CPC) 2008 ter sido 2, na escala de 1 a 5. Com a visita poderá ser firmado um protocolo de compromisso e reconsiderado ou mantido o conceito preliminar. O Pró-reitor de Graduação, Eduardo Magrone, aguarda a visita dos avaliadores e o encaminhamento do processo com mudanças no projeto pedagógico do curso à Pró-reitoria para apoiar as ações da pasta.

O CPC integra a média das notas obtidas no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), que corresponde a 30% do CPC, o Indicador de Diferença entre o Desempenho Observado e Esperado (IDD) – 30% – e variáveis de insumo, completando com 40%. O Enade 2008 avaliou uma amostra de acadêmicos ingressantes e concluintes de um grupo de cursos. O IDD aponta o quanto o curso agrega de conhecimento ao aluno. Ele compara o desempenho dos estudantes que estão se formando com os do que ingressaram. Já as variáveis de insumo são cinco: percentuais de doutores, mestres e dos que trabalham em regime integral ou parcial, além de avaliações de alunos sobre infraestrutura e organização didático-pedagógica do curso, baseada nas respostas de questionário socieconômico do Enade.

Diferentemente da avaliação anterior (2005), em que a Arquitetura obteve conceito 5 no Enade, no último exame, o resultado foi 1. Parte dos alunos boicotaram a prova, apenas assinando-a, e, quanto a variáveis de insumo, avaliou com nota baixa a infraestrutura e a organização pedagógica. “A Arquitetura não é ruim para chegar a essa nota. É um meio termo, porque o boicote foi para chamar a atenção sobre as condições do curso”, explica a estudante Viviane Alves, do 10º período, que participou do ato. Entre os motivos que a levou a não fazer a prova foram a presença, de acordo com ela, de poucos professores efetivos no curso (são 15 em 22 do Departamento), ausência de sala para aulas dinâmicas, como de conforto ambiental, que está sendo construída, e a grade curricular não conter disciplinas eletivas, apenas obrigatórias. Este é um dos desafios do curso, conforme Julio Sampaio.

Estudantes contestam conceito preliminar obtido

“Não equivale ao nível do curso. Um pequeno grupo decidiu e prejudicou o conceito. Foi a pior forma”, afirma Ana Carla Carvalho, do 9º período, acompanhada da amiga Lina Stephan, 6º. “Há aspectos pontuais para melhorar, mas não me arrependo de ter escolhido o curso. Faço estágio em escritório de arquitetura, escolhi o curso daqui e gosto muito”, afirma Matheus Werneck, do 5º período. “As mudanças estão ocorrendo agora. O Enade veio em um momento de mudanças. O número de professores doutores é grande. As aulas de projeto dão uma visão global, interessante, com várias temáticas. Não falo que aqui é um curso ruim, de forma alguma”, defende o estudante do 5º período, Maurício Velasco.

Regulamentação da profissão

Foi aprovado, no dia 23 de setembro, pela Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara de Deputados, o projeto de lei nº 4.413/08, do Poder Executivo, que regulamenta o exercício de Arquitetura e Urbanismo, cria o Conselho da área (CAU) nacional, estaduais e o distrital, e da outras providências. A proposta foi encaminhada para as comissões de Finanças e de Constituição e Justiça. O projeto irá para o Senado e sanção do Presidente da República.

 

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Outras informações: (32) 2102-3403 (Arquitetura e Urbanismo)