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por aí – eXpErIêNcIa E dEtErMiNaÇãO

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Por Henrique Antônio Rocha*

            A mais ou menos dois anos atrás decidi vir para o exterior, comecei a pesquisa sobre qual país deveria escolher. Entre Inglaterra e Nova Zelândia, decidi pela segunda opção. Demorei seis meses para arrumar tudo, visto, passaporte, papelada, trabalho etc.
         No dia 27 de março de 2007, sai de Juiz de Fora e fui me aventurar. O inglês era muito mais ou menos, para não dizer incomunicável. Todos me avisaram das dificuldades que poderia passar mas, como já havia estudado quatro anos na UFJF e passado por vários perrengues, achei que seria moleza fazer um intercâmbio. Que nada, foi muito difícil, muito mesmo. Frio, trabalho, falta de inglês, diferença cultural foram os maiores obstáculos.

Sobre minha experiencia profissional:

         O primeiro emprego foi de housekeeper, tipo gorvenança em hotel.  Limpar não sei quantos quartos por dia, sendo rápido e ainda por cima com minha chefe falando um monte de coisa que eu não entendia nada. Passou um mës, caí fora e fui para a cozinha. Trabalhei de kitchenhand, limpando pratos, panelas e picando verduras.
         Me encantei com a cozinha, as pessoas eram mais alegres, comecei a apreciar aqueles pratos maravilhosos de dar água na boca. Mas o trabalho era pesado e, às vezes, dava vontade de chutar o balde. Depois de cinco meses na Nova Zelândia me arrisquei a pedir emprego em um restaurante. Com um pouco de dificuldade consegui, mas mantive o outro emprego de kitchenhan (lavando os pratos) no hotel.
         O restaurante é o lugar ideal para vocë aprender inglês e também um pouco de etiqueta. Isso porque a maioria das pessoas que trabalham no restaurante sabe falar inglês fluente e também já tem experiência em hospitalidade.
         Depois de algum tempo e um pouco mais de experiência e muito trabalho duro, consegui uma chance na cozinha para trabalhar de chefe de cozinha. Esse sim é um dos empregos mais cobiçados no exterior, pois a oferta de emprego é boa e eles pagam bem. Comecei fazendo o breakfast, fazia o café da manhã para mais ou menos 300 pessoas, nem me pergunte como, mas fazia. Depois de um ou dois meses passei a trabalhar à noite, onde os pratos bonitos são feitos, pois as pessoas gastam, em media, 60 dólares por pessoa para jantar.
         Depois de mais de um ano que fiquei na Nova Zelândia, posso dizer que o melhor de tudo, foi a experiência que adquiri, pois ganhava mais dinheiro no Brasil do que aqui. Mas aprender a falar inglês, saber como funciona a logística de um hotel, entender os processos, estar ciente que o hotel é uma espécie de indústria onde cada departamento, com seus membros(empregados), forma um sistema onde cada um tem sua função  e que nenhum pode ser mais importante do que o outro, mas sim o complemento do outro, foi muito importante. Isso, com certeza, vou carregar pelo resto da vida.
         Daí fica uma análise: quando nos formamos, ficamos reclamando que o mercado paga mal e que só tem emprego de recepção: “e como eu sou bacharel em turismo não quero ganhar só 500 reais”. Então queremos emprego de gerente de hotel ou gestor de eventos ou de circuito turístico e ganhar mais de 2000 mil reais.
         Mas, na verdade, o dono do hotel não está muito interessado em saber se você tem diploma ou não, mas sim se você entende do trabalho e consegue fazer bem, e posso afirmar que acabamos o curso de turismo sem ter condições de gerenciar um hotel.  Sendo assim, é importante entender que é preciso fazer vários estágios, trabalhar em departamentos ou áreas de hotel, os quais acreditamos que gostamos, isso durante o curso, para que depois que formamos possamos ter condições de gerenciar algo. Isso vale para qualquer area, não só hotel.
         Os cursos de turismo no exterior, funcionam da seguinte forma: é um ano de estudo e um ano de trabalho e depois o aluno volta para faculdade para fazer mais um ano de estudo. Outra coisa, não adianta ficar falando mal dos professores e do curso, tudo depende e de nós mesmos. Pois, por mais que tenhamos os melhores professores e o melhor curso, a prática é totalmente diferente da teoria.  
        É isto que tive vontade de dizer para vocês. Agora estou na Austrália. Passei numa prova de inglês difícil. Estou fazendo uma pós-graduação chamada Master of Commerce in Business no International College of Management, na capital Sidney. O curso é de dois anos e vou poder me especializar em marketing ou hospitalidade ou turismo ou esportes.

* Henrique Antônio Rocha é ex-aluno do Curso de Turismo e graduado no 2º semestre de 2005

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    Graduação em Turismo


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