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Entrevista com os Candidatos do Concurso para Professor do Depto de Turismo

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No último dia 17 de junho de 2008 foi concluído o Concurso para Professor Efetivo do Departamento de Turismo da UFJF, realizado em etapas: prova escrita, prova didática, análise de currículo e entrevista. O Giro conversou com os dois candidatos doutores aprovados, Emerson e Pedro e com a primeira colocada, professora Drª Vera Maria Guimarães.

O professor Emerson Sena da Silveira é de (e reside em) Juiz de Fora, formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Juiz de Fora e tem 35 anos. Já o  professor Pedro de Alcântara Bittencourt Cezar tem 42 anos, mora em São Paulo e é graduado em Arquitetura e Urbanismo. A professora aprovada, Vera Maria Guimarães, mora em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul e é formada em Ciências Sociais.

 

Giro: Fez mestrado onde e em quê?
Emerson: Ciências da Religião, na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
Pedro: Fiz mestrado em Turismo no Centro Universitário Ibero-Americano (UNIBERO), em São Paulo.
Vera: Fiz mestrado em Ciências Sociais, numa linha de sociologia política na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

 

Giro: Fez doutorado onde e em quê?

Emerson: Em Ciência da Religião, na UFJF, onde estou fazendo meu pós-doutorado na área de antropologia urbana.
Pedro: Meu doutorado é em Turismo também, pela Universidade de São Paulo (USP) e também fiz uma especialização em Planejamento e Marketing Turístico, no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC/SP), em Campos do Jordão (SP).
Vera: Fiz doutorado interdisciplinar em Ciências Humanas, também na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

 

Giro: Onde você trabalha atualmente?
Emerson: Estou trabalhando em algumas faculdades particulares de Juiz de Fora e Santos Dumont.
Pedro: Atualmente, eu trabalho em uma cidadezinha litorânea que se chama São Sebastião, em São Paulo.
Vera: Quando comecei o doutorado eu já dava aulas de sociologia em cursos de graduação de Turismo e, atualmente, leciono na Universidade Caxias do Sul (UCS), na graduação e no Mestrado em Turismo da instituição.

 

Giro: Quais trabalhos (artigos, publicações, projetos de extensão etc) você já desenvolveu ou vem desenvolvendo na área de Turismo?
Emerson: Desenvolvi muitas publicações. Ao lecionar em Santos Dumont, eu orientei vários trabalhos e projetos na área do Turismo. Também publiquei um livro, em 2007, chamado “Por uma Sociologia no Turismo”, no qual faço uma análise do turismo em termos amplos e abordo alguns temas polêmicos como o turismo sexual. Atualmente trabalho na área do turismo religioso.
Pedro: Eu tenho cerca de 50 publicações, todas na área de Turismo. Meu interesse começou com a especialização e minhas primeiras publicações foram sobre Turismo Rural. Publiquei algumas coisas sobre planejamento turístico, assunto com o qual trabalho até hoje. Agora trabalho com turismo cultural e patrimônio, principalmente o arquitetônico. Estou me dedicando a uma ONG chamada CICOP – Centro de Investigação e Conservação do Patrimônio – é uma ONG do tipo da Worldwide Fund for Nature (WWF) na área patrimonial, que já está presente em 12 países de língua latina e está vindo para o Brasil. Sou um dos fundadores e o vice-presidente desta instituição. Eu tenho alguns materiais interessantes, entre eles a autoria de um livro que é adotado por algumas faculdades de turismo da cidade e região chamado ‘Inventário Turístico’, publicado pela Editora Átomo e Alínea. Um outro material, que está à disposição no site do Ministério do Turismo, são 4 livros de um projeto chamado “Caminhos do Futuro”, que é um programa de educação no turismo, principalmente para alunos de 5ª a 8ª séries do 1º grau. Tenho também uma comunidade no Orkut intitulada “Planejamento Turístico”.
Vera: Elaborei um projeto com o tema “Turismo e Modernidade”, que consiste em uma pesquisa teórica sobre o turismo como elemento da modernidade. Para isso fiz um trabalho de campo sobre a questão da figura do turista como um componente do turismo moderno. Trabalhei na praia de Barra da Lagoa, em Florianópolis, tendo como foco o turista e suas questões subjetivas do fazer turístico.

 

Giro: O que fez você optar pelo concurso da UFJF?
Emerson: Identificação com a faculdade, além de toda uma trajetória acadêmica, pessoal e profissional que tenho construído. 
Pedro: Principalmente em função da seriedade da instituição. Acho Juiz de Fora uma cidade muito estratégica, próxima do Rio de Janeiro e com a Estrada Real passando dentro da cidade.
Vera: Fiquei sabendo do concurso pelo pessoal que trabalha comigo na Universidade Caxias do Sul. Achei que seria válido buscar essa oportunidade para continuar desenvolvendo estudos na área de Turismo, que é minha motivação principal, dando desdobramento ao que eu estudei no doutorado.

 

Giro: Você conhece o site do Curso de Turismo da UFJF? O que achou? Se não, como obteve informações sobre o Curso de Turismo da UFJF?
Emerson: Conheci o site quando fui fazer o concurso. Gostei muito, mas senti dificuldade na navegabilidade. 
Pedro: O Site do curso de Turismo foi uma das coisas que mais me deixou interessado pelo curso, eu fiquei apaixonado pela organização, conteúdo e a distribuição, que me fizeram querer trabalhar aqui. Acho que tenho muito a somar nesse processo.
Vera: Não quis acessar antes, propositalmente para não me sentir com muitas expectativas em relação à Universidade, mas logo estarei acessando.

 

Giro: O que você espera desenvolver no Curso de Turismo da UFJF se for aprovado?
Emerson: O ‘se’ é muito subjetivo, passageiro e fugaz, uma hora se está perto outra hora se está longe (risos). Estamos entrando num processo de avaliação, tenho vários projetos pessoais, mas espero trabalhar na linha do concurso, que é pensar o turismo de uma forma ampla e integrando-o à comunidades, mercado e estado. Desejo superar um pouco essa fragmentação do planejamento que é tão comum e marcante.
Pedro: A primeira coisa que a gente faz quando chega em uma casa nova, é ter muito respeito em saber o que as pessoas estão desenvolvendo, o primeiro caminho é conhecer toda a dinâmica existente. Eu, particularmente, tenho muito interesse em desenvolver trabalhos nessa área de patrimônio e planejamento. A área de projetos turísticos é outro grande sonho que eu tenho ao aproximar de uma instituição pública, porque percebo que nessa área não temos uma referência teórica criada no Brasil. A sensação que eu tenho hoje é que a certificação ambiental na área de hospitalidade está pronta e não têm pessoas para sua aplicação. Não sei se vocês desenvolvem algum projeto na Estrada Real, mas é uma área que eu gostaria de me envolver. Hoje meu maior projeto é colaborar com a Universidade Federal de Juiz de Fora.
Vera: Quero tentar trabalhar como tenho trabalhado na outra universidade, tentando buscar muitos temas que eu não dominava completamente. Eu tenho uma leitura sobre planejamento que não é o foco da disciplina, mas eu tenho de ir atrás para atender a demanda, isso faz parte do meu trabalho. Eu sei que tenho a possibilidade de articular coisas e aprender, pois faz parte.

 

 

O Giro também conversou com a professora aprovada Drª Vera Maria Guimarães, após o concurso. Veja mais detalhes desta conversa.

 

Giro: Você foi a primeira colocada no concurso. Fale um pouco sobre sua vitória.
Vera: Eu tinha algumas duvidas, pois vi que estava competindo com pessoas muito qualificadas. Foi um concurso muito equilibrado, eu sabia que tinha uma desvantagem em relação ao currículo, isso me deixava com muito receio. Mas há muitas variáveis em concurso, nunca temos domínio de todo o conteúdo que cai na prova, mas temos facilidade em algumas coisas, isto faz parte.

 

Giro: Você foi feliz nos pontos da escrita e da didática?
Vera: Eu preferia outros pontos, em ambas as provas, mas também estava afiada para trabalhar e mostrar o que eu sei em qualquer ponto que caísse, já vim pronta para dar conta do que pudesse ou não cair. Já que tinha visto que minha pontuação de titulação não era tão boa, último lugar, mas tinha ido melhor que esperava na prova escrita, eu também fiquei surpresa com esta nota, e quando vi, então, o resultado da prova didática vi que tinha chances, mas não imaginava que estava tão bem. Isso eu atribuo a minha longa experiência de sala de aula, que talvez os outros candidatos não tenham. Eu sempre trabalhei em instituições privadas, com disciplinas muito diferentes, o que me deu a possibilidade de ter essa flexibilidade de poder estar aqui trabalhando com planejamento. Tudo isso me ajudou a preparar uma aula didática, com o conteúdo necessário.

 

Giro: E você está animada a sair da região sul e vir para a região sudeste?
Vera: É tudo muito rápido, mas eu já sabia que os prazos eram curtos. Eu já estava acompanhando os concursos por sites de Universidades, porque meu principal objetivo é trabalhar em uma instituição pública. Eu tinha em mente que eu era capaz, mas que se eu passasse seria tudo muito rápido.

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