UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora

por aí – Experiência de vida no Japão

Você está em: Memória > Revista Giro > Edições Anteriores ''Informativo Giro'' > Giro 12 – Dezembro 2007 > por aí - Experiência de vida no Japão

Por Gustavo Dore

 

Gustavo Dore é estudante de Comunicação na Universidade Federal de Juiz de Fora. Ele passou um ano no Japão e falou para o Giro sobre as potencialidades turísticas do país.

 

De olho no Japão: Vamos para Kioto comprar um Omiage?

 

O turismo é um dos maiores setores do Japão. Os lugares principais são: o Monte Fuji, pela importância cultural da montanha; Kioto, por ter sido a capital do Japão durante o período Edo, a época dos samurais; Okinawa, por suas belas praias e seu clima tropical; e Hokkaido, principalmente durante o inverno devido às estações de esqui e famosa culinária.

 

O ponto turístico mais comum fora do Japão é o Hawaii. Os japoneses comentam que nem precisam saber outra língua de tantos japoneses que tem por lá. Os Estados Unidos e o Canadá também costumam ser também muito visitados pelos japoneses devido à proximidade, a possibilidade de estudo da língua inglesa e às boas relações diplomáticas entre os países. Entre os jovens, visitar outro país é algo bem comum. O Japão é uma pequena ilha que tem muitos países com culturas distintas bem perto. Morando no Japão é fácil, por exemplo, conhecer a Indonésia, as Filipinas, Bali, etc. Os japoneses têm muito interesse por outras culturas e são muito incentivados pela televisão que apresenta muitos programas que comparam a cultura japonesa à de outros países.

 

As companhias de turismo geralmente se posicionam em lojas de departamento, shopping centers e, principalmente, perto ou dentro das estações de trem. Geralmente são lojas bem pequenas, mas que apresentam filiais espalhadas por muitos lugares.

 

A grande malha ferroviária e a expansão dos transportes é um dos grandes facilitadores do turismo no Japão. Além de trens, ônibus e aviões, o Japão ainda tem o Trem Bala, que faz 700 km em cerca de 3 horas. Chega-se a todos os pontos turísticos por trem, apenas trocando de estação. Isso facilita muito o planejamento das viagens e o deslocamento, pelo fato de que existem muitas estações espalhadas pelas cidades. Devido ao pouco tempo livre de que dispõe o japonês, a maioria das viagens dura no máximo uma semana e para isso o trem bala é um dos responsáveis por uma fatia grande do turismo japonês.

 

A Internet e o sistema de celulares são também muito importantes para o turismo na terra da tecnologia. A maioria dos japoneses acessa o site da empresa de transportes direto do seu celular, de qualquer lugar, e se programa. Além disso, com o novo sistema de GPS de celular implantado no Japão este ano, a pessoa consegue ver os pontos turísticos, restaurantes, cinemas e tudo de interessante que exista perto dela. Com isso, eles desenvolvem um novo sistema de merchandising e ainda facilitam a vida de todos, principalmente à do turista que deixa de ter dificuldades para encontrar o hotel ou mesmo o restaurante que gostaria de visitar.

 

Outro ponto impressionante são as revistas sobre os pontos turísticos. Além de muito bem diagramadas, elas apresentavam fotos lindas e em várias estações do ano com matérias completas sobre gastronomia da região, mapas de pontos turísticos, rotas de trem e de ônibus, entrevistas com outros turistas que passaram por lá e várias sugestões de rotas para se conhecer o lugar. Essas revistas eram facilmente encontradas em bancas pelo país.

 

A religião é também um grande foco de exploração do turismo. O povo japonês é conhecido por não ser um povo muito religioso e por isso mesmo os lugares que têm como atração templos e budas, aproveitam o gancho para salientar uma busca pelo espiritualismo nessas viagens. Os japoneses gostam da idéia e a visita à imagem de Buda em Nara ou dos templos de Kioto são programas muito comuns. Kioto ainda apela para a busca de um sentimento de Japão verdadeiro, que teria sido perdido com a introdução da tecnologia e da produção em massa.

 

No Japão muita gente me disse que todos os lugares podem ser visitados quatro vezes, uma em cada estação. Ao contrário do Brasil, no qual as estações não variam muito o clima, por lá, cada estação apresentava características bem marcantes. Era interessante ver como que o mesmo local fazia propagandas diferenciadas de acordo com a época do ano e oferecia também diferentes serviços como comidas diferenciadas e festivais específicos.

Algumas curiosidades sobre o turismo no Japão:

 

Todos os lugares apresentam sua comida principal. Em Sapporo, cidade que fica em Hokkaido, existe um famoso Lamen (espécie de macarrão muito consumida no Brasil com o nome popular de “miojo”). Em Hiroshima, o prato mais famoso é o Okonomiyaki. (um prato de vegetais, farinha, carne que geralmente é associado a uma omelete pela sua aparência). Experimentar a comida especial dos lugares se torna um dos motivos da viagem.

 

Apesar do Trem-Bala ser um transporte importante no Japão, é mais barato viajar de avião. Porém o embarque no Trem-Bala é feito em algumas estações de trem comum, sendo muito mais prático por não apresentar necessidade de check-in com antecedência ou outras formalidades que o avião necessita. Chega a viajar a 320 km/h, sendo que o Trem-Bala de 360km/h foi recusado por apresentar problemas de muito barulho à população que vive próximo às linhas de trem.

 

Todo japonês deve trazer de volta uma lembrancinha para as pessoas próximas. A compra de souvenires é considerada uma das partes mais importantes de toda a viagem. Todo lugar tem souvenires específicos com o nome do local ou mesmo com a logomarca da cidade. Todos os municípios apresentam seu próprio mascote, que é devidamente explorado como souvenir em chaveiros, penduricalhos de celular, e até mesmo em caixas de biscoitos. O japonês típico se sente na obrigação de levar de volta souvenires para pessoas com quem convive. As pessoas do trabalho, a família, e os amigos próximos sempre recebem alguma coisa. Pensando nisso, uma grande indústria de souvenires foi gerada, sendo talvez o maior consumidor de pequenos presentes no mundo. Pensando nisso, não só os japoneses, mas também os lugares aonde eles costumam visitar começaram a fazer souvenires específicos para o turista japonês. Na Austrália começaram a ser vendidos cangurus de chocolate, em caixas firmes para o transporte no avião e com pacotes com seis ou doze cangurus cada um, satisfazendo a necessidade deles de levar algo para casa.

 

Compartilhe:

    Graduação em Turismo


    Acessos desde 22/04/2015: