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por aí – Ora, pois, Portugal

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Por Antônio Bakúnin

Por conta da minha agência de publicidade, fui convidado para realizar um trabalho em Portugal. E dei uma grande sorte: o convite contemplava uma ida ao Rock In Rio Lisboa, evento realizado pela empresa brasileira Dream Factory, de Roberto Medina, em terras lusitanas, que estava para ser realizado naquele período.

Não vou negar: nada como uma oportunidade dessas para ganhar uns trocados a mais, matar a curiosidade que eu sempre tive sobre esse país tão encantador e, ainda por cima, conseguir mais informações para minha monografia, que vai falar exatamente sobre o Rock In Rio.

Portugal é realmente fascinante. Ainda mais em circunstâncias como as da minha viagem… Tive a oportunidade de andar por quase todo o país no carro que alugamos para o período da viagem, de trem e de ônibus. E nessa história de idas e vindas pelo país, já temos a primeira grande imagem que fica do passeio: as estradas de Portugal são excelentes. Dá para cruzar o país em poucas horas de carro (Portugal é um pais pequeno, com pouco mais que o dobro do tamanho do Estado do Rio de Janeiro e uma população menor que a da cidade de São Paulo), com bastante segurança, por estradas muito bem sinalizadas. É fácil perceber como as estradas bem cuidadas são um forte apelo para o turismo.

Tive a oportunidade de conhecer cidades incríveis, organizadas, limpas, bem preservadas. E mesmo em lugares bem agitados e com grande fluxo de turistas, a segurança sempre foi primorosa.

Foram muitos lugares maravilhosos, mas, como destaque, posso citar Viana do Castelo, na região do Minho, com a majestosa igreja de Santa Luzia; a vila de Óbidos, incrivelmente linda com seu castelo de origem romana; Ponte de Lima e sua paisagem deslumbrante; Guimarães, de Don Afonso Henriques, onde Portugal começou; Barcelos, a cidade do galo-símbolo de Portugal; Fátima e toda sua religiosidade (mercantil); a cidade do Porto, espetacular ; Cintra e o inigualável Castelo dos Mouros; o charme e as praias de CaisCais; Valença do Minho e sua muralha; Ferreiros do Dão e sua ponte romana; e Lisboa. Ah, Lisboa é um capítulo a parte! A Torre de Belém, o Castelo de São Jorge, a cidade alta, a área da Expo, o Oceanário (incrível!!!), o bairro de Benfica, o Monumento aos Descobridores Navegantes…

A gastronomia foi um show a parte, pois come-se muito bem em Portugal. Aproveitei as dicas do meu amigo Édson de Souza, renomado chef aqui de nossa Juiz de Fora, e provei vários pratos tradicionais da culinária portuguesa (e – pelo amor de Deus, que delícia! – alguns desses pratos, repetidas vezes!!!). Bacalhau de todo tipo de preparo, assado, cozido, desfiado, em suculentas postas, em travessas sem tamanho, regado ao mais saboroso azeite, em todas as regiões visitadas do país. É realmente o prato português. Mas há outras delícias: um frango com tempero especial e delicado, servido no famoso restaurante Casa dos Frangos, de Póvoa de Varzin, e o leitão que derrete na boa, servido no também famosos restaurante Pedro dos Leitões, em Mealhada, são imperdíveis. Teve Belém, com os seus incríveis pastéis e outros doces maravilhosos a base de ovos; Porto, com o sanduíche “Francezinha”; deliciosas sardinhas assadas na brasa, de Vila Nova de Cerveira… uma lista interminável, que justifica plenamente o “excesso de peso” na região da cintura, acusado na volta ao Brasil. E tudo sempre acompanhado por excelentes vinhos. Bebi vinho todos os dias da viagem, um saboroso e saudável hábito que pretendo manter por aqui. A gastronomia é um dos pilares do turismo em Portugal (talvez, em toda Europa, o país onde se come melhor!).

O Rock In Rio foi um grande sucesso. Prova que o povo brasileiro consegue fazer coisas incríveis quando tem oportunidade. E eu, que trabalho com marketing, não poderia ter um exemplo melhor de como os grandes eventos contribuem para o desenvolvimento do turismo. Lisboa lotou durante o evento, com hotéis, pousadas e albergues totalmente tomados por europeus de todos os lugares. E, apesar da origem e do controle brasileiro, o RIR ficou com a cara e com o jeito da população local.

Uma outra grata surpresa, no meu ponto de vista, foi o nível de cultura e educação da população. Provavelmente fui cheio de preconceitos, com um “padrão” assimilado através das engraçadas “piadas de português”. Mas errei redondamente! Trata-se de um povo culto, que respeita e tem orgulho de suas tradições, um povo que, apesar de toda a nossa histórica bagunça, adora o Brasil, tem um grande carinho por nosso país. O censo comum diz que ao entrar para a Comunidade Comum Européia, Portugal abriu sua cabeça, evoluiu. E isso é visível. Portugal vive um novo momento, com desenvolvimento e investimentos, principalmente em tecnologia e grandes construções. E isso reflete diretamente no turismo.

O grande “boom” de visitantes ocorre na época do verão europeu, quando as diversas praias portuguesas são invadidas por alemães, ingleses e até mesmo por franceses, alem de outros cidadãos do leste europeu. Eu cheguei em Portugal em meados de maio, final da primavera, quase no começo do verão, e pude ver o começo desse fenômeno – que reflete diretamente no preço das coisas. Tudo sobe de preço na medida em que chegam os grandes grupos de turistas. Há muitos pontos de atendimento aos turistas, em todas as cidades, em vários locais de fácil acesso. Todos com muitos materiais disponíveis, e com pessoal preparados, sempre dispostos a ajudar. Atender bem faz parte do processo. E nesse aspecto é legal observar como as cidades conseguem fazer uma divulgação bem antecipada de seus eventos. Tudo feito realmente com muita antecedência, de forma extremamente profissional, com materiais de muita qualidade e bom gosto. E nunca vi um uso tão correto do mobiliário urbano em prol da divulgação turística.

No meio dessa minha viagem à Portugal, dei uma escapada e conheci Madri e outras cidades da Espanha. Mas essa história fica para outro texto. Viajar é, sem dúvida, uma das melhores atividades que podemos fazer, absorvendo um pouco da cultura de outros povos. É algo realmente incrível.

Passei 23 dias maravilhosos, conhecendo a fundo esse país incrivelmente belo e fraterno. E se vale a dica, aí vai: se você tiver uma oportunidade, conheça Portugal. Vale cada minuto que você passar por lá.

 

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    Graduação em Turismo


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