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por ai – Por Juliana Campos

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Sou aluna do curso de Turismo, do 7º período, na UFJF e desde quando entrei no curso, me apaixonei e comecei a investir na minha carreira. O mercado não é fácil, as oportunidades são poucas e a concorrência é muita. Em um determinado momento percebi a enorme necessidade de abrir meus horizontes. Precisava melhorar meu inglês, não apenas em gramáticas e livros, mas ter o inglês como uma segunda língua, fluente.

Após um ano de estágio em uma agência de intercâmbio, tendo contato direto com pessoas que saíam do Brasil à estudo e à trabalho, comecei a perceber que uma experiência como esta poderia incrementar meu currículo e, acima de tudo, aumentar meus conhecimentos. Em 2005 resolvi investir na experiência de um programa de trabalho para os Estados Unidos.

Inscrevendo-me no programa fiz uma entrevista perante a empresa “Sea World”, localizada em Orlando. Fiz a opção para participar desta seleção, pois iria trabalhar em um parque temático de um dos maiores destinos turísticos do mundo: Orlando. A entrevista foi em Inglês, e consegui passar, pois já tinha um nível legal na língua.

Em dezembro de 2005 embarquei e após alguns dias já estava trabalhando. Tive treinamento e visita técnica no parque antes do primeiro dia de trabalho. A empresa se mostrou muito receptiva. Tive certa dificuldade nas primeiras semanas, mas o inglês foi logo se desenvolvendo.

Eu trabalhava como operadora de caixa em uma loja de souvenir. Foi ótimo. Tive um cargo de responsabilidade e pude melhorar bem meu inglês, a partir do contato com clientes do mundo todo. Tive oportunidade de fazer hora extra trabalhando em várias outras funções no parque como, por exemplo, tirando foto de turistas que, foi muito divertido.

Orlando é um forte destino turístico. Conheci pessoas de vários lugares do mundo que estavam ali simplesmente por diversão, férias, turismo de lazer. E diferente de Nova York, por exemplo, onde a grande diversidade de povos existe por motivos de trabalho e negócios, na grande maioria dos casos. Em Orlando são os turistas, de várias partes do mundo. Os parques temáticos encantam tanto as crianças quanto os adultos. Conheci casais que estavam lá em Lua de Mel.

Tanto os parques como a infra-estrutura turística da cidade estão aptos a receber todos os tipos de público. Nos ônibus da cidade e nas atrações existem infra-estrutura para portadores de necessidades especiais e pais com crianças pequenas. Existem linhas de ônibus que são preferencialmente para atender turistas, que passam pelos principais atrativos da cidade. O preço é acessível e atende também a população local. Os parques possuem um programa de contratação de funcionários idosos e portadores de deficiência, incluindo a população na atividade. Além deste programa, a empresa, como outros parques locais, contrata intercambistas o ano todo, de várias partes do mundo para trabalhar na organização.

O turismo em Orlando está sempre em alta e a cidade possui condições perfeitas de receber os turistas, até mesmo em suas épocas mais movimentadas. A rede hoteleira acompanha o desenvolvimento do turismo. Vários eventos também vêm acontecendo no moderno centro de convenções da cidade, agregando mais valor ao turismo local. O custo de vida é baixo e os salários, em geral, variam de 7 a 9 dólares por hora. Existem restaurantes de todos os tipos espalhados pela cidade, inclusive brasileiros, e os preços variam muito.

Foi uma experiência inexplicável ter tido a oportunidade de trabalhar neste tão importante pólo turístico, durante 3 meses. Consegui uma reserva de dinheiro que eu precisava para fazer uma segunda etapa da minha viagem. Fui passar 2 meses no Hawaii, mais especificadamente em Kauai. Conheci uma realidade bem diferente. Saí de uma cidade grande e movimentada e fui parar numa ilha no meio do pacífico, com 60 mil habitantes.

A ilha de Kauai mostra o Hawaii como nos filmes: poucos habitantes, sem grandes construções e surf o dia inteiro. Diferente de outras ilhas do arquipélago, que já possuem características de grandes cidades.

O turismo presente é totalmente elitista com grande quantidade de resorts e restaurantes caros. No Kauai, principalmente, é muito difícil viver sem carro. A infra-estrutura de transporte coletivo não atende 100% aos turistas e nem aos moradores locais. Os ônibus funcionam até às 5 horas da tarde e não funcionam aos domingos. O que salva os aventureiros, como eu, que resolvem visitar o local, são as caronas.

O custo de vida é alto, mas para os que trabalham lá, é possível pagar o aluguel e até fazer uma boa reserva de dinheiro. Os salários são bons, 9 e 10 dólares por hora em média. Para aqueles que querem se aventurar, existem campings. Para acampar é necessário pegar uma autorização que deve ser renovada a cada 15 dias. A infra-estrutura nos campings é boa, com banheiros, chuveiros, área gramada e churrasqueira. Só não tem luz e nem ônibus próximo. Alguns aventureiros compram seus carros, que podem custar apenas mil dólares e moram ali dentro mesmo.

As belezas naturais das Ilhas são compensadoras. No Kauai existe inúmeras cachoeira, trilhas, grutas e canyons. Os turistas podem também fazer passeios de helicópteros, a lugares inalcançáveis. Existem também agências de esportes radicais e escolinhas de surf. Em outras ilhas, como em Maui, por exemplo, alem de tudo isso, o turista ainda pode fazer visita à vulcões, numa parte alta e fria.

A cultura hawaiana é impressionante, eles mantêm sempre seus costumes antigos, o que encanta muito aos turistas. O Hawaii se mantêm pela atividade turística, que é forte o ano todo, recebendo tanto americanos como orientais, por estar localizada consideravelmente perto da Ásia. Além dos próprios hawaiianos, as ilhas abrigam também um grande número de filipinos e californianos, que buscam uma vida mais tranqüila, em meio à natureza. E brasileiros? Sempre têm!

Foi realmente uma experiência incrível. Conquistei tudo que buscava: o inglês, a experiência de trabalho em um grande empreendimento turístico, de escala mundial, e o Hawaii.

E uma experiência que indico para, principalmente, estudantes de Turismo. Eu voltei com uma visão ampla da atividade e com vontade de trabalhar sempre, para implantar, aonde quer que eu esteja, os pontos positivos que observei na atividade das localidades turísticas que visitei.

foto tirada em "sea World" Orlando

foto tirada em

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    Graduação em Turismo


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