UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora

Os fins do cinema

Data: 3 de junho de 2013

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Os fins do cinema

Cicero Inacio da Silva*

 Em 2009 participei de um evento sobre o futuro do cinema na Cinemateca Brasileira em São Paulo e lembro de assistir a uma palestra de um proprietário de uma rede de salas no Brasil. Em dado momento, fui pego de surpresa quando ele afirmou enfaticamente que essa história de Hollywood enviar filmes apertando um botão lá de Los Angeles era coisa de ficção científica. Como eu havia recém participado de um evento em San Diego chamado Cinegrid, no qual presenciei a primeira demonstração de uma videoconferência em ultra definição conectando uma sala de cinema em San Diego com uma no Japão, a afirmação do palestrante causou certo estranhamento. O Cinegrid é uma associação fundada em 2005 cujos objetivos são transmitir conteúdos audiovisuais de ultra definição através de redes fotônicas de alta velocidade, conectando salas de cinema e centros culturais ao redor do globo. Meu estranhamento tinha a ver com o fato de que os produtores e distribuidores de cinema brasileiros estavam alheios às circunstâncias tecnológicas que, de certa maneira, poderiam favorecer a produção e distribuição do próprio conteúdo audiovisual realizado no Brasil. Actualmente todos sabemos que o cinema passa por uma verdadeira revolução. A digitalização das salas de cinema já é realidade na França, Alemanha e Estados Unidos. Calcula-se que em 2014 todas as salas de grandes redes de cinema estarão completamente digitalizadas. Na França já são 90% das salas. Um outro fato que deverá acontecer de maneira mais rápida ainda será a natural conexão desses espaços com redes de alta velocidade, permitindo o envio e a recepção de conteúdos. Além disso, lentamente começam a surgir novos usos das salas de cinema, como vimos recentemente com as transmissões de óperas através de sinal de satélite. Essas outras utilizações que começam a ser testadas têm atraído a atenção de pesquisadores tanto do audiovisual quanto da transmissão de dados e indicam que em breve começaremos a ver surgir salas de cinema que vão exibir cursos com renomados pesquisadores que ministrarão aulas em tempo real, com altíssima definição de som e imagem, e com a possibilidade de haver uma conferência entre várias localidades remotas com a definição e o tamanho de uma tela de cinema. Além disso, já estão em teste transmissões de procedimentos cirúrgicos para salas de cinema, que muito provavelmente começarão a ser chamadas de espaços multiuso, ou algum outro nome que represente o que esses novos espaços conectados virão a significar para o ensino e a aprendizagem. O importante é que inúmeras e renomadas universidades japonesas, inglesas e americanas já descobriram que é possível realizar aulas globais, com professores e audiência em diferentes países. Posso afirmar que a experiência é única e nos faz perceber que a humanidade está ficando muito mais próxima do que imaginamos, e tudo isso graças às conexões de alta velocidade, também conhecida como Internet 3, que serão triviais em 10 anos.

* Coordenador do grupo de estudos do software no Brasil.

Artigo publicado na Revista A3, número 4, de divulgação científica da UFJF. 

Laboratório de Software Studies (Estudos Culturais do Software) (SWS)