Por dentro do Enem: dicas valiosas para se dar bem na redação

A praticamente uma semana da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), na quarta reportagem da série sobre o tema, a redação será destaque. Para melhor orientar os participantes, o Ministério da Educação (MEC) lançou um guia explicando os critérios de avaliação e a metodologia usada para obtenção da nota.

Os candidatos serão avaliados em cinco itens: domínio da norma padrão da língua; compreensão do tema proposto, através da articulação de várias áreas do conhecimento para desenvolvê-lo; capacidade de selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista; capacidade de demonstrar conhecimentos dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação; e apresentação de proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

Cada item pode receber uma nota que vai de 0 a 200 pontos. No total a redação vale até 1.000 pontos. Entenda melhor o sistema de avaliação aqui.

Assim como nas matérias anteriores da série “Por dentro do Enem”, contamos com a assessoria dos professores do Colégio de Aplicação João XXIII e do Curso Pré-Vestibular Comunitário da UFJF para orientar os estudantes que serão submetidos ao exame. Desta vez, quem dá as dicas é a professora Begma Tavares Barbosa do João XXIII.

Texto dissertativo-argumentativo

A primeira dica é ter uma ideia clara do que é um texto dissertativo-argumentativo e como ele se organiza. “Uma boa argumentação deve, inicialmente, indicar a questão-problema a que vai responder, além de apresentar a defesa de um ponto de vista, com argumentos que sustentem esse posicionamento, e uma conclusão que indique soluções”, indica Begma.

A questão-problema a ser apresentada logo no início da redação pelo candidato funciona como um norte a ser seguido no decorrer da argumentação. Seria um exemplo de questão-problema: “o sistema de cotas é uma boa política de inclusão?”. Tendo essa pergunta em mente, e não necessariamente em forma de pergunta no texto, o estudante poderá demonstrar seu ponto de vista e, ao, final concluir a redação com base nos argumentos apresentados.

Para aprender a se posicionar de forma clara na redação, o conselho da professora é: “aproveite os próximos dias para ler textos argumentativos e acompanhar o debate social contemporâneo”. O guia de redação do Enem traz exemplos de textos que receberam notas máximas nos exames anteriores, além disso, na internet, facilmente encontram-se exemplos de outras tantas boas composições.

Tema

Estar informado e saber argumentar são pontos essenciais para se dar bem na redação (Foto: Aline Carvalho)

O tema é impossível de se adivinhar e, por essa razão, estar informado é essencial. Discutir assuntos da atualidade com os amigos é uma dica simples que pode render boas ideias para a hora da prova e deixar o candidato mais afiado.

A caráter de exemplo, elencamos com a professora alguns dos temas de prova aplicados por ela em sala: “Espaço urbano no Brasil: desafios colocados à organização das cidades”;

“Políticas de ação afirmativa no Brasil; “Regulação dos meios de comunicação social”; “Cidadania e vida coletiva”; “Saúde pública” e “PIB e desigualdade”.

Anulação

Outro ponto importante é o que diz respeito à anulação da prova. Entre uma das principais causas deste triste resultado está a fuga ao tema.

Para escapar desta armadilha Begma aconselha: “leia com muita atenção a proposta de redação, distinguindo tópicos centrais de secundários”. Ela também destaca ser interessante construir um esquema do texto, mesmo que mentalmente. “Caso o tema seja amplo, é importante que o esquema delimite sua abordagem, ou seja, indique que aspectos da questão-problema serão discutidos, evitando-se, inclusive, repetições e recorrências desnecessárias.”

Anulam a redação as seguintes faltas: texto com até sete linhas; uso de gírias ou palavrões; não obediência à tipologia dissertativa-argumentativa; e proposta que agrida os direitos humanos. Também é importante que o aluno escreva com letra legível. Título é opcional.

Coerência, coesão, concordância e ortografia

Também é importantíssimo que a ideia tenha coerência e argumentos bem amarrados (coesão), sempre seguindo a norma padrão da língua.

Segundo a professora, a coesão é alcançada com uma redação organizada. Para não falhar na costura do texto, Begma sugere o seguinte: inicialmente contextualize o tema e apresente a questão-problema juntamente com a tese. Em seguida desenvolva os argumentos e ao final conclua com a solução do problema.

1 – Contextualização

2 – Apresentação da questão-problema + tese

3 – Primeiro argumento

4 – Segundo argumento

5 – Conclusão – solução para o problema apresentado.

“Organizando os parágrafos por tópicos fica mais fácil amarrá-los. Os conectores ajudam esclarecer as relações existentes entre eles.” A professora sugere os seguintes tipos de operadores argumentativos. De contraposição (Ex: porém, de outra forma); de conclusão (Ex: portanto, desse modo); e de continuidade (Ex: além disso, um outro argumento).

Por fim a professora resume. “Um texto deve progredir em informação. A progressão, a não contradição e a explicitude (clareza) são atributos de um bom texto.”

De acordo com Begma, no que tange a norma culta, além da ortografia, o Enem cobra, principalmente, a concordância. “Uma excelente maneira de não cometer erros dessa ordem é reler o texto com atenção.”

Tempo

Outra competência avaliada pelo exame é a capacidade de lidar com o tempo. No dia da redação (4 de novembro), o candidato terá que responder, ainda, a 90 questões (45 de Linguagem, incluindo Língua Estrangeira, e 45 de Matemática).

A professora aconselha que a redação seja feita primeiro, “pois é um teste que implica em elaboração, e portanto é importante que o candidato esteja descansado”.

Em relação as demais questões, a orientação é que o aluno leia no máximo duas vezes cada enunciado. Não conseguindo responder passe para diante. No final, retorne para as que não foram respondidas.

Por fim, a professora ressalta que não a adianta se desesperar, “este é um tipo de prova que demanda preparo de muito tempo”, então, desgastar-se neste momento é prejudicial ao desempenho. “No mais, evite estressar-se, inclusive com excesso de estudo. O Enem é uma prova de leitura e escrita que exige muita concentração e raciocínio”.

Leia mais:




Outras informações: 0800-616161 (Inep)

Enem 2012

Confira o Guia de Redação do MEC

Thauan Monteiro – estudante de Comunicação Social e bolsista da Secretaria de Comunicação

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