Pesquisador obtém as primeiras linhagens de células-tronco de polpa dentária humana

Carlos Magno da Costa Maranduba - à direita - (Laboratório de Genética) - UFJF (Foto: Alexandre Dornelas)

Professor Carlos Maranduba, à direita, coordena a pesquisa no Laboratório de Genética (Foto: Alexandre Dornelas)

Uma equipe do Laboratório de Genética do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) extraiu células-tronco de polpa dentária humana de dentes decíduos (de leite).

A equipe, coordenada pelo professor doutor Carlos Magno da Costa Maranduba, farmacêutico-bioquímico formado pela UFJF, doutor em genética molecular humana e especialista na área de células-tronco pelo Instituto Butantan, obteve sucesso com as pesquisas feitas a partir da doação de dentes de leite de duas crianças, ambas com 6 anos. Os resultados obtidos estabeleceram as duas primeiras linhagens de células-tronco adultas da Universidade: a UFJF1 e a UFJF2.

Segundo Maranduba, as próximas linhagens que serão estabelecidas ainda este ano serão as células-tronco de tecido adiposo e a do tecido do cordão umbilical. Assim como a polpa de dente de leite, o tecido adiposo – obtidos de lipoaspirações – e o tecido do cordão umbilical são materiais que, frequentemente, são descartados no lixo, mas que são ricos em células-tronco, podendo ser utilizados em pesquisas.

“Essa tecnologia e as possíveis linhas de pesquisa que podem surgir usando essas linhagens celulares possibilitam que a UFJF se destaque entre os grandes centros de pesquisa nacionais e internacionais.” Alunos que antes precisavam migrar para São Paulo ou para o Rio de Janeiro, agora poderão desenvolver suas pesquisas com células-tronco na Universidade e iniciar essa tradição na instituição.

No campo biotecnológico, as células-tronco são muito visadas pelo potencial que apresentam de poder ser transformadas em diferentes tipos celulares, tais como neurônios, músculo, cartilagem, osso e gordura, além de possibilitar estudos de diversos tipos de doenças na área da genética médica. Existem dois tipos de células-tronco: as embrionárias, que necessitam da destruição do embrião, e as adultas (utilizadas pelo professor e sua equipe), que são retiradas de tecidos e órgãos de indivíduos já formados. Uma das vantagens das células-tronco adultas é que, por meio delas, pode-se tentar entender características de uma determinada doença sem ter que submeter o paciente a várias cirúrgias invasivas. Outro ponto importante sobre essas células é que elas podem ser usadas em pesquisas de terapia celular.

Já as células-tronco do dente de leite possuem a peculiaridade de ter, tanto características semelhantes às das células-tronco presente na medula óssea, quanto algumas características de células-tronco embrionárias. Estudos indicam que as células-tronco da polpa dentária humana possuem atividade imunossupressora, ou seja, podem ser usadas e transplantadas entre indivíduos geneticamente diferentes em uma terapia celular, diminuindo o potencial de rejeição dessas células.

Terapia celular

Agora, o pesquisador pretende desenvolver, no Laboratório de Genética do ICB, pesquisas que transformem essas células-tronco de polpa dentária em ilhotas pancreáticas, que são as células presente no pâncreas responsáveis por produzir insulina. Isto pode levar ao desenvolvimento futuro de uma terapia celular para tratamento da diabetes, por exemplo.

Mas as possibilidades de estudo são muitas. O professor Maranduba ressalta que essas células poderiam ser usadas ainda para tratamento de infarto do miocárdio (popularmente conhecido como ataque cardíaco) e de diversos outros tipos de doenças. “Mas essas são propostas futuras porque, inicialmente, estamos tentando entender e controlar essas células em laboratório, mostrando o que é possível fazer com essas células de modo seguro em uma terapia celular.” Ele comenta, ainda, que pesquisas como essa, que envolvem testes, necessitam de autorização desde comitês de ética em pesquisa (CEP/Conep) até órgãos reguladores como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). As primeiras linhagens estabelecidas pelo grupo de pesquisa de Maranduba foram aprovadas pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da UFJF.

Carlos Magno da Costa Maranduba (Laboratório de Genética) - UFJF (Foto: Alexandre Dornelas)

Carlos Maranduba: "Estamos tentando entender e controlar essas células em laboratório, mostrando o que é possível fazer com essas células de modo seguro em uma terapia celular" (Foto: Alexandre Dornelas)

A mestranda do curso de Pós-graduação em Biotecnologia e Genética da UFJF Paula Nascimento Almeida, orientada pelo professor Maranduba, já desenvolve um trabalho de comparação entre células-tronco do dente de leite de uma criança normal e de uma criança que apresenta os primeiros possíveis sintomas de neurofibromatose (problema genético que pode levar – ou não – a evolução futura de diversos tumores espalhados pelo corpo). Por meio de diferenciações feitas in vitro (fora do organismo), a aluna tenta identificar quais são os quadros que essa criança pode vir a desenvolver.

Para João Vitor Paes Rettore, também aluno do mestrado, é uma grande oportunidade participar do início dessa nova linha de pesquisa. Ele, que é diabético, diz que unirá o útil ao agradável: “Vou poder pegar a prática e a experiência de ser diabético e estudar a doença no laboratório”. Vitor, orientado por Maranduba e co-orientado pela doutora Lilian Tamy Iguma, pesquisadora da Embrapa Gado de Leite de Juiz de Fora, estudar e trabalhar com o extração de células-tronco de bovinos.

Os projetos que usarão as células-tronco adultas isoladas pelo grupo de pesquisa serão submetidos à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerias (Fapemig) e ao CNPq, visando apoio financeiro. Atualmente, o único apoio que o grupo de Maranduba recebe é o da UFJF, que concedeu bolsas aos integrantes do grupo de pesquisa. Além dos mestrandos, fazem parte do projeto as alunas de Iniciação Científica, Rafaella de Souza Salomão Zanette (do curso de Ciências Biológicas), Claudinéia Pereira Maranduba (do curso de Farmácia) e Camila Maurmann de Souza (também de Farmácia). Conforme o professor, à medida que houver financiamentos e verbas aprovadas, a disponibilidade e acessibilidade para os alunos serão maiores. Por enquanto, apenas o grupo de pesquisa ligado ao projeto do professor tem acesso a essa tecnologia.

Projeto pré-incubado pelo Critt

A idéia foi apresentada ao Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia (Critt) no processo de seleção do ano passado. Foi bem avaliada e teve a oportunidade de ser pré-incubada durante dez meses. Com a Inova (nome dado à ideia) a proposta era montar um banco de armazenamento de células-tronco originadas em diferentes tecidos do corpo humano, como de polpa de dente, cordão umbilical e tecido lipoaspirado (adiposo).

A Inova chegou a participar da quarta edição do Idea to product – Latin America (I2P), concurso que contempla boas ideias na área de empreendedorismo, realizado em São Paulo em 2011. Chegaram à fase final e foram classificados em uma das primeiras posições na categoria 3M Challenge. Para o professor Maranduba, a experiência promovida pelo Critt foi muito boa e um grande aprendizado. Segundo ele, a experiência será passada aos alunos da Pós-graduação Biotecnologia e Genética para reforçar em cada um deles a visão de empreendedorismo, visando aproveitar oportunidades no campo biotecnológico no Parque Tecnológico de Juiz de Fora e aplicar os conhecimentos da academia no mercado.

Outras informações: (32) 2102-3350/ 3352 (ICB)

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