Grupo Divulgação faz 45 anos e realiza semana especial de arte e cultura

Depois da novela das oito - Grupo Divulgação (Foto: Divulgação)

"Depois da novela das oito", última peça voltada para o público adulto encenada pelo grupo (Foto: Divulgação)

Há 45 anos nascia um dos grupos de teatro que mais marcaria a história cultural de Juiz de Fora: o Centro de Estudos Teatrais (CET) – Grupo Divulgação. Com uma trajetória intimamente ligada à da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o grupo contabiliza mais de 180 montagens e um número superior a 400 universitários que passaram pelo seu elenco.

O CET é um núcleo de ensino, pesquisa e extensão em artes cênicas que começou suas atividade como um grupo de teatro universitário, na antiga Faculdade de Filosofia e Letras. Fruto do interesse de jovens acadêmicos em estudar teatro e, consequentemente, apresentar suas peças, o Divulgação construiu uma trajetória de sucesso na cidade e um vasto repertório.

Para comemorar as quatro décadas e meia, o grupo realizará uma semana especial com várias apresentações entre os próximos dias 6 e 9, no Forum da Cultura.

“Papo Deita e Rola”

Também faz parte da programação o “Papo Deita e Rola”, reunindo integrantes e ex-integrantes do grupo. O evento, que acontece no Forum da Cultura no sábado, dia 9, às 15h, será um reencontro e um momento de descontração onde serão divididas experiências e histórias entre diferentes gerações do grupo.

Sonhos da Rainha da Noite - Grupo Divulgação - UFJF (Foto: Divulgação)

"Sonhos da Rainha da Noite", voltada para o público infantil (Foto: Divulgação)

O Grupo

Fundado em 1966, o Grupo Divulgação recebeu, em 1971, o convite do então reitor Gilson Salomão, para integrar o novo espaço de cultura da Universidade com a promessa de que enquanto houvesse trabalho por parte do grupo, haveria um espaço garantido para suas atividades. O Salão Nobre da antiga Faculdade de Direito foi adaptado para Sala de Espetáculos.

Em 1972, com o espetáculo “A Morta”, de Oswald de Andrade, o grupo inaugura o espaço e não para mais de produzir crescendo gradativamente ao longo dos anos. A ida para o Forum da Cultura proporcionou uma identidade para o grupo e tornou possível a preservação de sua memória.

Grandes nomes do teatro mundial inspiraram o grupo: Jean Vilar, Jean-Louis Barrault, com a visão de um teatro popular; Stanislavski e Brecht com o trabalho de criação artística e estética; e Federico García Lorca, e seu grupo de teatro universitário La Barraca, no modelo da companhia. É dele a frase que norteou a trajetória do grupo: “Mede-se a cultura de um povo pelo seu teatro”.

Dentro das atividades do grupo está o Projeto de Extensão Escola de Espectador, criado em 1984 e desenvolvido na UFJF, que surge com o objetivo de promover o acesso ao teatro às camadas carentes e às escolas pública, municipais e estaduais, com mais de 190 instituições atendidas.

Pelo projeto intitulado Centro de Estudos Teatrais: cursos & oficinas são oferecidos três núcleos básicos de produção de espetáculos: para adolescentes, com cursos de iniciação ao teatro; para os universitários (núcleo principal), o curso de introdução ao teatro – com continuidade em oficinas e seminários – sendo também uma via de acesso ao elenco do grupo; e o projeto voltado à terceira idade, um dos pioneiros no país, apresentando metodologia própria.

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José Luiz: "Para a cidade a nossa importância foi preservar o teatro apesar da ditadura, talvez a importância da gente foi a teimosia de continuar um trabalho contra tudo e contra todos envolvendo as pessoas"

Dalva Salazar, 72 anos, conta que há 16 anos participa do grupo. “Entrei como pianista, venci uma timidez e agora estou atuando. Foi um marco na minha vida.” Já Tamires Sant’anna, 22 anos, faz parte do núcleo adolescente há quatro meses e já consegue sentir os benefícios do grupo. “Ele te dá liberdade de expressão e ensina a trabalhar em grupo”, afirma a estudante de Jornalismo.

Para a atriz Márcia Falabella, há 25 anos no núcleo principal, “o divulgação abriu espaço para outros grupos desenvolverem seus trabalhos, sendo um marco nesse sentido. O Divulgação faz um trabalho único. É difícil encontrar no Brasil – existem mas são poucos – um grupo que tenha esse tempo todo de vida e com o número de produções que tem o Divulgação”. Para ela, o grupo serve de referência tanto para os que se espelham no seu trabalho como para aqueles que tentam se diferenciar do que eles fazem. Ela ainda destaca a importância do trabalho de extensão promovido pelo Divulgação como forma de desenvolvimento pessoal e social.

Em relação à sua participação no grupo, a atriz afirma: “Eu não vi passar esse tempo todo. Parece que foi ontem que eu cheguei ao grupo”. Márcia ingressou na Faculdade de Comunicação com a intenção de, alguma forma, seguir na carreira teatral quando aos 19 anos conheceu o professor José Luiz Ribeiro, um dos fundadores do grupo, que convidou os alunos a participar de cursos do grupo. Márcia conta que a faculdade a levou ao teatro, onde sempre sonhou trabalhar, e o teatro a levou para a área da docência: a atriz também é professora na Faculdade de Comunicação da UFJF. “O teatro me deu base para isso. Todo trabalho de pesquisa que fiz no mestrado, no doutorado e no pós-doutorado está relacionado à pesquisa no teatro”, destaca.

Fundadores

O diretor fundador do grupo, José Luiz Ribeiro, referência para as novas gerações de atores, é autor de 60 textos dramáticos, além de poemas e ensaios sobre comunicação e teatro. Premiado nacionalmente como dramaturgo e diretor teatral, José Luiz coleciona várias distinções em seu currículo.

Ele define sua relação com o teatro como “uma forma de eu estar com Deus em que tento melhorar, me superar e ser solidário”. O diretor ainda destaca a importância do grupo: “Nós fizemos um trabalho nesses 45 anos de difusão e nessa difusão fizemos muitos amigos e temos gente (do grupo) espalhada pelo mundo inteiro. Temos ator na Espanha, em Londres, alguns que seguiram carreira outros que não continuaram no teatro, mas que ficaram em coisas afins como a Leda Nagle. Para a cidade a nossa importância foi preservar o teatro apesar da ditadura, talvez a importância da gente foi a teimosia de continuar um trabalho contra tudo e contra todos envolvendo as pessoas”.

Versos do Guardador de Rebanhos - Grupo Divulgação UFJF (Foto: Divulgação)

"Versos do Guardador de Rebanhos", encenada por atores da terceira idade (Foto: Divulgação)

Maria Lúcia Campanha da Rocha Ribeiro, casada com José Luiz Ribeiro, fundou ao lado do marido o Grupo Divulgação. Juntos construíram uma história no Grupo Divulgação e também como jornalistas e professores da UFJF. Atualmente, Maria Lúcia coordena o Setor de Cultura do CET e participa como membro do Projeto de Extensão “Workshop com a Terceira Idade”, desenvolvido pela Universidade em parceria com o núcleo de estudos.

Além de diretora (espetáculo “Diário de um louco”), atriz e dramaturga, Maria Lúcia colabora como figurinista no grupo teatral, acumulando mais de cem trabalhos e inúmeras premiações na categoria.

“O Divulgação é um dos poucos grupos no país a ter tanto tempo de vida constante, sem interrupções, fazendo apresentações locais e em outras cidades”. Maria Lúcia acrescenta que prestes a se aposentar como professora o grupo será o único lugar que terá para atuar. “É a minha realização. Não é só teatro que a gente faz, a gente ensina teatro também. Estamos cercando tudo que planejamos no início.”

O Forum da Cultura fica localizado na Rua Santo Antônio 1.112, no Centro da cidade.

Outras informações: (32) 3215-3850 (Forum da Cultura)

www.ufjf.br/forumdacultura

Samantha Marinho – estudante de Comunicação Social

Os textos são editados por jornalistas da Secretaria de Comunicação

 

 

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