UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora

 Às margens

No último dia 25, uma barragem de rejeitos de minério da Vale S/A se rompeu em Brumadinho (MG) na Mina Feijão. A Barragem I não estava em operação, possuía 11 milhões de metros cúbicos de rejeito, que tomaram a sede administrativa da empresa e a comunidade de Vila Ferteco. A tragédia é a maior deste tipo em número de mortes – 58 confirmadas até o momento e cerca de 300 desaparecidos. O fato remete diretamente ao rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). Em 5 de novembro de 2015, 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos da mineradora Samarco atingiram comunidades da Bacia do Rio Doce, de Mariana (MG) até Linhares (ES), deixando 19 mortos. Em setembro de 2018, a equipe da Revista A3 esteve no local do acidente para acompanhar pesquisas da UFJF na região e entender os impactos após três anos da tragédia.

[28 de janeiro de 2019]

 

“Volta Samarco”

Andando pelo centro de Mariana é possível encontrar frases como “não existe progresso sem emprego: sou a favor da retomada das atividades da Samarco” ou, simplesmente, “volta Samarco” penduradas nas fachadas de alguns comércios. A cinquenta quilômetros das ruínas de Bento Rodrigues, essa área da cidade não foi impactada pela lama, mas enfrenta o desemprego com a paralisação das operações do Complexo do Germano.

[30 de janeiro de 2019]

 

Por um rio bom de novo

“Repito a mesma coisa desde o rompimento da barragem até hoje, três anos depois: não sei quanto tempo vai levar para recuperar, mas tenho certeza de que eu não vou ver”, diz o professor do Departamento de Geociências da UFJF, Miguel Fernandes Felippe, sobre os impactos ambientais ao longo da Bacia do Rio Doce. Segundo ele, os primeiros resultados sobre técnicas, processos e alternativas de recuperação das áreas degradadas estão começando a ser publicados neste ano. 

[01 de fevereiro de 2019]

 

A economia do desastre

Para o professor do Departamento de Administração da UFJF/Governador Valadares, Henrique Almeida de Queiroz, os rompimentos de barragens podem ser compreendidos a partir da leitura do mercado internacional e do modelo de operação das mineradoras. A hipótese de sua pesquisa, apoiada pela Fapemig, é de que, para além dos aspectos técnicos e de segurança, há uma correlação entre o aumento de ocorrências e os períodos expansivos e recessivos no preço de minério de ferro.

 

Na casa de Cristo Rei

O complexo de barragens é 50% maior do que a barragem de Fundão – a mesma que, há três anos, se rompeu e deixou um rastro de destruição que nós, como humanos, não seremos capazes de enxergar o fim. Casa de Pedra ainda carrega consigo uma anunciação ainda mais sinistra – daqui de onde estamos, em Congonhas, enxergamos com clareza o porquê. A barragem está localizada ao lado da área urbana da cidade. Se for rompida, atinge, imediatamente, até mil e quinhentas pessoas.

 

Semeando na lama

Na fazenda Ocidente – cheia de árvores ainda marcadas pela onda de lama – brotam os resultados da pesquisa liderada pelo professor Paulo Henrique Peixoto, do Departamento de Botânica do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFJF. O objetivo é identificar as melhores espécies para recompor a mata ciliar (ou seja, às margens) do Rio Gualaxo, considerando o depósito de rejeitos não apenas no fundo do rio, mas nas terras ao seu redor.

 

O que diz a Renova

Fundação Renova é o ente responsável pela criação, gestão e execução das ações de reparação e compensação das áreas e comunidades atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão. Questões mais sensíveis apontadas pelos atingidos nos territórios e também nas declarações dos pesquisadores foram encaminhadas por e-mail para a assessoria de comunicação da fundação, no dia 26 de outubro, e respondida pela equipe. A Renova também enviou documento sobre ações de reparação com mais informações.