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A Cidade como Campo de Poder / A Produção Capitalista do Espaço – 3/2011

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OBJETIVO:  Reconhecer e analisar o modo urbano de organização da produção capitalista do espaço.

LOCAL: Instituto Inhotim, Brumadinho – MG

 

Juiz de Fora, MG. O relógio marcava 8 horas quando o pequeno grupo de alunos e professores, envolvidos nas disciplinas A Cidade como Campo de Poder e A Produção Capitalista do Espaço, acomodava-se no veículo que, logo após, seguia para um dos municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte ― Brumadinho, na porção sul dessa Região. O grupo percorreu a BR-040, sentido norte, até o município de Moeda, saindo então da rodovia para atravessar, sentido oeste, o maciço homônimo desse município ― a serra da Moeda ―, cristas maciças que, a despeito de seu usual vínculo com esse município, liga-se, através de traçado com mínima variação de altitude, mas de elevado horizonte ondulado, à serra do Curral próxima a capital do estado mineiro. De fato, a serra da Moeda é corpo geomorfológico estirado que alcança, além da cidade de mesmo nome, alguns outros municípios, dentre eles Nova Lima, Belo Vale, Ouro Preto, Itabirito, e o próprio município de Brumadinho.

Situado no interior de extensas áreas montesas, atravessado pelo rio Paraopeba, afluente do rio São Francisco, posiciona-se o município de Brumadinho na região central do estado e tem na exploração de reservas de minério de ferro uma importante atividade econômica.

Localiza-se também em Brumadinho a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público Inhotim, misto de jardim e galerias de arte. Exatamente, nos dias 27 e 28 de outubro de 2011, foi esse espaço cultural produzido na periferia de Belo Horizonte o destino desse pequeno grupo. O trabalho de campo era indagar acerca de um processo espacial vincado à cultura ― o Instituto Inhotim ― que, para além de seus museus e jardim botânico, diz também respeito à Brumadinho e Belo Horizonte.

Quais as eventuais contradições, por exemplo, que se esconderiam no interior de lagos e jardins que suscitam a contemplação estética em Inhotim? Seria o seu jardim ou mesmo a sua natureza construída, outra indagação, a negaça diferencial que demarcaria o valor de troca dessa OSCIP no disputado mercado contemporâneo de visitação cultural?

Saltou à vista o contraste entre uma periferia de metrópole regional e um jardim e galerias de arte imersas em infra-estruturas necessárias a sua solvabilidade.

A OSCIP Inhotim é bela. Em algumas obras contemporâneas expostas até sublime. Contudo, essa beleza construída é mesmo o próprio fetichismo de uma espacialidade, outra observação possível, que buscaria mitigar, dir-se-ia encobrir, a sistemática destruição da morfologia natural do município ― estruturas e formas da natureza arruinadas pela diuturna presença da atividade mineradora, em boa medida, justificada pela demanda do mercado mundial de commodities.

Ademais, Inhotim significa uma inflexão urbana de Brumadinho determinada pela capital mineira; curvatura que apressaria o fim das eventuais sobras agrárias do município em beneficio do setor dos serviços; inclinação que induziria velocidade no mercado imobiliário de segunda residência.

A lição mais geral foi observar que a produção espacial de Inhotim vive na confluência da cultura ― que foi encarcerada, a partir dos anos de 1970, como chamariz cultural contemporâneo para os grandes negócios ― com um mercado imobiliário regional determinado por Belo Horizonte. Embora seja possível dizer, desde 2008, que se encontra trincado o fundamento financeiro mundial desse amálgama. Finalmente, Inhotim propiciou compreender contradições sócioespaciais pautadas em um modo urbano de produção atado ao rumo mundializado do capital.

 

 

 

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