UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora

Rosângela Veiga Júlio Ferreira

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email: roveigaferreira@oi.com.br

Currículo resumido

Doutoranda em Educação pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Graduada em Pedagogia pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES/JF – 2001), Especialista em Alfabetização e Linguagem (UFJF- 2003) e Mestre em Educação (UFJF- 2007). Atualmente é professora do curso de Pedagogia e Licenciaturas (Letras, História e Geografia) no CES/JF e Coordenadora do Ensino Fundamental da rede municipal de Juiz de Fora. Desenvolve pesquisas nas áreas de História da Educação (NESCE) e Alfabetização (Projeto de Iniciação Científica – CES/JF). Tem experiência na Educação Básica, no Ensino Superior e no Ensino à Distância e se interessa pelos seguintes temas: história da educação, leitura e escrita.

Resumo do projeto de tese

Orientador: Dr. Marlos Bessa Mendes da Rocha

ENTRE AS FARPAS DE CECÍLIA MEIRELES (1901-1964) E AS HERESIAS DE GABRIELA MISTRAL (1889 – 1957): o processo de implementação de bibliotecas populares

 

RESUMO

 As poetisas, Cecília Meireles e Gabriela Mistral, ajudaram a construir um dos períodos mais férteis e contraditórios das sociedades latino-americanas: o da emergência e implementação da sua modernidade, com repercussões decisivas no campo educacional do qual participaram de modo substantivo. A nossa proposta nesta pesquisa é a de implementar um olhar outro às trajetórias e obras dessas poetisas, vendo-as como o verso e o reverso de uma folha de papel: inseparáveis, mas distintas. Seu exame poderá esmiuçar um processo que toma corpo a partir da escritura escolar, da escrita privada, docente, jornalística e atinge o status de obra reconhecida que passeia entre o que se vive e o que se imagina. A participação de Cecília Meireles e Gabriela Mistral nas reformas educativas do Rio de Janeiro (1931-1935) e México (1922-1924), respectivamente, pode ser lida como ação disparadora de uma situação de ruptura em suas trajetórias. O tempo e o espaço aí definidos constituem o paradigma de um problema: o enfrentamento através dos cargos que ocuparam, dos serviços que prestaram como intelectuais e o que escreveram em livros, revistas e jornais. Assim como Gabriela Mistral, Cecília se envolveu com o processo de implementação de bibliotecas populares. A estrutura composicional do tema literatura, presente em alguns comentários jornalísticos estruturados por Cecília no Diário de Notícias, no período de 1930 a 1933, capazes de estabelecer uma rede de referências, permite pensar na criteriosidade de uma biblioteca e aponta para questões políticas, econômicas e sociais. Com base nessas colocações, inquietações se apresentam: que obstáculos ambas precisaram enfrentar para implementar essas bibliotecas? Como esses obstáculos se relacionam às questões políticas e sociais dos países em foco? Como uma camponesa chilena, analfabeta até a adolescência, e uma carioca, filha de funcionário público e professora municipal, puderam ocupar posições tão prestigiadas no campo literário numa época em que esta era privilégio das classes mais cultas, aceitava as mulheres como leitoras, ouvintes ou assistentes em salões e teatros, mas não as via como produtoras culturais? Precisamos refletir sobre como essas mulheres se esforçaram durante décadas para expandir as fronteiras da ação feminina da esfera social para a esfera pública. Buscamos saber como essas professoras fizeram para iniciar e desenvolver suas carreiras profissionais de intelectuais e como puderam estabelecer uma relação entre seu próprio projeto de leitura e escrita e as propostas de desenvolvimento educacional. Buscamos relacionar suas biografias pessoais e o exercício do poder, porque compreender suas trajetórias possibilita a apreensão da trajetória de um grupo singular em um tempo outro. A função de escrever, para elas, não foi uma distração, mas, antes, uma exigência existencial, uma atitude política, uma responsabilidade que elegeram. Com base nas colocações anteriores, apresentamos a questão desta pesquisa que se consubstancia na possibilidade de (re)construir a trajetória pessoal, educacional e política das intelectuais Cecília Meireles e Gabriela Mistral, objetivando identificar a concepção de educação que defenderam ao consolidarem, no Brasil e no México, um projeto de leitura e escrita através da organização de bibliotecas populares, entre outras obras por elas desenvolvidas.Esta pesquisa pode ser lida como um trabalho inscrito em um campo plural, que envolve a (re) escritura da história da educação e, por extensão, da escritura feminina latino-americana. Entrelaça-se com as discussões já abarcadas pela pesquisa de Mestrado por possibilitar uma análise da rede de referências estabelecida por Cecília Meireles em outros campos geográficos que poderão ter influenciado na concepção de Educação defendida pela poetisa e educadora, sustentada pela defesa da infância, de acordo com a ênfase atribuída, no decorrer de inúmeras crônicas por ela escritas, como uma fonte rica de compreensão do mundo a partir da possibilidade dos adultos, da família e da escola ouvirem as crianças, compreendendo-as como seres de linguagem singular. Buscar compreender encontros e, quiçá, desencontros das concepções defendidas por esses cânones da literatura – Cecília Meireles e Gabriela Mistral – ao pensarem a educação no sentido amplo, é o desafio que se consolida nesta pesquisa de cunho histórico. Assim, os objetivos desta pesquisa são identificar e analisar a atuação de Cecília e Gabriela na estruturação de bibliotecas populares na América Latina, buscando perceber as concepções de educação que apresentaram durante esse processo; identificar e analisar a concepção de educação que permeia as ações de ambas as autoras através das aproximações e afastamentos no processo de construção da modernidade pedagógica (1920-1930) entre Brasil e México. As colocações anteriores já sinalizam um esforço interpretativo que se inicia com o mapeamento inicial dos acervos institucionais. As principais instituições portadoras desses acervos para a nossa pesquisa são: Fundação Casa de Rui Barbosa, Arquivo Fernando de Azevedo, Biblioteca Nacional, Arquivos Privados do Centro de Documentação e Pesquisas da Fundação Getúlio Vargas, Museo Gabriela Mistral de Vicuña, Biblioteca Nacional de Chile, Biblioteca México José Vasconcelos, Archivo General de la Nación (México). Não pretendemos tratar esses deslocamentos como ideologias de época, mas, sim, como algo que constitui a materialidade implementada à época e que, portanto, não serão consideradas como equívocos, mas, antes, como um movimento singular de um tempo dado. O exercício hermenêutico sobre a produção da história de implementação das bibliotecas no Brasil e no México estará em constante interlocução com o aporte metodológico escolhido, a interpretação hermenêutica de Ricoeur, instrumental decisivo que nos ajudará a identificar como se operam os deslocamentos espaciais e simbólicos que Cecília Meireles e Gabriela Mistral efetuaram da casa para a escola, da escola para a imprensa, da imprensa para o mundo.

 

Programa de Pós-Graduação em Educação