UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora

Projetos de Pesquisa em Desenvolvimento

Data: 12 de julho de 2016

 

MODA BRASILEIRA E AS TELENOVELAS (1973-1996): VISUALIDADE E CONSUMO (Coord. Maria Claudia Bonadio)

Neste projeto,  financiado pela Fapemig desde 2017, viso investigar a importância das telenovelas da Rede Globo para a propagação de modas e padrões de consumo no Brasil entre 1973-1996. Pretendo observar como a mídia impressa é fundamental para a difusão e afirmação das modas provindas das telenovelas, notando como essa conexão entre moda, consumo e ficção televisiva é construída ao longo tempo tanto pelas novelas em si, como também pela imprensa que ao longo do tempo irá ampliando o espaço dedicado ao tema. Quero notar também que, mesmo influenciada pela moda internacional, as modas divulgadas nas telenovelas não atuam na mera reprodução, mas sim na tradução destas e como lançam modismos através dos figurinos de seus personagens. Quero notar ainda, como as modas propagadas pelas telenovelas colaboram na fragilização da fronteira entre consumo de luxo e popular.

Publicação:

> Telenovelas: Consumption and Dissemination of a Brazilian Fashion

 

DO ATELIÊ PARA A TELEVISÃO: IMAGENS E TRAJETÓRIAS DA PRIMEIRA GERAÇÃO DE COSTUREIROS BRASILEIROS (Coord. Maria Claudia Bonadio)

Entre o final dos anos 1950 e início dos anos 1960 irá emergir no país a primeira geração de costureiros brasileiros, os quais se esforçarão para produzir no Brasil uma moda de qualidade, que possa fazer frente à alta-costura francesa e moda italiana – que detinham naquele momento o prestígio em termos de moda. Nesse período, costureiros como Dener Pamplona Abreu, Clodovil Hernandes, Guilherme Guimarães, entre outros ganharão destaque na imprensa, não apenas por serem responsáveis pelo guarda-roupa de algumas das principais damas da sociedade brasileira, mas também por suas atitudes que colocavam em cheque os papéis e fronteiras de gênero; declarações polêmicas à imprensa e a apresentação imagética de si (através de roupas, penteados e por veze maquiagem). O objetivo desse projeto é observar como esses grupo de profissionais se utiliza dos espaços midiáticos, como imprensa escrita, televisão e mercado editorial para agregar valor aos seus nomes e produtos; para exibir aproximações entre seus trabalhos e o universo das artes; como espaço para colocar em questão os papeis de gênero então dominantes e como a mídia explora essa ambiguidade como forma de ampliar a popularidade, colaborando na propagação da imagem do profissional de moda como "afeminados" e "afetados" e simultaneamente para a mitificação (no sentido barthesiano) de suas imagens. A rivalidade (real ou inventada) entre os costureiros durante as décadas de 1960 e 1970, que a imprensa convencionou chamar de Guerra das Agulhas, também será analisada. Outro ponto a ser observado é como a emergência desses profissionais ocorre num momento em que o consumo vai se tornando um signo de modernização no país, ao mesmo tempo em que o modelo de produção de moda focado na alta-costura parisiense (que serve de guia para os referidos profissionais) está gradativamente perdendo forças e como apesar das tentativas desses costureiros em se adaptar às novas formas de funcionamento da moda (pautada pelo prêt-à- porter), em larga medida esses irão pouco a pouco deixando, ou ao menos diminuindo a atuação como costureiros para se transformarem em profissionais da mídia. Notarei ainda, como as imagens dos referidos costureiros, em especial de Dener Pamplona Abreu (1937-1978) continuam a ser propagadas contemporaneamente pela imprensa e redes socias como forma de reafirmar sua imagem como uma espécie de fundador da moda brasileira.

> Vídeo1º Seminário de História e Cultura de Moda – Histórias do Vestir Masculino

> Anais: AS ROUPAS DO COSTUREIRO, OU DENER PAMPLONA ABREU E AS REPRESENTAÇÕES DE SI

 

AS ROUPAS E SUAS AÇÕES POÉTICAS E POLÍTICAS (Coord. Rosane Preciosa)

A pesquisa tem por objetivo pensar a roupa como Ato de Criação, constitutivo da subjetividade, entendida aqui como modos de “sentir, de amar, de perceber, de imaginar (…), mas também de habitar, vestir-se, de se embelezar (…) , como nos dirá Peter Pál Pelbart ( Pelbart, 2000, p.37) buscando, então, abordá-la como um modo de explorar sua potência plástica e de abrir fendas que abalam lógicas identitárias aprisionantes, que encerram certezas. Nesse sentido, a pesquisa se abre a “escutar” experimentações estéticas, em que sujeitos e roupas operam deslocamentos em si mesmos, de modo que as roupas sejam co-produtoras de modos singulares de existência.

> Artigo: https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/article/view/632/0

Neste artigo, buscamos problematizar as roupas como territórios de criação que engendram narrativas vestíveis mais autônomas, mais insubmissas aos modos hegemônicos de criá-las, e que são amplamente disseminados pelas mídias. Percebe-se que cada vez mais artistas, estilistas e ativistas vêm se apropriando das roupas como suporte para suas experimentações, fazendo ventilar na existência importantes questionamentos éticos, estéticos e políticos. Exploramos certos modos de vestir nas manifestações de rua, seguindo a Primavera Árabe, e também no trabalho de artistas, como Flávio de Carvalho, e criadores, como Lika Stein. A partir disso, discutimos o anonimato traduzido na aparência como uma ética-estética congruente às reivindicações sociais que atualmente transcendem questões nacionais e indicam novas perspectivas de estudos relativos à moda.