Isabela Araujo conseguiu 90% do total de pontos no Pism (Foto: arquivo pessoal)

Isabela Araujo, nova caloura de Medicina, conseguiu 90% do total de pontos no Pism (Foto: arquivo pessoal)

É da estudante Isabela de Oliveira Araújo a maior nota do Processo Seletivo Misto (Pism) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Candidata do Grupo E, destinado a alunos de escolas públicas, ela foi aprovada em Medicina (JF) com 1.174,3 pontos, no total de 1.300 possíveis. Para conseguir uma vaga no curso, foi necessário o mínimo de 1.011,7 pontos.

Confira a tabela completa de notas de corte.

Isabela diz que sempre quis cursar Medicina e, por isso, precisou se dedicar intensamente aos estudos. “Por ser um curso muito concorrido, tive que abdicar de muitos momentos de lazer para que tivesse um resultado satisfatório e conseguisse passar. Todo o esforço valeu a pena”. Ela conta que sempre planejou estudar na UFJF. “Por ser uma Universidade muito bem conceituada, acredito que me dará toda a base para me tornar uma boa profissional”, diz a ex-aluna do Colégio Militar de Juiz de Fora

Mas não é só na Medicina que estão as melhores notas do processo. Artur Amorim, também do Grupo E, conseguiu 1.153,2 e passou em primeiro lugar em Engenharia Computacional pelo Pism e, também, em Ciências Exatas pelo Sisu. Assim como Isabela, foi aluno do Colégio Militar e não precisou recorrer a cursos pré-vestibulares. Artur conta que não sabia ao certo qual curso fazer, mas a área que tinha mais interesse era a de exatas.

O estudante pensou em Matemática por causa do pai professor, mas decidiu pelas Ciências Exatas. “Percebemos que seria mais vantajoso, já que eu poderia, depois, ingressar em outras engenharias e também pedir reingresso para o bacharelado e licenciatura em Matemática. O curso de Ciências Exatas vai me dar todos os conhecimentos necessários para os próximos passos.”

No curso de Direito – outro com notas de corte altas – a primeira colocação ficou com João Pedro Hippert, do Grupo C, com 1.086,7 pontos. Ex-aluno do Colégio Jesuítas, João recorreu a um curso preparatório nos últimos três anos. Segundo ele, o gosto pela leitura e pela escrita foram fatores relevantes que o auxiliou na escolha pelo curso. “Meus amigos sempre me disseram que tenho o perfil para o Direito, pois gosto de escrever e ler bastante. Penso em ser professor, como minha mãe mas ainda quero conhecer todas as possibilidades dentro do curso”, diz.

Destaques em Sociais Aplicadas e Humanas

Natural de Ubá, Enrico Martins Poletti veio para Juiz de Fora estudar os últimos anos do Ensino Médio. Foi aprovado em primeiro lugar em Psicologia com 978,1 pontos e, pelo Enem, passou em segundo lugar no mesmo curso na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte. Poletti optou ficar perto da irmã, na capital mineira.

Ainda na área de Humanas, com 962,4 pontos, Julia Bellei Xavier foi aprovada para o curso de Letras. Amante das artes e dos esportes, Julia diz que precisou diminuir suas atividades extracurriculares no último ano do Ensino Médio para se dedicar mais ao processo seletivo. “Quero trabalhar na educação, mas não só isso. Penso em atuar como tradutora, pois tenho facilidade em aprender línguas, e até como escritora, pois adoro escrever”, conta. Sobre a Universidade, Julia espera que represente uma mudança positiva. “Vou conhecer pessoas novas, adquirir novos hábitos, conhecer um outro universo. Espero que tudo isso ajude a expandir minha visão de mundo.”

Cotas

A UFJF possui dez grupos de acesso, sendo um de ampla concorrência com 50% das vagas e os outros nove grupos destinados à política de ações afirmativas. De acordo com o pró-reitor adjunto de Graduação, Cassiano Amorim, o sistema de cotas nas universidades públicas tem permitido a democratização do acesso ao Ensino Superior público a pessoas que historicamente eram excluídas ou tinham muita dificuldade nesse acesso.  

Ângello Antônio foi o único aprovado para Jornalismo no novo grupo de acesso a pessoas com deficiência (Foto: arquivo pessoal)

Ângello Antônio foi o único aprovado para Jornalismo no novo grupo de acesso a pessoas com deficiência (Foto: arquivo pessoal)

Único aprovado para Jornalismo no novo grupo de acesso a pessoas com deficiência (B1), Ângello Antônio Luisi Oliveira conta que ficou com receio de não conseguir passar. “As notas dos dois anos anteriores não estavam satisfatórias, então comecei a correr atrás no último módulo”. Segundo ele, a identificação com o curso e o fato de ser um dos mais bem avaliados definiram a escolha.

Ângello estudou na Escola Estadual Fernando Lobo, em Juiz de Fora, e foi diagnosticado, ainda criança, com um tipo de paralisia cerebral, a diplegia espástica, que afeta os dois lados do corpo e impede alguns membros inferiores de funcionarem corretamente.

Também aprovado em grupo de ações afirmativas, a escolha de Guilherme Barbosa de Souza foi pelo curso de Química (grupo A), no qual foi aprovado com 819,5 pontos. Morador de Timóteo (MG), onde se formou como técnico em Química pelo Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), o estudante passou, também, para Química na UFMG, mas ainda não decidiu seu destino. “Era certo que eu queria Química, pois é a área na qual mais tenho facilidade e com que já tinha contato prévio”, conta. Embora a universidade ainda não tenha sido escolhida, o estudante tem outra certeza. “Vou lecionar, seguir a área da educação. A graduação, para mim, não é o bastante, por isso já viso o mestrado e o doutorado.”

Ainda em relação à política de cotas, o pró-reitor Cassiano Amorim acredita que é preciso ainda “aperfeiçoar os mecanismos que garantam os direitos dos diferentes grupos, além de constituir um amplo acompanhamento acadêmico de todos os estudantes da UFJF, especialmente para aqueles que entram por cotas”. De toda forma, ele garante que “pesquisas têm demonstrado o sucesso dessa política afirmativa, que traz uma nova cara para a Universidade e novas perspectivas para toda a sociedade”.

Matrícula

Os candidatos aprovados pelo Pism devem realizar as duas etapas da matrícula, apresentando toda documentação necessária para garantir a vaga. A matrícula on-line acontece nos dias 21, 22 e 23 de fevereiro; e a presencial, nos dias 1º e 2 de março, nos dois campi. As aulas do primeiro semestre começam no dia 5 de março.

Os aprovados pelo Sistema de Seleção Unificada 2018 (Sisu) já realizaram a  matrícula on-line e agora aguardam a etapa presencial, que acontece nos dias 21 e 22 de fevereiro. Também no dia 21 está prevista a primeira reclassificação do Sisu. Pelo cronograma serão quatro chamadas até o dia 21 de março.

As orientações e a lista de documentos necessários para a matrícula presencial, tanto do Pism quanto do Sisu, estão disponíveis na página da Coordenadoria de Assuntos e Registros Acadêmicos (Cdara).