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Gracinda Barros ressalta que o objetivo dos autores estudados era expandir o cenário cultural e o mercado leitor dentro da periferia (foto: Gustavo Tempone/UFJF)

A literatura marginal periférica e suas ramificações nas redes sociais foram estudadas na tese de doutorado da acadêmica Gracinda Vieira Barros. A pesquisa “Literatura marginal periférica nos movimentos sociais em rede” foi apresentada no Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos Literários, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), no último dia 30 de março.

Três autores foram centrais nas obras analisadas pela doutoranda: Sérgio Vaz, Ferréz e Marcelino Freire. O enfoque dos artistas converge na vivência periférica, diferentemente dos movimentos de literatura marginal brasileira anteriores, sobretudo na década de 70. Uma das principais caracterizações desta relação é a manutenção de projetos sociais por parte dos três autores. Foram estudadas apenas obras disponibilizadas na internet e de maneira gratuita.

Segundo o professor orientador da tese, Rogério de Souza Sergio Ferreira, a pesquisa se consolida em meio ao cenário acadêmico: “A tese da Gracinda foi considerada pela banca examinadora referência na área dos estudos voltados à literatura marginal periférica, um campo ainda pouco explorado no meio acadêmico brasileiro, sobretudo porque ela discute a natureza engajada deste tipo de produção poética nos domínios do ciberespaço.”

Para Souza, os autores analisados fazem parte de um novo perfil no cenário da literatura nacional: “Obras dos autores Sérgio Vaz, Ferréz e Marcelino Freire na Internet, em blogs e websites, ilustram como eles se valem do meio eletrônico para difundirem uma literatura combativa que participa dos movimentos sociais ao mesmo tempo em que se afirmam num novo perfil de escritores e numa estética própria da periferia na tradição literária brasileira.”

A acadêmica aponta que o apelo dos autores junto às periferias é fundamental: “o objetivo deles era expandir o cenário cultural e o mercado leitor dentro da periferia. O Ferréz, por exemplo, tem uma editora chamada Selo Povo, que vende livros a custo de produção, coisa de R$ 5 ou R$10. A ideia é justamente popularizar, já que os escritores da periferia conseguem espaço de publicação e circulação, e para os leitores da periferia.”

Segundo Gracinda, a difusão das obras por meios digitais é uma grande oportunidade para consolidar o público alvo, mas também de expandir o alcance: “O que observamos com a internet é que este público é ultrapassado. De certa forma, universaliza a produção deles”, aponta Gracinda. Na visão da acadêmica, tal expansão foi vital para a literatura marginal: “Esta democratização foi fundamental, e você vê isso em segmentos como a mídia, a crítica e o mundo acadêmico.”

Contato:
Prof. Dr. Rogério de Souza Sergio Ferreira (orientador – UFJF)
rogeriossferreira@gmail.com

Banca examinadora:
Rogério de Souza Sergio Ferreira (orientador – UFJF)
Juliana Gervason (UFJF)
Marcos Vinicius Ferreira de Oliveira (UFJF)
Charlene Martins Miotti (UFJF)
Alexandre Montaury Baptista Coutinho (PUC-Rio – UFF)

Outras informações: (32) 2102-3118 – Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos Literários