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Histórico da Escola de Engenharia de Juiz de Fora

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digitalizar0001O ensino superior em Juiz de Fora se inicia em 1903 com a criação do curso de Odontologia e farmácia. Posteriormente, em 1909, é criado o curso Politécnico da Academia de Comércio, que teve uma curta existência. Alguns anos mais tarde, através da iniciativa de Clorindo Burnier Pessoa de Melo, Asdrúbal Teixeira de Souza e Washington Marcondes Ferraz, é criada a Escola de Engenharia de Juiz de Fora, em 17 de agosto de 1914. Desde a sua criação, a Escola implanta um vigoroso processo de aparelhamento de seus gabinetes de ensino com a compra de equipamentos científicos fundamentais para o seu funcionamento. Este projeto político/pedagógico é implantado por ser “essencial à predominância de aulas práticas para a formação de futuros engenheiros com capacidade de trabalho”.

Em julho de 1918, a Escola aluga um casarão no número 2040, pertencente à Santa Casa de Misericórdia ocupa este imóvel, até dezembro de 1959, quando muda definitivamente para um prédio construído para a Escola de Engenharia, em janeiro de 1960. Com o crescimento acentuado da Escola de Engenharia, principalmente pela demanda crescente do curso, na década de 20 é elaborada a primeira proposta destinada a sua transferência, uma vez, que a instituição já não dispunha de espaços adequados e suficientes para comportar salas de aula, oficinas, biblioteca, laboratórios e a administração.

Foi em 1931 por influência do Prof. José da Rocha Lagoa, Diretor da Escola de Engenharia, é solicitado ao prefeito de Juiz de Fora Pedro Marques ex- professor da Instituição, e, ex-vice Governador do Estado de Minas Gerais, para que a prefeitura cedesse por empréstimo para a Escola o prédio anteriormente ocupado ela antiga Diretoria de Higiene, o qual se encontrava desativado desde a década de 20 para que fossem instalados os gabinetes de trabalho e as oficinas.

A necessidade desta transferência está associada à inexistência de espaço adequado na sede da Escola de Engenharia para a instalação de equipamentos adquiridos nas áreas de eletricidade e mecânica, além de uma série de instrumentos científicos, os quais eram essenciais para o funcionamento das oficinas e aulas práticas.

Como contra partida ao empréstimo deste imóvel, a Prefeitura Municipal implanta em conjunto com a Escola de Engenharia pelo Decreto n.º 45, de 17 de novembro de 1931, o Instituto Municipal Prático de Mecânica e Eletricidade, que funcionaria anexo à Escola, e se destinava exclusivamente para os filhos dos operários da prefeitura. As atividades deste Instituto iniciam-se, efetivamente, quando o governo do Estado de Minas Gerais autoriza a prefeitura de Juiz de Fora a ceder definitivamente este prédio pelo Decreto Nº 11.638 de outubro de 1934. Posteriormente, o Instituto é transferido pela Escola de Engenharia e transforma-se na Escola Profissional Getúlio Vargas. Entre as décadas de 30 e 40, a Escola de Engenharia passa por profundas reformas didáticas, administrativas e físicas, principalmente com a construção de novos espaços para melhor organização interna das oficinas. Intensifica-se a aquisição de maquinários, com os quais viria a se constituir a Fábrica de Aparelhos. Neste período, são contratados vários professores para preencher as inúmeras disciplinas criadas, são selecionados funcionários especializados nas áreas de marcenaria e mecânica, é designado o encarregado para coordenar as oficinas e indicado o Reitor do Curso Preparatório da Escola de Engenharia.

No início da ocupação do prédio cedido pela prefeitura à Escola, foram erguidas divisórias internas com o objetivo de separar os diferentes laboratórios. Estas alterações são consideradas as primeiras intervenções registradas no prédio por parte da direção da Escola. A partir de 1936, são destinados investimentos para a aquisição de novos conjuntos de equipamentos industriais, permitindo a criação e o funcionamento da Fábrica de Aparelhos. Neste período, a Escola de Engenharia passa a desempenhar funções de destaque no cenário nacional no que se refere à produção de instrumentos científicos, como demonstra o catálogo n.º 1, de 1938. Neste catálogo, além da listagem dos equipamentos comercializados pela Fábrica de Aparelhos, encontramos inúmeros depoimentos de políticos, professores, militares e do público que visitaram a Escola e deixaram registradas suas avaliações. Em 1943, são realizadas obras para a expansão da Fábrica de Aparelhos, conforme projeto disponível no Arquivo Histórico da Prefeitura de Juiz de Fora de autoria do Engenheiro Deusdedit de Paula Teixeira Salgado. Neste projeto, a área externa voltada para a Rua Floriano Peixoto é vedada por uma parede, para melhor se adequar aos laboratórios, gabinetes e oficinas da Escola de Engenharia.

Desde a implantação da Fábrica de Aparelhos, a Escola passa a desempenhar um papel hegemônico, no que se refere à produção de equipamentos didáticos, científicos e industriais. Nos catálogos n.º 2, de 1948, n.º 3, de 1949 e n.º 4, de 1954, são disponibilizados para a venda um total de 546 instrumentos para ensino, pesquisa e indústria, os quais foram comercializados para instituições de ensino, empresas industriais e laboratórios de todo o Brasil e exterior.

Grande impulso dado a Fábrica de Aparelhos se dá com a federalização da Escola de Engenharia, em 1950. Neste contexto, a Fábrica de Instrumentos Científicos transforma-se institucionalmente no Parque Tecnológico da Escola de Engenharia experimentando um vigoroso processo de redefinição conceitual, técnico e científico.

Em 1951, iniciam-se intensos debates internos para a criação da ”Fundação Universidade do Trabalho Getúlio Vargas”, que abrangeria a Escola de Engenharia com seus cursos de engenheiro civil e eletricista, além da criação dos cursos de engenharia mecânica, química, metalúrgica e com a implantação de 16 cursos técnicos. Ainda na década de 50, é criada, sob a presidência do Prof. José da Rocha Lagoa, uma comissão visando à escolha de um terreno para a construção de um novo prédio para a transferência da Escola.

Em 23 de dezembro de 1960, através da Lei n.º 3.858, é criada a Universidade de Juiz de Fora, por decreto do Presidente Juscelino Kubitschek, constituindo-se pela Escola de Engenharia, Faculdade de Medicina, Faculdade de Direito, Faculdade de Economia e Faculdade de Farmácia e Odontologia. Esta mesma lei determinou, ainda, que todo o patrimônio da Escola de Engenharia fosse transferido imediatamente para a União. Posteriormente, a Lei n.º 4.759, de 20 de agosto de 1965 em seu art. 02, determina que a Universidade de Juiz de Fora passe a ser denominada de Universidade Federal de Juiz de Fora.

O Parque Tecnológico da Escola de Engenharia, com seus equipamentos, são, em parte, transferidos entre os anos de 1960-1961. O prédio anteriormente ocupado pela Escola, é cedido para os Cursos Técnicos criado em 1952 que utilizaram estas instalações e seus laboratórios para aulas práticas até 1974.

Com o encerramento das atividades do serviço de metrologia da Escola de Engenharia e com a transferência das aulas práticas do Colégio Técnico Universitário, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) passa a ocupar a antiga Sede da Fábrica de Aparelhos da Escola, de 1974-75 até 2012, dividindo posteriormente parte deste espaço, no início da década de 90, com o Sindicato dos professores e, posteriormente, com o Sindicato dos Funcionários da UFJF. Na década de 70, a Faculdade de Engenharia muda-se definitivamente para o Campus Universitário. Em 1973, o Parque Tecnológico (Partec) ainda continua localizado na Rua Visconde de Mauá e apenas alguns equipamentos são destinados aos laboratórios da Faculdade de Engenharia e ao Instituto de Ciências Exatas (ICE). Nesse ano, por determinação do Reitor, o Partec é desligado da Faculdade de Engenharia, passando a estar subordinado à Pró-reitoria de Tecnologia. Os serviços realizados não se constituem mais na produção de conhecimento científico e muito menos na inovação de objetos para pesquisa, ensino e indústria. Agora, a função do Partec destina-se exclusivamente à execução de serviços gerais para toda a Universidade.