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Histórico do Maea

 

O Museu de Arqueologia e Etnologia Americana – MAEA – da UFJF ainda não possui o arcabouço de um museu convencional, tal qual conhecemos de outras instituições. Trata-se, na verdade, de um núcleo de pesquisa, recentemente cadastrado no CNPq, que tem como principal característica o desenvolvimento de projetos multidisciplinares em Arqueologia, Antropologia e áreas afins. Desse modo, reúne não somente profissionais das referidas especialidades, mas também, biólogos, zoólogos, engenheiros e historiadores interessados na compreensão do passado, na percepção do presente e na preservação do patrimônio natural e cultural de nossa região.

Não obstante o seu pouco tempo de formação, o MAEA se apresenta como um dos primeiros passos para a consolidação de um ideal maior, que é a institucionalização do Setor de Arqueoastronomia e Etnologia Americana (SAEA) da UFJF e a construção de um espaço adequado para seu acervo.

Localizado numa pequena sala no prédio da Biblioteca Central no Campus Universitário, o SAEA mantém sob sua responsabilidade desde 1986, o acervo arqueológico e etnográfico doado à instituição por pesquisadores e professores locais. Atualmente este Setor se encontra inserido na estrutura organizacional da UFJF vinculado à Pró-Reitoria de Pesquisa, mantendo-se, no entanto, sem representatividade no organograma institucional.

Enquanto instituição museal, o MAEA tem se voltado para o desenvolvimento de ações culturais na Zona da Mata Mineira, buscando atuar nas áreas de ensino, pesquisa, extensão, conservação e preservação, visando um maior conhecimento do contexto no qual se insere. Sua principal característica é a proposição de projetos nas áreas de Antropologia, Arqueologia e áreas afins de forma interdisciplinar.

O projeto temático que possibilitou reunir os diversos pesquisadores que hoje integram o MAEA é o “Mapeamento Arqueológico e Cultural da Zona da Mata Mineira”. Seu objetivo principal é a identificação, registro e preservação do patrimônio arqueológico e cultural através dos diversos sub-projetos que visam: a) a valorização da memória e da oralidade; b) a conscientização para o patrimônio de modo geral; c) a fomentação de Museus Regionais; d) a caracterização florística e faunística da região; e) o georreferenciamento, e f) a promoção das potencialidades locais, através da elaboração de programas especiais para um desenvolvimento sustentável, entre outros.

Tais propostas, tomadas como imperativas de nossas atividades, tem enriquecido o acervo arqueológico e etnográfico da UFJF, na medida em que alcançam, por meio de suas ações educativas e sociais, uma conscientização para a importância da preservação do patrimônio arqueológico e cultural local. Desse modo, com o apoio dos órgãos públicos e da própria população, temos sido informados com freqüência sobre os grupos indígenas que habitaram a região e sobre a ocorrência de inúmeros vestígios arqueológicos, que por desconhecimento, eram ignorados, ou mesmo, descartados pelas pessoas.

A concepção de Museu que identifica o olhar da equipe do MAEA para o fazer museológico se insere na temática de importantes discussões na busca por uma redefinição do papel social do museu, que deixa de ser mero depósito de obras raras – reprodução de modelos europeus de fins do séc XIX e início do XX -, para se tornar agente transformador, interagindo de modo mais eficaz com a sociedade.

Nossa realidade, distinta dos museus tradicionais, permite que as ações propostas sejam de caráter mais dinâmico. As exposições têm demonstrado seu caráter didático-pedagógico, as vitrines, devidamente contextualizadas por painéis ilustrativos, buscam reproduzir o ambiente em que o artefato foi produzido e utilizado, ressaltando desse modo, o importante papel social do mesmo dentro da sociedade. A apresentação da cultura material de forma crítica permite o diálogo do público com o artefato contextualizado, consolidando o principal alvo das mostras, que é o homem e não o objeto. Seu objetivo é expor o conhecimento, a cultura do homem através do objeto, e não o objeto como pleno detentor deste conhecimento, pois assim como o homem o produziu em um determinado contexto, é o homem, o único capaz de inferir sobre sua função e significado. Tal proposta de exposição, vinculando o cotidiano do homem pré-histórico ao trabalho do arqueólogo, recuperando o momento vivido, tem surtido o efeito almejado, na medida em que oferece ao público, elementos para se entender o processo de recuperação do passado longínquo.

É assim que o SAEA, ou melhor, o MAEA – Museu de Arqueologia e Etnologia Americana –, deixa de ser mero expositor de objetos raros para se transformar em um espaço educativo, na medida em que os artefatos são vistos como portadores de um significado muito além da sua simples materialidade. Significado este, que advém do cotidiano daqueles que os utilizaram, fornecendo informações sobre características básicas das sociedades indígenas e do homem pré-cabralino. Os objetos são, assim, instrumentos privilegiados para a compreensão da relação dialética homem/natureza, e a sua possibilidade de transformá-la em prol de sua cultura. Estes conceitos estimulam o saber pensar do indivíduo e reafirmam o quanto é importante o que fazemos e produzimos.

 

 

Perspectivas

 

Ao buscar sua institucionalização dentro de um espaço físico adequado na UFJF, o MAEA procura desenvolver uma metodologia museológica que atenda suas exigências técnicas, tais como, a operacionalização da cadeia operatória museológica e a implementação do conjunto de técnicas museológicas que garantam o seu fazer museal. Esta proposta tem um perfil estruturado no sentido de: a) organização de um grupo orientador composto por professores qualificados; b) orientação a estudantes e equipe técnica; c) avaliação sobre as perspectivas do Museu através de análises sobre o diagnóstico e elaboração do projeto executivo para captação de recursos referentes à proposta técnico-científica e arquitetônica; e) elaboração de um plano diretor, que deverá ser revisado anualmente; f) redação de um regimento interno que contemple a vocação, operacionalização e implementação do conjunto de técnicas museológicas do Museu; g) definição dos espaços museológicos como a distribuição do espaço arquitetônico e técnico; h) documentação patrimonial e Patrimônio Musealizado; i) coleções e acervos; j) vestígios arqueológicos e articulação e desenvolvimento de parcerias com as prefeituras e órgãos ligados ao patrimônio, e l) desenvolvimento cultural da região.

Nossa meta principal no momento é tentar viabilizar a construção de um espaço físico adequado às normas técnicas de conservação, para acomodação do acervo do MAEA, e sua conseqüente consolidação dentro da universidade. Não obstante, pretendemos instituir na UFJF uma unidade social e cultural de caráter museológico, aberto à interação com a comunidade. Ampliar a atuação do Projeto de Mapeamento Arqueológico e Cultural da Zona da Mata Mineira. Viabilizar a implantação de núcleos regionais de museus a partir dos resultados do Projeto. Implantar processos de salvaguarda e comunicação ao acervo já existente no MAEA. Gerir e disponibilizar o acervo de Arqueologia e Etnologia para fins de ensino pesquisa e extensão. Promover a cultura local através do desenvolvimento de projetos de educação, pesquisa e extensão, bem como de exposições itinerantes, buscando valorizar os significados simbólicos deste contexto social. Resgatar e valorizar o patrimônio cultural e a memória coletiva da Zona da Mata Mineira. Integrar a comunidade em suas ações com vistas à conscientização e preservação do patrimônio cultural e da memória. Criar mecanismos que possibilitem a geração e captação de recursos externos. Instrumentalizar o MAEA de forma a dinamizar a realização de seus projetos e analise de dados. Possibilitar uma maior integração com o Instituto de Ciências Humanas e Letras da UFJF, e conseqüente integração por parte dos acadêmicos. Viabilizar instalações adequadas para conservação do acervo e para a estrutura e funcionamento do museu em si. Estas são algumas das metas que pretendemos alcançar com a consolidação do MAEA.

Museu de Arqueologia e Etnologia Americana