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Câncer de pulmão

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O câncer de pulmão era uma doença rara até o início do século XX, quando ocorreu uma mudança muito grande na produção e consumo do cigarro, associado a um novo padrão de cancerígenos inalados. O câncer de pulmão é associado ao maior número de mortes relacionadas ao câncer no ocidente. Acomete aproximadamente 1.800.000 pacientes, sendo 1.600.000 o número de mortes em 2012 no mundo. É uma doença rara antes dos 40 anos e em não fumantes, sendo o cigarro um fator de risco modificável, porém presente em 90% dos casos. Alguns agentes ocupacionais, como o asbesto, também estão relacionados ao aumento do risco.

Os tipos histológicos mais comuns são o carcinoma de células escamosas (CCE), adenocarcinoma, carcinoma de pequenas células e carcinoma de grandes células. O aparelho respiratório é revestido por epitélio cilíndrico ciliado pseudoestratificado, o qual é responsável por eliminar secreções e pequenas partículas através do batimento ciliar. Um dos mecanismos da patogênese do CCE é a transição desse epitélio, em resposta à exposição contínua de agente agressor, como a fumaça, em epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado. Esse fenômeno é chamado de metaplasia escamosa, uma alteração benigna, pois esse tecido é ainda mais resistente.

Os tumores denominados centrais são o CCE e o de pequenas células, e os “periféricos” são o de grandes células e o adenocarcinoma. Essa divisão é importante uma vez que, ao contrário dos periféricos, os centrais podem ser visualizados através de broncoscopia (procedimento endoscópico utilizado para visualização da árvore traqueobrônquica).

Os sintomas podem ocorrer por crescimento do tumor, invasão ou compressão de estruturas adjacentes e síndromes paraneoplásicas (sinais e sintomas gerados pela produção hormonal do tumor). O crescimento pode se apresentar assintomático, porém, pode haver tosse (45 a 74% dos casos, mais comum em tumores centrais), perda peso (46 a 68%), hemoptise (30 % dos casos), dispneia (50% dos casos), dor torácica (25 a 50% dos casos, quando há envolvimento pleural ou invasão de mediastino e parede torácica), entre outros.

Os sintomas mais comuns relacionados à compressão de estruturas adjacentes (principalmente associados ao carcinoma de pequenas células) são a síndrome da veia cava superior, a qual dificulta o retorno venoso, gerando edema, dispneia (ortopneia), tosse, veias torácicas dilatadas, confusão mental e cefaléia. O Tumor de Pancoast, localizado no ápice do pulmão direito, normalmente relaciona-se ao CCE, sendo seus sintomas dependentes da invasão de plexo braquial, dos vasos, dos arcos costais e das vértebras. Seus principais sintomas são: dor, alteração de temperatura corporal e atrofia muscular em ombro e do membro superior. O tumor de Pancoast, quando comprime o tronco simpático, pode gerar a Síndrome de Horner, desencadeando anidrose (incapacidade de transpirar), enoftalmia (afundamento do globo ocular dentro da órbita), miose (contração da pupila) e ptose palpebral (queda da pálpebra superior).

As metástases a distância são comuns e têm como principal sítio o acrônimo FOCA: fígado, osso, cérebro e adrenal.

Os indícios iniciais são visualizados em RX de tórax, sendo identificados massas ou nódulos tumorais. O rastreio com o RX, no entanto, não apresenta impacto na sobrevida, pois o tratamento é limitado, pouco eficaz e, muitas vezes, paliativo. Portanto, a prevenção é muito mais importante. TODO PACIENTE TABAGISTA DEVE SER FORTEMENTE ENCORAJADO A PARAR DE FUMAR.  

Referências bibliográficas:

BACH, P. B.  et al. Benefits and harms of CT screening for lung cancer: a systematic review. JAMA, v. 307, n. 22, p. 2418-29, Jun 13 2012.

BROADDUS, V. C. et al. Murray & nadel’s textbook of respiratory medicine, 2-volume set, 6th edition. 6 ed. Philadelphia: Elsevier, 2016. 2064 p.

LONGO, D. L. et al. Harrison’s principles of internal medicine. 18 ed. New York: McGraw Hill, 2011. 2800 p.

 

Teste sua cuca!

 

(UFPR) Sobre o quadro clínico do câncer de pulmão, considere as seguintes afirmativas:

  1. Carcinoma escamoso e carcinoma de grandes células formam massas centrais e por isso causam sintomas mais precoces, como tosse e hemoptise.
  2. Edema de MMSS, pletora facial e ingurgitamento venoso no tronco e braços são sinais da síndrome da veia cava superior e indicam tumor inoperável se houver invasão da veia cava.
  3. A síndrome de Horner ocorre por compressão do simpático e do gânglio estrelado e leva a enoftalmia, ptose palpebral, midríase e anidrose do lado acometido.
  4. O aparecimento de síndromes paraneoplásicas é mais comum nos carcinomas bronquíolo-alveolares, apesar de ocorrer também nos carcinomas escamosos.
  5. O carcinoma bronquíolo-alveolar pode apresentar-se nos exames de imagem com aspecto de “pneumonia”.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas 1, 3 e 5 são verdadeiras.

b) Somente as afirmativas 2 e 5 são verdadeiras.

c) Somente as afirmativas 3 e 5 são verdadeiras.

d) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras.

e) Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras.