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Fisiopatologia e noções iniciais da abordagem das diarreias

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As diarreias caracterizam-se pelo aumento da frequência evacuatória (mais de 3 vezes ao dia) e alteração na consistência das fezes. Existem diferentes mecanismos responsáveis por sua fisiopatologia, mas o critério mais importante no quadro agudo é o estado nutricional e de hidratação do paciente, pois a maioria dos quadros são autolimitados.

A fisiopatologia pode ser dividida em:

Como supracitado, em geral, nos quadros agudos não há necessidade de investigação profunda da causa, visto que a maioria das diarreias são limitadas (por volta de 7 dias). No entanto, é importante valorizar o estado nutricional e de hidratação do paciente. Alterações no turgor/elasticidade da pele, ausência de lágrimas, retração palpebral e alteração do estado mental são indicativos de desidratação. O tratamento com soro de reidratação oral está indicado para todos os pacientes, visto que o mecanismo de co-transporte Na/aminoácido/glicose, que otimiza a absorção de água no intestino delgado, mantém sua função. Em casos mais severos, pode-se optar pela hidratação venosa.

Alguns dados devem ser questionados para avaliação do agente agressor na fase aguda como o uso recente de antibióticos (infecção por C. difficile), esteatorreia (presença de gordura nas fezes, como por exemplo, no caso de infecção por Giardia), ingestão de alimentos com má conservação (infecção por S. aureus), visualização de parasitos, presença de sangue nas fezes e sua coloração (melena: sangue enegrecido semelhante a borra de café sugere hemorragia digestiva alta; e enterorragia/hematoquezia: sangue vermelho vivo nas fezes sugere hemorragia digestiva baixa) e idade (suspeita de carcinoma colorretal).

Quando as diarreias não melhoram após a fase aguda, deve-se investigar parasitoses, carcinoma colorretal, doença inflamatória intestinal, doença celíaca, dentre outros.

Referências bibliográficas:

CARDOZO, W.S; SOBRADO, C.W. Doença inflamatória intestinal. 2 ed. Barueri: Manole, 2015. 772 p.

CASPARY, W. F. Physiology and pathophysiology of intestinal absorption. American Journal of Clinical Nutrition, v. 55, n. 1, p. 299S‐306S, 1992.

ZATERKA, S.; EISIG J.N. (eds.). Tratado de gastroenterologia: da graduação à pósgraduação. São Paulo: Atheneu, 2011. 1288 p.

PORTO, C.C. Exame clínico: bases para a prática médica. 7 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012. 476 p.           

 

Questões :      

1. Considere uma paciente com antecedente de isquemia mesentérica, com colectomia total, em pós operatório em boa evolução com uso de nutrição parenteral. Durante a explicação do médico para a família, a respeito da síndrome de má absorção, ele informa que além da absorção de nutrientes, o intestino tem outras funções. Com base no caso clínico e nos conhecimentos correlatos, é correto afirmar que o intestino tem as funções de:

a) síntese de vitaminas, absorção de carboidratos, metabolismo da água e controle de pH corporal.

b) defesa do sistema cardiovascular, controle hídrico e regulação de proteínas.

c) barreira e defesa imune, absorção e secreção de líquidos e eletrólitos, síntese e secreção de várias proteínas, produção de diversas aminas bioativas e peptídeos.

d) sistema tampão do organismo, controle hídrico, produção de vitaminas e absorção de aminoácidos essenciais

e) defesa imune, produção de aminas e carboidratos, correção de distúrbios hidroeletrolíticos, controle hormonal.

 

2. Na diarreia aguda causada por infecção gastrointestinal com número elevado de evacuações líquidas e com possibilidade de desidratação, qual o mecanismo fisiopatológico provável:

a) osmótico.

b) motor.

c) exsudativo.

d) secretor.

e) funcional.