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Novembro Azul – mês mundial de combate ao câncer de próstata

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Introdução:

O câncer de próstata é frequente e uma causa comum de morte por câncer. Ao redor do mundo é o principal câncer diagnosticado em homens e a sétima causa de morte por neoplasia em indivíduos do sexo masculino. No Brasil, é a segunda maior causa de óbito oncológico no sexo masculino.

O INCA estimou a incidência de 61 mil novos casos em nosso país em 2017, o que representa o risco estimado de 61,8 casos a cada 100 mil homens. A taxa de mortalidade é de 14,9 a cada 100 mil homens, segundo dados de 2014. A chance de um homem americano desenvolver câncer de próstata é de 16%, enquanto o risco de morrer desse câncer é de apenas 2,9%. Acredita-se que estes dados sejam ainda subestimados e que muitos outros casos deste câncer não se tornem clinicamente evidentes, como sugerem séries de autópsias.  Esses dados indicam que, no geral, o câncer de próstata cresce de forma tão lenta que a maioria dos homens morre de outras doenças antes que a neoplasia se torne evidente. Apesar disso, é uma doença tão comum que um programa de rastreio é discutido para viabilizar a identificação daqueles homens com doença assintomática e tumores agressivos localizados, nos quais o tratamento precoce poderia evitar que a doença evoluísse e gerasse perda de qualidade de vida do indivíduo.

Fisiologia do sistema reprodutor:

Os órgãos do aparato reprodutor masculino são os testículos, um sistema de “tubos” (ducto deferente, ducto ejaculatório e uretra), as glândulas sexuais acessórias (próstata, glândula bulbouretral e vesículas seminais) e diversas estruturas de suporte, incluindo o escroto e o pênis.

Os testículos produzem espermatozoides e secretam hormônios, principalmente a testosterona, responsável pelo desenvolvimento dos órgãos genitais masculinos e caracteres sexuais secundários. O sistema de ductos do testículo transporta e armazena espermatozoides, auxiliana sua maturação e os conduz para o exterior. O sêmen contém espermatozoides mais as secreções das glândulas sexuais acessórias, que produzem um líquido que ajuda tanto na proteção seminal quanto na fluidez deste, para que consiga se movimentar através do sistema de condução dos órgãos sexuais masculinos.

A próstata:

A próstata é uma glândula que faz parte do sistema reprodutor masculino, cuja função é a produção de líquido que nutre os espermatozoides. Localiza-se logo abaixo da bexiga e a frente do reto, o que justifica seu fácil acesso no exame físico através do toque retal.

O câncer de próstata:

O câncer de próstata exibe uma grande variedade de apresentações: ao mesmo tempo em que pode levar ao óbito um paciente, outro pode vir a conviver com a doença por anos com pouca ou nenhuma manifestação clínica, vindo a falecer por outras causas. Dentre os fatores de risco para o desenvolvimento da neoplasia, destacam-se a idade avançada (a partir de 55 anos), a história familiar do câncer (homens com pais ou irmãos que desenvolveram a doença antes dos 60 anos), o sobrepeso e a obesidade.

Em sua fase inicial, pode não apresentar sintomas, motivo pelo qual o rastreio ativo é defendido por alguns especialistas. Quando os sintomas aparecem, estes geralmente se relacionam com a obstrução do trato urinário. Lembre-se que a glândula se encontra abaixo da bexiga, abraçando o canal de saída da urina (a uretra). Com o aparecimento do câncer, que é a replicação desordenada de células defeituosas, pode-se desenvolver: dificuldade em urinar, assim como demora em iniciar ou terminar o ato em si; diminuição do jato de urina; e aumento, além do necessário, da frequência de idas ao banheiro. Esses sintomas se parecem muito com os de hiperplasia prostática benigna, que é o aumento benigno da próstata associado à idade. Esta também pode levar aos mesmos sintomas, inclusive ao aumento do PSA (um dos exames utilizados para rastreio). Portanto, o diagnóstico diferencial entre uma condição benigna e uma maligna depende da avaliação de um profissional da área. Ao contrário do câncer de próstata, a hiperplasia da glândula, salvo em situações de complicações, não é uma condição que ameace a vida do paciente.

Os exames utilizados para identificar o câncer de próstata:

Para rastreio da condição, ou seja, identificação dos indivíduos com risco aumentado de apresentar a doença, realiza-se o toque retal e a dosagem sanguínea de PSA. Qualquer alteração de um desses exames leva ao passo seguinte da investigação, no qual é solicitada a biópsia da próstata (exame no qual se obtém um pequeno pedaço de tecido da glândula para análise laboratorial).

O toque retal faz parte do exame físico e através dele o médico consegue avaliar o tamanho, a consistência e a forma da próstata. Já a dosagem de PSA é um exame laboratorial que mede uma proteína produzida pela glândula e excretada no líquido seminal. Os valores de PSA se aumentam no câncer de próstata, mas é importante lembrar que é um exame pouco específico, ou seja, várias condições podem levar ao aumento dos níveis de PSA no sangue, dentre elas a prostatite e a hiperplasia prostática benigna.

Tratamento:

O tratamento do câncer de próstata pode variar desde a vigilância ativa nos estágios iniciais até a condução de intervenções como cirurgia, radioterapia e uso de hormônios. No primeiro caso, a neoplasia é acompanhada em intervalos regulares de tempo, com observação de sua estabilidade ou evolução.

Discussão:

Tanto o Ministério da Saúde quanto a Organização Mundial de Saúde não recomendam o rastreio do câncer de próstata para indivíduos assintomáticos. Já a Sociedade Brasileira de Urologia tende a reafirmar a importância do acompanhamento da neoplasia. Por um lado, o diagnóstico precoce da doença pode aumentar a chance de sucesso no tratamento. Por outro, alguns indivíduos que porventura jamais desenvolveriam a doença agressiva, se submeteriam a uma terapêutica que pode gerar grande morbidade, como incontinência urinária e impotência sexual. As diversas Sociedades tendem a concordar que abordagem dever ser individualizada, na qual a decisão sobre o rastreio é compartilhada entre o médico e o paciente. Isso somente após o esclarecimento dos possíveis danos e benefícios da conduta, assim como dos fatores predisponentes inerentes ao paciente, como raça, idade e história familiar.

Fonte:

SOCIEDADE BRASILEIRA DE UROLOGIA. Guia Prático de Urologia. Segmento, 2003.  

Referências bibliográficas:

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Programa nacional de controle do câncer da próstata: documento de consenso. Rio de Janeiro: INCA, 2002.

HALL, John. Guyton & Hall – Tratado de fisiologia médica. 13.ed. Jackson, Missisipi: Elsevier, 2017.

JUNIOR, A.N.; FILHO, M.Z.; REIS, R.B. Urologia fundamental – Sociedade Brasileira de Urologia. 1 ed. São Paulo: Planark, 2010.

SROUGI, M.; RIBEIRO, L.; PIOVESAN, A.; COLOMBO, J.; NESRALLAH, A. Doenças da próstata. Revista de Medicina, v. 87, n. 3, p. 166-177, set., 2008.