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Acidente vascular cerebral

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Acidente vascular cerebral (AVC) – educar para evitar

            Você sabia que o dia 29 de outubro é o Dia Mundial do AVC? A condição conhecida popularmente como “derrame” é uma das principais causas de morte e incapacidade adquirida em todo o mundo. A cada ano, cerca de 17 milhões de pessoas têm AVC no mundo, 6,5 milhões morrem por essa condição, sendo esta a principal causa de morte na população adulta no Brasil e de 10% das internações em hospitais públicos.

            O cérebro é a criação mais perfeita da natureza. Pesando menos de 2 kg e constituindo menos de 2% do peso corporal, ainda assim consome 20% do débito cardíaco (0,8 a 1,2 litros) que é o total de sangue que o coração ejeta em um minuto (4 a 6 litros). É muito sangue! É um órgão muito nobre, encarregado de realizar o controle das funções vitais do organismo, elaborar pensamentos, distinguir emoções, adquirir e armazenar memória, controlar a motricidade, dentre tantos outros papeis essenciais ao bom funcionamento do organismo, por isso precisa de grande quantidade de energia para se manter ativo. As células nervosas (neurônios) utilizam exclusivamente glicose como fonte energética e não são capazes de fazer metabolismo anaeróbio (sem oxigênio), sobrevivendo no máximo 3 minutos sem oxigênio.  

            Mas o que é um AVC? É uma lesão cerebral de origem vascular que culmina em um déficit focal (deficiência motora, sensitiva, da fala, entre outras). E como ele ocorre? Existem dois tipos principais: o isquêmico e o hemorrágico.

Os hemorrágicos são menos frequentes e ocorrem devido ao derramamento de sangue no parênquima cerebral, o qual prejudica o funcionamento neuronal. Pode ocorrer principalmente por crises hipertensivas graves (o que causa rompimentodas artérias), rotura de aneurisma cerebral (rompimento de uma parte anormal do vaso, que já está dilatada) e por trauma.

Os eventos isquêmicos são de maior prevalência e ocorrem devido à privação de oxigênio ao parênquima cerebral. São três suas fisiopatologias mais comuns:

1) Trombótico: ocorre secundariamente à formação de placa aterosclerótica na parede dos vasos sanguíneos, que se inicia por deposição de gordura abaixo da camada endotelial (camada celular em contato com a luz do vaso sanguíneo), devido ao aumento do colesterol de baixa densidade no sangue. O fluxo sanguíneo, que originalmente era laminar, passa a ser turbilhonado, e quando a placa é exposta diretamente ao fluxo sanguíneo inicia-se a agregação plaquetária (trombo branco) seguida de conglomerado de rede de fibrina, que agrega as células presentes durante o processo de coagulação (trombo vermelho). Têm prevalência maior com o avançar da idade associado a fatores de risco cardiovascular, tais como: obesidade, hipertensão arterial, dislipidemias, sedentarismo, tabagismo e PCR (um marcador de inflamação, sendo um achado subclínico nos pacientes com os fatores de risco supracitados).

2) Embólico: são eventos súbitos decorrentes da oclusão arterial por êmbolos. Sangue parado tende a se coagular, o que forma um trombo, o qual pode se desprender do seu local de origem formando um êmbolo. Esse êmbolo viaja na circulação sanguínea e poderá ocluir vasos sanguíneos menores no território cerebral. A principal fonte de êmbolos é o coração, principalmente após alguns eventos como fibrilação atrial (sangue fica parado nos átrios) e infarto agudo do miocárdio (parte do coração para de se contrair). Porém, os êmbolos podem ter sua origem em veias profundas (trombose venosa profunda) e se deslocar em direção ao coração. Ao invés de irem para as câmaras direitas do coração, que bombeiam sangue para ser oxigenado no pulmão (causando a mais clássica embolia pulmonar), o êmbolo atravessa para o coração esquerdo e, então, atinge a circulação cerebral. Isso pode ocorrer em pessoas que possuem forame oval patente (uma comunicação entre os dois lados do coração).

3) Lacunar: a hipertensão arterial promove um espessamento do complexo médio-intimal da microvasculatura cerebral (camada dos vasos que aumenta de tamanho devido a alta pressão na sua parede), gerando pequenos infartos focais (menores do que 1cm). Esses pequenos infartos também geram a demência vascular e Parkinsonismo atípico, assunto para outra aula.

Ainda não entendeu? Segue o link de um vídeo simples e didático: https://www.youtube.com/watch?v=w20w4e9ZZEg

Entendi a fisiopatologia. Mas como reconhecer que alguém está tendo um AVC? Fique atento às seguintes características:

S: sorriso peça a pessoa para sorrir;

A: abraço peça a pessoa para levantar o braço;

M: mensagem peça a pessoa para cantar ou repetir uma frase;

U: urgente chame imediatamente o SAMU!!! (Tempo é cérebro! Quanto mais rápido, menos neurônios serão mortos).

E como faço para prevenir? As medidas não farmacológicas incluem:

Medidas farmacológicas: o tratamento será feito de modo a reduzir os fatores de risco para cada uma das fisiopatologias. Assim, um médico deverá ser consultado para definir a melhor terapia para cada caso, com base nos fatores de risco apresentados.   

Referências bibliográficas:

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THRIFT, A.G.; THAYABARANATHAN, T.; HOWARD, G.; HOWARD V.J.; ROTHWELL, P.M.; FEIGIN, V.L.; NORRVING, B.; DONNAN, G.A.; CADILHAC, D.A.Global stroke statistics.International Journal of Stroke, v. 9, n. 1, p. 6-18,jan., 2014.