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Jardim Botânico é um importante fragmento florestal, valioso para pesquisas, com mais de 500 espécies vegetais (Foto: Caique Cahon/UFJF)

A Mata Atlântica é um dos biomas mais ricos e importantes do mundo, com cerca de 20 mil espécies vegetais, incluindo diversas espécies endêmicas e ameaçadas de extinção. No Brasil, a quantidade corresponde a aproximadamente 35% das espécies existentes em seu território. Em relação à fauna, o bioma abriga, aproximadamente, 850 espécies de aves, 370 de anfíbios, 200 de répteis, 270 de mamíferos e 350 de peixes.

 

Além da riqueza de espécies, o desenvolvimento histórico na costa brasileira resultou em diversas populações locais, campesinas, indígenas, quilombolas e tradicionais, que armazenam e reconstroem riquíssimos sistemas de conhecimento e manejo. Esse bioma sociobiodiverso foi devastado pelos diversos processos de ocupação territorial pós-colonização portuguesa.

 

Infelizmente, as ameaças não se encerram no passado, mas desdobram-se nos dias atuais e assumem diferentes configurações de um mesmo largo e antigo processo: monoculturas, mineração e grandes empreendimentos. Como resultado, os remanescentes de Mata Atlântica estão dispersos na costa brasileira formando um grande mosaico.  

 

Neste grande contexto, encontramos o município de Juiz de Fora, em Minas Gerais, historicamente formado pelos ciclos do café, gado e indústria. Atualmente, a cidade possui cerca de 25% do seu território coberto por “florestas secundárias” – aquelas que se formaram pela regeneração natural depois de sua completa supressão -, totalizando aproximadamente 28 mil hectares de Floresta Atlântica.

 

Os 85 hectares, aproximadamente, do Jardim Botânico da Universidade Federal de Juiz de Fora estão em regeneração há cerca de 80 anos, compondo localmente o grande mosaico Florestal Atlântico. O Jardim ainda integra um dos últimos refúgios de Floresta Atlântica localizados na região urbana do município, a Mata do Krambeck, com área total de 512 hectares.

 

Potencial para pesquisas

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Família botânica Bromeliaceae é uma das mais abundantes no Jardim (Foto: Twin Alvarenga/UFJF)

O fragmento florestal do Jardim Botânico torna-se valioso para a pesquisa científica e, portanto, para a construção do conhecimento que permite melhor entender as dinâmicas temporais e espaciais da sociobiodiversidade. O avanço das pesquisas no Jardim Botânico permite contribuir para a conservação da diversidade local e dos sistemas populares de conhecimento, ou seja, da sociobiodiversidade.

 

Por meio de pesquisas coordenadas por diferentes setores da Universidade Federal de Juiz de Fora são realizados no Jardim Botânico diversos trabalhos de conclusão de curso, dissertações de mestrado e teses de doutorado. Estimam-se que, em menos de dez anos, desde que a universidade adquiriu a área, em 2010, mais de 50 pesquisas já foram realizadas no local, em diversas áreas das ciências naturais, como ecologia vegetal, comportamento animal, taxonomia e evolução.

 

Para se ter uma ideia, os trabalhos de levantamento florístico, que se preocupam em conhecer as plantas existentes em um local, já identificaram mais de 500 espécies vegetais, com destaque para as famílias botânicas Fabaceae, Melastomataceae, Rubiaceae, Solanaceae e Bromeliaceae.

 

Incluem-se nessa listagem, espécies ameaçadas de extinção, como o pau-brasil – Paubrasilia echinata (Lam.) Gagnon, H.C. Lima & G.P. Lewis) e o ipê roxo – Handroanthus impetiginosus (Mart. ex DC.) Mattos, o que mostra a importância e o potencial para a conservação deste remanescente florestal.

 

Recente pesquisa publicada em uma importante revista científica indica que o fragmento florestal do Jardim, no município de Juiz de Fora, é um corredor ecológico de biodiversidade, situado entre a Serra do Mar e Serra da Mantiqueira. Representa assim uma área de transição entre as florestas úmidas que ocorrem, no estado do Rio de Janeiro, e as florestas estacionais de Minas Gerais.

 

O fragmento florestal urbano do Jardim Botânico da UFJF reúne características que permitem considerá-lo um valioso ecossistema para a melhoria da qualidade de vida local. Possui elevado potencial para o desenvolvimento de pesquisas e fornece benefícios ambientais, socioculturais e econômicos, como, abrigo para a fauna, desenvolvimento de processos ecológicos, estabilidade do microclima, interceptação de chuvas, manutenção das nascentes e melhoria da qualidade de vida local. Além disso, trata-se de uma área de Floresta Atlântica fundamental para a conectividade entre remanescentes florestais no município de Juiz de Fora e região.

 

Como desenvolver pesquisas no Jardim Botânico

 

Em breve será divulgado o formulário online para cadastro de propostas de pesquisas no Jardim Botânico, assim como as orientações e as normas para a realização das atividades.

 

Os projetos poderão ser apresentados por professor efetivo, visitante ou pesquisador associado da UFJF, como também por profissionais externos. Nesse último caso, será preciso formalizar parceria ou convênio com a instituição.

 

As atividades deverão ser registradas e aprovadas pelo Conselho Setorial de Pós-graduação e Pesquisa da UFJF e pela Direção do Jardim Botânico, a qual emitirá parecer analítico em, no máximo, 30 dias após a submissão do pedido.

 

Para a realização das pesquisas, o profissional deve seguir todas as orientações e as normas do Jardim Botânico, de órgãos ambientais e de outras áreas relacionadas à investigação, principalmente em casos de coleta e transporte de material biológico ou de marcação e captura de animais silvestres.