UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora

Incorporação de hábitos pode frear crescimento da gripe

Data: 12 de setembro de 2009

Servidores do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU/UFJF) participaram de mais uma palestra sobre a Gripe A (H1N1). O infectologista Rodrigo Daniel de Souza abordou as formas de prevenção e transmissão da doença, como deve ser o contato com pacientes e esclareceu dúvidas da equipe do Hospital. O médico defende que mudanças de hábito, neste momento, são fundamentais para alterar a curva de crescimento de casos da doença, citando a desaceleração do índice de Aids na população, após ter sido incorporado o uso de preservativo.

Entre as práticas, o médico lista a higienização das mãos. “Elas devem ser lavadas quando houver contato com secreção, ao tossir, espirrar, tocar o nariz ou boca; após o uso de transporte público, por ter a possibilidade de ter tocado em superfície contaminada; antes de refeições, ao usar o banheiro, estar em contato com lixo, terra, detritos e dejetos de animais”, lista o médico. E uma recomendação para o cuidado com crianças é lavar as mãos, após compartilharem brinquedos.

A palestra ocorreu, na unidade Dom Bosco, na manhã de quarta-feira, dia 12, como parte das ações que a Comissão de Referência à Influenza A (H1N1), a qual integra o Comitê de Monitoramento e Orientação de Conduta da UFJF, vem realizando durante a semana. É o terceiro encontro no HU. E, nesta quinta-feira, dia 13, às 9h, o Comitê fará a reunião semanal na UFJF.

De acordo com o infectologista, outras mudanças de hábito para não transmitir ou ser contagiado com a gripe A são: evitar aglomeração de pessoas, cobrir com lenço de papel a boca e nariz quando espirrar ou tossir e jogá-lo fora em seguida. “Se não tiver um lenço, use o antebraço para barrar o espirro ou tosse, e lave-o depois”, recomenda. Se a pessoa tiver sinais da gripe, evitar abraços, beijos ou apertos de mão e, se as mãos não estiverem lavadas, não se deve mexer nos olhos, nariz e boca.

O álcool em gel ou água e sabão são suficientes para eliminar o vírus das mãos, outras partes do corpo e superfícies contaminadas. O médico recomenda o uso de álcool em gel, no Hospital, “porque a limpeza é mais ágil, gastando 30 segundos para a higienização, metade do que se dispensa com água e sabão para uma lavagem ideal”. No entanto, Rodrigo Daniel diz que, “caso a mão esteja suja, o melhor é lavá-la com água e sabão, pois o álcool não retira a sujidade que pode encobrir algum vírus ou bactéria”.

O médico recomenda a atenção diferenciada a gestantes. “A letalidade constatada entre elas é 3,4 vezes maior do que entre outros pacientes”, afirma. Os obesos mórbidos, pneumopatas, diabéticos, usuários de medicamentos imunodepressores, pacientes imunodeprimidos (com Aids, leucemia etc), em tratamento quimioterápico e quem faz uso prolongado de corticóides compõem também o grupo de pessoas mais suscetíveis à Gripe A.

Máscaras cirúrgicas

Rodrigo Daniel frisou que, somente quando a distância com o paciente for menor do que um metro – que é o quanto alcançam os aerossóis, partículas liberadas ao tossir e espirrar -, é que se deve usar máscara cirúrgica. Ao contrário do que se pensa, ela é eficaz na proteção, “porque os vírus não são espalhados isoladamente, vão junto com as gotículas respiratórias, maiores do que os poros das máscaras.” Para melhor aproveitar a eficácia delas, ele recomenda trocá-las a cada três horas de uso ininterrupto, manusear apenas pelas tiras, nunca usá-las pendurada no pescoço e não tocar a área que protege a boca e o nariz, pois poderá ter sido contaminada.

“Nos procedimentos que geram aerossóis, como aspiração, intubação endotraqueal, videolaparoscopia, o profissional deve usar o respirador N95 para se proteger”, pois é mais potente que a máscara. Outros modelos também são recomendados: N99, N100 e PFF 2/3. O infectologista estima que se necessária a internação de um paciente, serão gastas cerca de 120 máscaras por dia por paciente.

O médico ressaltou que 90% da transmissão da doença ocorre por meio de gotículas respiratórias, contendo o vírus, dispersadas pelo espirro, tosse, coriza, ou mesmo quando se fala. Os 10% restantes são devidos ao contato com alguma superfície contaminada, após a pessoa levar a parte do corpo que tocou o objeto à boca, olhos, ou nariz.

O intervalo de tempo entre a contração do vírus e a manifestação dos primeiros sintomas é de um a cinco dias após o contato com o H1N1. Esse é o chamado período de encubação. Já na disseminação, “um adulto saudável é capaz de transmitir a doença para outra pessoa, em média, um dia antes do aparecimento dos sintomas e até sete dias depois”, afirma. Por isso, explica o médico, medidas são tomadas para evitar o contato com pessoas gripadas nesse período.

A recomendação do médico, que é secretário da Comissão do HU e membro do Comitê da UFJF, é, em caso de pacientes com sintomas de gripe, entregar uma máscara cirúrgica para o doente, a fim de evitar a transmissão da doença. Os sintomas da Influenza A incluem febre alta, acima de 38ºC, com duração de 3 a 4 dias; dor de cabeça com início súbito e intenso; dores musculares geralmente intensas; cansaço que pode durar de duas a três semanas; algumas vezes, pode ocorrer congestão nasal e dor de garganta e, quase sempre, tosse. Alguns mitos ainda foram lembrados ao infectologista, como utilizar pedra de cânfora e chá de alho para ajudar na prevenção. “Não têm fundamento científico”, afirma.

Infectologista fala sobre prevenção, sintomas e transmissão da gripe

Infectologista fala sobre prevenção, sintomas e transmissão da gripe

Fazem parte da Comissão do HU, que compõe o Comitê da UFJF, os médicos infectologistas Ronald Kleinsorge Roland e Rodrigo Daniel de Souza; o epidemiologista Evandro Tomasco Abreu; o pneumologista Júlio Cesar Abreu de Oliveira; a pediatra Aydra Mendes Bianchi; os enfermeiros Everaldo César Motta e Maria Aparecida Pereira dos Reis; e o chefe do Serviço de Hotelaria do HU, Ricardo de Paulo Cimino. O Comitê conta com a participação dos profissionais do HU, diretores das unidades acadêmicas e de institutos da Universidade.

Outras informações: (32) 4009-5393 – Assessoria de Comunicação HU

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