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Aristóteles

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por Pablo Rafael

Aristóteles foi um personagem importante no desenvolvimento do pensamento, tendo vivido na Grécia no século IV A.C. Discípulo de Platão deu significativas contribuições em diversos campos como, ética e metafísica, entre outros. Foi considerado o pai da Biologia, sendo o autor do conceito de classificação dos animais, aperfeiçoou métodos de observação controlada, em que estudou a embriologia dos frangos, com a ambição de descobrir a sequência de desenvolvimento dos órgãos. Contribuiu também no processo de raciocínio dedutivo na forma silogística, como por exemplo: Todos os homens são mortais. Sócrates é homem. Logo, Sócrates é mortal.

Focaremos aqui a parte que diz respeito à Física desenvolvida por Aristóteles, conhecida como a Física do senso comum, pois é a Física que a maior parte das pessoas acreditam e baseiam seus raciocínios quanto à natureza.

Quanto ao movimento natural dos corpos Aristóteles observou que alguns corpos da Terra são leves e outros pesados, e atribuiu a essa propriedade como advinda da proporção dos elementos de que era feito. Para ele todos os objetos terrestres eram constituídos de quatro elementos fundamentais – ar, terra, fogo e água. –

A Terra sendo naturalmente pesada possuía um movimento natural descendente, o fogo por outro lado por ser leve possuía um movimento natural ascendente. Sendo assim os objetos eram leves ou pesados dependendo da proporção de matéria pesada ou leve de que era constituído. E seu movimento seria dependente dessa proporção.

Segundo Aristóteles o movimento natural de um corpo terrestre é retilíneo, para cima ou para baixo, ao longo de um vertical passando pelo centro terrestre e pelo observador.

Quanto ao movimento de objetos observados que se movem de maneira diferente da descrita acima, como por exemplo, a de uma flecha que se desloca aparentemente numa direção horizontal; segundo ele, o movimento desses corpos é contrário à natureza do corpo e foi classificado como um movimento violento. Esse tipo de movimento somente ocorre se houver uma força que lhe imprime e mantém o movimento.

Quanto ao movimento de corpos celestes: as estrelas, os planetas e o Sol, movem-se em torno da Terra em círculos. Para Aristóteles os corpos celestes não são constituídos pelos mesmos elementos dos objetos terrestres, e sim por um quinto elemento chamado Éter, cujo movimento natural é circular, portanto o movimento circular que se observa dos corpos celestes é o movimento natural desses corpos.

Na visão de Aristóteles o Éter era uma substância incorruptível, enquanto que os quatro elementos formadores dos objetos terrestres eram sujeitos a alterações, ou seja, eram corruptíveis, considerando assim os corpos celestes como incorruptíveis enquanto que os corpos terrestres eram passíveis de mudanças de comportamentos. Os planetas, o Sol e as estrelas eram considerados corpos perfeitos, e durante séculos foram comparados a diamantes eternos em virtude de suas propriedades de imutabilidade. No entanto havia um corpo celeste no qual podia se detectar certa mudança de comportamento, a Lua, devido à sua grande proximidade da Terra.

Aristóteles constatou que havia dois fatores que eram de grande importância, em todo movimento, a força motriz (F) e a resistência (R). Segundo ele para haver movimento é necessário que F>R, e para essa verificação pode-se considerar a seguinte experiência:

Usando duas bolas de aço, de mesmo tamanho, peso e forma, ambas são soltas simultaneamente de uma mesma altura, uma em presença de ar e outra em presença de água.

O experimento encontra-se esquematizado na figura 1, abaixo.

Experimento resistência - Aristóteles 

Verifica-se com esse experimento que a velocidade da bola na presença de ar, é bem maior do que a bola em queda na presença de água. O experimento pode ser testado em diversos outros meios para fins de comparação, e o resultado pode ser escrito sob a forma de equação em que a velocidade é inversamente proporcional à resistência oferecida pelo meio, 1; ao repetir a experiência utilizando agora no lugar de ar, o azeite, verifica-se que a resistência oferecida pelo óleo é maior do que a resistência oferecida pela água, que por sua vez oferece uma resistência maior que a do ar.

Para se verificar a dependência da velocidade com o formato do corpo, pode-se recorrer novamente a um cilindro cheio de água, deixando cair simultaneamente de uma mesma altura, duas esferas, ambas de aço, uma pequena e uma grande. A bola maior, mais pesada, chega ao fundo primeiro; quanto ao tamanho, que pode influenciar, este seria prejudicial à bola maior. Novamente recorrendo a diversos meios verifica-se que a bola maior ganha mais velocidade sendo assim a velocidade é proporcional à força motriz ou combinando as duas equações obtidas,2 , , esta última equação  conhecida como lei aristotélica do movimento. É claro que as equações não foram escritas por Aristóteles, pois isto se trata de um moderno processo de exprimir os resultados.

Para o resultado em que R = F a equação não leva ao resultado V = 0, ou seja, só é verdadeira quando F > R, sendo que essa consideração não serve como lei universal das condições de movimento.

Outro problema é o caso em que se considera dois objetos de mesmo tamanho, mesma forma, mas de pesos diferentes.  Com base na lei aristotélica responde-se que ao deixar cair esses dois corpos através de um mesmo meio, por exemplo, água, o mais pesado chegaria primeiro, como no experimento seguinte: deixa-se cair dois objetos de mesmo tamanho e forma com pesos na razão 1 para 2, o que implica que a velocidade do objeto mais pesado, segundo a visão aristotélica, seria o dobro da do objeto mais leve. Implica ainda que o tempo de queda da bola mais pesada seria a metade do tempo de queda da bola mais leve, mas o que se verifica não é o esperado.

Hoje em dia, muitos ainda acreditam nessa forma de pensar com relação ao movimento dos corpos, pesquisas realizadas comprovam que mesmo quando aplicados em alunos que já cursaram este conteúdo na universidade, cerca de 25% destes ainda têm incorporadas concepções aristotélicas do movimento.

Quanto ao movimento da Terra, Aristóteles acreditava que esta permanecia em repouso, pois argumentava que se nosso planeta estivesse em movimento, um corpo arremessado verticalmente para cima não poderia retornar ao mesmo local de onde foi lançado, mas cairia ligeiramente afastado devido ao deslocamento sofrido pela Terra enquanto o corpo arremessado estivesse realizando o movimento de subida e descida. A interpretação correta desse fenômeno se deu somente mais tarde com os trabalhos de Galileu.

 

Bibliografia

Cohen, Bernard. O nascimento de uma nova física. EDART – São Paulo – Livraria Editora LTDA. 1967.

Temas de História e Filosofia da Ciência no Ensino / Luiz O. Q. Peduzzi, André Ferrer P. Martins e Juliana Mesquita Hidalgo Ferreira (Org.). – Natal: EDUFRN, 2012.

ROSA, Carlos Augusto de Proença. História da ciência: o pensamento científico e a ciência no século XIX / Carlos  Augusto de Proença. ─ 2. ed. ─ Brasília : FUNAG, 2012.

 

 

 

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