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Professora da UFRJ ministra palestra de abertura do Ano Internacional da Estatística

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Data: 22 de fevereiro de 2013

 

Divulgar a Estatística e os benefícios que este campo de conhecimento pode trazer à sociedade, aperfeiçoando a qualidade dos bens e serviços, é o principal objetivo do Ano Internacional da Estatística (AIE). As comemorações do AIE foram iniciadas, na UFJF, nesta quinta, 21, com palestra ministrada pela professora Alexandra Mello Schmidt, do Instituto de Matemática (IM) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

 

A professora da UFRJ tratou da aplicação no cotidiano e na ciência dos princípios da estatística, sintetizados pela expressão “A única certeza é que (quase) tudo é incerto…”, afirmação do matemático Bruno De Finetti sobre a importância da “incerteza” para o trabalho do estatístico. Segundo Alexandra, “nós somos dominados pela incerteza, uma vez que, quando nascemos, a única certeza é a da morte. O que podemos fazer é descrever a incerteza e, desta forma, estabelecer correlações e procurar determinar previsões”.

 

A professora citou exemplos de como a atuação dos estatísticos pode oferecer parcerias para um ganho qualitativo em trabalhos dos mais diversos setores, tais como a meteorologia ou a medicina. “A estatística pode ser aplicada à variação de temperaturas no Rio de Janeiro. Se listarmos a temperatura de determinados pontos da cidade, podemos observar que nas regiões mais próximas ao ponto em que houve registro a temperatura se assemelha à registrada. Por outro lado, à medida que nos distanciamos do local de marcação, torna-se mais difícil identificá-la, as temperaturas são mais independentes. O profissional de estatística, neste caso, pode, a partir dessa correlação, aplicar uma dada metodologia para descrever esta incerteza, de modo a oferecer previsões.”

 

Outro exemplo citado por Alexandra é o da doença de Raynaud, que afeta o fluxo sanguíneo nas extremidades do corpo, quando exposto a variações de temperatura ou condições de estresse. De acordo com a professora, em pesquisa recente os pacientes da doença foram divididos em dois grupos, um de pessoas que portam a enfermidade há pouco tempo, outro de doentes em estado avançado. A esses dois foi acrescido um terceiro, de pessoas saudáveis. A partir da observação dos três grupos, os estatísticos podem destacar alguns pontos.

 

“A mão demora a recuperar circulação, portanto a temperatura cai. A partir daí, temos de responder a diversas perguntas: o quanto cai em saudáveis? Quanto em recém doentes? E nos doentes há mais tempo? Em seguida, podemos melhorar o recorte e questionar como a temperatura varia em função da proximidade com a ponta dos dedos, contrapondo o resultado encontrado nas pessoas saudáveis com aqueles dos dois grupos de doentes. Encontrado dados para os três grupos, pode ser estabelecido uma função média dos três, e partir à identificação de uma explicação biológica para os dados encontrados.”

 

Oferta de estatísticos ainda não supre a demanda

 

O sucesso de tais aplicações tem motivado uma insistente procura de diversos setores da sociedade por profissionais em estatística, de acordo com a coordenadora da organização do evento, a professora do departamento de estatística da UFJF Ângela Mello Coelho. Ela afirma, porém, que as instituições de ensino superior ainda não conseguem oferecer o número de profissionais necessário para suprir essa demanda. “A falta de divulgação da estatística é um obstáculo. Por isso, o principal objetivo de um evento como esse é apresentar o curso.”

 

Para o chefe do departamento de Estatística da UFJF, o professor Marcel de Toledo Vieira, a comemoração do AIE e a consequente divulgação da graduação em Estatística podem, dada a procura por profissionais da área, oferecer melhoria de qualidade de vida a toda a sociedade. “Mesmo que nem sempre consigamos perceber, muita coisa que melhora a nossa vida é fruto da atuação de um profissional em estatística. Desde a qualidade dos alimentos, dos serviços que nos são oferecidos, até a eficácia de um produto tecnológico.”

 

Mais informações: Departamento de Estatística – (32) 2102-3306/3320

 

Fonte: http://www.ufjf.br/secom/2013/02/22/professora-da-ufrj-ministra-palestra-de-abertura-do-ano-internacional-da-estatistica/