UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora

Falhas no sistema de coleta seletiva de Juiz de Fora exigem reestruturação

Data: 11 de abril de 2012

As falhas no sistema de coleta seletiva de Juiz de Fora têm levado moradores a desistirem de fazer a separação do lixo nas suas casas. Em vários pontos da cidade, é possível encontrar pessoas insatisfeitas com o serviço, por causa da irregularidades na rota dos caminhões e até abandono do atendimento em algumas ruas. Apesar de, no site do Demlurb, estar a informação de que “90% dos bairros (principais ruas) são atendidos pelo serviço”, o órgão admite o problema, justificando a sobrecarga no sistema de coleta convencional, o que exige o deslocamento dos veículos que antes eram destinados ao atendimento especial. No entanto, a afirmação é de que será aberto processo licitatório para a contratação de novos caminhões destinados ao setor e uma parceria inédita com associações de catadores para incrementar a coleta, evitando o desperdício.

O diretor de Operações do Demlurb, Paulo Delgado, afirma que, na tentativa de solucionar o problema, deverá ser iniciado, no próximo dia 19, o processo licitatório que escolherá uma empresa responsável por operar dois caminhões, incluindo motoristas e quatro ajudantes. Os veículos, que devem entrar em circulação em até dois meses, serão exclusivamente destinados aos recicláveis, tendo as rotas divulgadas por meio de campanhas. O contrato, estimado em R$ 1.104.351,12, terá validade de três anos. Delgado também explicou que os outros dois caminhões que eram usados no serviço especial serão incorporados à frota convencional, para suprir a sobrecarga. Além disso, o departamento já prepara adequações internas com a mesma finalidade.

Enquanto as mudanças não são colocadas em prática, as reclamações sobre as perdas vêm de várias regiões. Moradora da parte alta do Cascatinha, na Zona Sul, a dona de casa Ionice Toledo conta que os caminhões da coleta pararam de passar em sua rua. “Há cerca de oito meses, um funcionário da Prefeitura fez uma reunião com os moradores, na qual apresentou os detalhes da coleta seletiva. Avisei a todos do meu prédio e solicitei que fossem comprados latões diferenciados. Dois meses depois, vi que os horários combinados não eram respeitados.” Para ela, se não há rigor com o que foi acertado, não adianta, já que os moradores ficam desestimulados. “Hoje em dia, os veículos nem passam na nossa rua mais. O que poderia ser reaproveitado vai embora para o aterro.”

Quem também se decepcionou com o serviço foi a comerciante Cilene Xavier. Moradora do Santa Tereza, região Sudeste, ela afirma que, há cerca de cinco anos, recebeu uma carta sobre os horários em que a coleta seletiva seria feita no bairro. Diante do comunicado, o lixo da sua residência começou imediatamente a ser separado, mas, alguns meses depois, os caminhões deixaram de passar pela via, tornando o esforço em vão. “Mesmo assim, continuei separando, porque é mais prático e permite uma economia de sacos de lixo. Não dá trabalho separar os resíduos. Acho lamentável esse tipo de postura, pois acaba aumentando o desperdício.”

No Jardim Glória, região Central, a síndica de um condomínio onde há 15 apartamentos relata a mesma situação. A pedagoga Giovana Brígida Adário Vilete assumiu a função há cerca de um ano e diz que o prédio já fazia a separação. Entretanto, apenas nos dois primeiros meses de sua gestão, o recolhimento foi feito pelo Demlurb. Depois, o serviço foi interrompido. Mesmo assim, ela continua fazendo a separação para que os moradores não percam o hábito, já que isso envolveu um intenso trabalho de conscientização. “Reclamei com o órgão, mas nada foi feito. Acho isso um absurdo. Em tempos em que as crianças aprendem desde o maternal como devem cuidar do meio ambiente, a própria cidade não dá o exemplo.”

Fonte: Tribuna de Minas, 11.4.2012