UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora

INICIAL

Data: 30 de março de 2015

O PGECOL se apresenta no contexto da área Ecologia e Meio Ambiente da CAPES, agora a macro área Biodiversidade, como um curso de mestrado iniciado em 2005 e já consolidado (sua centésima dissertação foi defendida em 2014) e um curso de doutorado iniciado em 2011 em evidente processo de consolidação. O PGECOL está consciente da sua missão de formar profissionais capazes de atuar na solução de problemas, conceituais e aplicados, concernentes às Ciências Ambientais. A experiência adquirida na formação de mestres, sobretudo orientada pelo exercício de parcerias entre diferentes setores da sociedade, órgãos públicos de atuação ambiental e instituições (públicas ou privadas) usuárias de recursos naturais, ratifica as atividades exercidas no universo do PGECOL olhando para o contexto regional prático e conceitual amplo, da formação de especialistas.

A instalação do doutorado no PGECOL em 2011 consolidou uma urgência (a) no que tange à evolução da Ecologia brasileira, (b) ao desenvolvimento da pós-graduação e pesquisa na UFJF e (c) ao cenário macrorregional, tendo em vista a importância do município de Juiz de Fora como polo econômico da Zona da Mata de Minas Gerais. Os três motivos são sincrônicos. A Ecologia brasileira, e mundial, precisa formar, dispor de recursos humanos para ocupar novas fronteiras nacionais e internacionais. Por exemplo, são emergenciais pesquisas sobre o efeito de ecossistemas em saúde pública e doenças infecciosas; o inverso é absolutamente verdadeiro: são emergenciais pesquisas sobre o efeito de doenças em ecossistemas. Um exemplo: há casos de esquistossomose relatados em áreas próximas a Juiz de Fora; no entanto, no próprio município, os registros não são frequentes. Possivelmente, porque a temperatura média das águas de Juiz de Fora chega a ser 5 a 6oC abaixo daquela observada em outros municípios relacionados à mesma bacia hidrográfica. Há de se investigar hipóteses desta natureza, especialmente, relacionando-as às alterações climáticas, sobretudo, em escala regional. A potabilidade das águas para abastecimento é outro exemplo que cerca toda a microrregião da Zona da Mata Mineira. O PGECOL-UFJF tem estrutura e capacidade para desenvolver pesquisas que atendam a estes desafios.

As salas de aulas para exercício das atividades acadêmicas são eminentemente práticas, nos laboratórios e/ou no campo. A Zona da Mata Mineira é repleta de cenários para a elucidação de conceitos ecológicos. Historicamente, a Zona da Mata Mineira foi intensamente utilizada para fins antrópicos, essencialmente agrícolas. Todavia, destacam-se importantes mosaicos ambientais preservados, remanescentes, e também Ecossistemas Emergentes (novel ecosystems) resultantes da reestruturação natural após impactos antrópicos. Além das pesquisas focando os mosaicos ambientais localizados na Zona da Mata Mineira, por ofício da ciência comparativa e de projeção internacional, outros sistemas são intensamente estudados, como planícies fluviais de inundação, ambientes costeiros, campos de altitude, entre outros.

A trajetória histórica do PGECOL vem sendo marcada por uma ação acadêmica integrada visando (1) à qualificação de profissionais capacitados para enfrentar problemas ambientais munidos de ferramentas conceituais e técnicas bem fundamentadas e (2) à promoção de pesquisa ecológica, seja na vertente ecossistêmica, seja na abordagem de comunidades-populações em termos de descrição e conservação da Biodiversidade, orientada por anseios de maior coerência no uso de recursos naturais. Ao longo dos nove anos de existência do PGECOL, é evidente o crescimento das pesquisas ecológicas publicáveis em revistas de circulação internacional, bem como as atividades acadêmicas transversais versando sobre o manejo de ecossistemas e conservação da biodiversidade. A formação de recursos humanos vem focando, sobremaneira, os problemas regionais, sempre em uma perspectiva macrorregional e federativa. Vários esforços em sala de aula, nos laboratórios e em reuniões científicas têm por objetivo identificar nichos de atividade de pesquisa ainda pouco explorados por ecólogos, tais como agências governamentais, instituições diversas associadas às questões ambientais, empresas com atividade de exploração de recursos naturais e mídia investigativa. A inserção de bases científicas, no âmbito da Ecologia, junto a prefeituras e outros órgãos públicos, setores de gestão ambiental públicos e privados e prestação de serviço tem sido objeto de seminários e outras atividades complementares na agenda do PGECOL.

O PGECOL-UFJF foi sendo estruturado de modo a promover intersecções acadêmicas através da matriz de disciplinas, projetos interdisciplinares e atividades multilaterais. O amadurecimento do PGECOL ratificou a otimização dos esforços de pesquisa em duas grandes linhas de pesquisa – Ecologia Aquática e Ecologia Terrestre – as quais abrigam projetos (dissertações e teses) envolvendo biodiversidade, biogeoquímica e saúde moduladas por mudanças ambientais.

A linha de Ecologia Aquática desenvolve projetos envolvendo descrição de padrões de biodiversidade (riqueza, abundância, interações tróficas e dinâmicas) em ecossistemas marinhos (grandes mamíferos), reservatórios de hidroelétricas, lagos de inundação e lagoas costeiras. Estuda, também, processos ecológicos em ecossistemas aquáticos em uma perspectiva integrada da biogeoquímica, focando o uso sustentável dos recursos aquáticos. Destaca-se ainda a aplicação da Ecologia (a) no aprimoramento instrumental, calibração e modelagem ecológica (cooperações com centros tecnológicos – INPE e Faculdade de Engenharia/UFJF) e (b) nas sínteses de dados de sustentabilidade e desenvolvimento de pesquisas qualitativas em educação para o uso dos recursos hídricos, incluindo ações de política científica e avaliação da matriz energética brasileira e produção de gases de efeito estufa, por exemplo.

A linha de Ecologia Terrestre desenvolve projetos envolvendo descrição de padrões de biodiversidade da fauna e da flora (riqueza, composição, abundância, interações tróficas e dinâmicas) em ecossistemas terrestres, principalmente localizados na Zona da Mata Mineira – Parque Estadual do Ibitipoca (IEF/MG), Parque Estadual da Serra do Papagaio (IEF/MG), Serra Negra, e fragmentos florestais preservados e/ou secundários (com ênfase em florestas urbanas) na macrorregião de Juiz de Fora. Estuda ainda o uso da terra por atividades de agricultura, avaliação de risco ambiental por atividades humanas, urbanas e recomposição de áreas degradadas e interações socioambientais, como conflitos de uso de recursos naturais, valoração ambiental e métodos educacionais.

O Jardim Botânico da UFJF foi uma conquista da reitoria de significativa expressão no contexto ambiental da Zona da Mata Mineira. A UFJF adquiriu uma área, de aproximadamente 80 ha, constituída de mata atlântica preservada. O fragmento florestal, único na região, já é objeto de pesquisas em biodiversidade e manejo de recursos naturais. O Jardim Botânico tem sido palco de diversas dissertações de mestrado e pilotos de teses de doutorado. Os artigos dos primeiros trabalhos realizados por alunos do PGECOL no Jardim Botânico já estão sendo publicados em periódicos científicos. O herbário da UFJF acompanhou essa dinâmica de crescimento e está estruturado para facilitar as pesquisas no Jardim Botânico. O Herbário CESJ é a segunda maior coleção do estado de Minas Gerais, cujo acervo é representativo da flora regional, cobrindo especialmente a Zona da Mata. Ressaltam-se grandes coleções como as do Parque Estadual do Ibitipoca, do Parque Nacional do Caparaó, dos Campos das Vertentes e mais recentemente, do sul de Minas Gerais. Nos últimos 10 anos, diversos projetos de amplos estudos florísticos foram realizados pelo Herbário CESJ, o qual mantém um intenso programa de permuta com várias instituições brasileiras e estrangeiras assim como atende às solicitações de empréstimos de diversos materiais para estudos taxonômicos. Soma-se a este ‘parque experimental’ uma fazenda de 300 ha à beira do reservatório de Chapéu D’Uvas recentemente adquirida para UFJF, a qual servirá de ‘estação de campo’ para a integração de pesquisas envolvendo uso de recursos naturais, recuperação de floresta atlântica e potabilidade de recursos hídricos. Este ‘parque experimental’ permitirá a implantação da disciplina Ecologia de Campo numa perspectiva absolutamente coerente com a proposta do PGECOL, a qual versa na execução de pesquisa aplicada ao desenvolvimento da Zona da Mata Mineira. Destaca-se, ainda, o Centro de Microscopia Eletrônica, concebido sob uma abordagem absolutamente integrada de avaliação de modelos biológicos e de materiais. O parecer da FINEP quando da aprovação dos recursos para a implantação do referido Centro, pontuou a coerência na proposta de uso das técnicas de microscopia eletrônica. Esta proposta foi concebida e coordenada pelo PGECOL. O Centro foi planejado de modo a oferecer treinamento e cursos na área de microscopia, atuando na formação de recursos humanos. Pelos menos oito docentes do atual quadro do PGECOL-UFJ desfrutarão cientificamente deste Centro. Os projetos em andamento vêm utilizando a microscopia eletrônica como ferramenta importante para taxonomia vegetal e entendimento de questões ecológicas como, por exemplo, o papel dos vírus e interação vírus-bactérias em ecossistemas aquáticos.

O PGECOL caracteriza-se por fomentar associações entre Programas de Pós-Graduação da UFJF, tais como Comportamento Animal, Educação, Geografia, Química, Física, Matemática e Modelagem Computacional. O PGECOL alcançou maturidade e sustentabilidade funcional (corpo docente), atualmente dispondo de 29 docentes. Dos 23 docentes permanentes, somente três são externos à UFJF, e todos os demais em regime de dedicação exclusiva à instituição. As duas áreas de pesquisa estão equitativamente servidas de docentes permanentes. Esta estabilidade na estrutura docente, aliada às teses de doutorado em andamento, deve aumentar substancialmente a produtividade científica nos próximos anos.

Desde a visita da CAPES ao programa em 2008 e, especialmente, após a aprovação do Doutorado em 2010, o PGECOL vem evoluindo em vários aspectos como, incorporação de novos docentes do NP da própria UFJF, ações multidisciplinares e cooperações nacionais e, principalmente, internacionais. As interações com cursos de graduação em Ciências Biológicas, Engenharia Ambiental, Geografia e Medicina Veterinária são um também um marco histórico no âmbito do PGECOL; diversos projetos de pesquisas desenvolvidos pelo PGECOL contam com a participação de alunos de iniciação científica destes cursos. Algumas disciplinas do quadro do programa também contam com a presença de estudantes da graduação, que buscam aprimorar o conhecimento sobre ecologia. Tal colaboração é fundamental para o desenvolvimento dos projetos, além de apoiar e incentivar a pesquisa científica desde a graduação. O PGECOL conta, ainda, com um corpo acadêmico engajado em questões sociais junto à comunidade da região de Juiz de Fora e Zona da Mata Mineira, através da participação na representação da UFJF em Conselhos Consultivos e Programas (Ex: Conselho Consultivo do Parque Estadual do Ibitipoca, IEF-MG; Programa de Educação Ambiental vinculado ao Plano de Manejo da UC e na Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental da Zona da Mata Mineira – CIEA). O momento atual apresenta uma série de desafios relacionados ao ensino e às formas de Ensino à Distância (EAD). O Sistema Público de Ensino Brasileiro como um todo está se modernizando em prol de uma educação mais abrangente, inclusiva e sem fronteiras. O EAD hoje conta com o engajamento de diversas instituições de Educação Superior, dentre elas a UFJF, onde são oferecidos atualmente sete cursos de Graduação e nove de Pós-Graduação com modalidades virtuais, que somam juntos mais de 5000 alunos. O PGECOL é integrante desta iniciativa da UFJF.