Publicada em: 14 de abril de 2009 - Visualizada pela 441º vez
Um dos eventos mais tradicionais da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a Semana de História teve início na última segunda-feira, 13 de abril, na sua 26ª edição. Com o tema central 20 anos da queda do Muro de Berlim, o evento, promovido pelo Centro Acadêmico (CA) de História, vai até a próxima sexta-feira, dia 17, no Anfiteatro do Instituto de Ciências Humanas (ICH), no campus, oferecendo à comunidade universitária palestras e mini-cursos.
A palestra de abertura, Economia no Pós 1989, foi proferida pelo professor da UFMG Frederico Gonzaga que centrou as explanações na atual crise financeira internacional. Alertando que o que está acontecendo no mundo tem implicações no Brasil, fez um breve histórico sobre como essa crise iniciou-se.
Segundo ele, os primeiros avisos aconteceram em 2006, com o início das oscilações das bolsas. No verão de 2007, houve a primeira queda dos fundos de proteção (hedge funds), vindo em seguida o encolhimento do crédito. Os sinais foram se seguindo. De setembro de 2007 a agosto de 2008, houve a queda dos bancos nos Estados Unidos, na Europa e no Sudeste da Ásia. Em 2008, acontece o que ficou conhecido como setembro negro dos mercados financeiros, culminando com a quebra do Lehman Brothers. “E quando uma instituição gigantesca como essa quebra é um salve-se quem puder.”
A partir de então, mais precisamente em outubro, começa a luta contra o colapso do sistema financeiro. “É quando os bancos centrais começam a movimentar-se para evitar a quebradeira geral. Em janeiro desse ano, Barack Obama assumiu a presidência dos Estados Unidos – onde a crise começou – com a difícil tarefa de conter a crise, com um modelo diferente do então praticado por George W. Bush.”
Efeitos contidos
Antes desse momento crítico atual, as crises eram localizadas ou setorizadas e seus efeitos eram contidos, não afetando a trajetória de crescimento da economia mundial. Conforme Frederico, elas podem ser enumeradas como: crash do mercado de ações dos Estados Unidos (1987); crise imobiliária e bancária japonesa (1985/1989); crise do sistema de conversão cambial da Comunidade Européia (1992); crise mexicana (1994/1995); crise asiática (1997/1998); crise russa (1998/1999); crise dot.com dos Estados Unidos (2000/2002); e colapso da conversibilidade argentina (2001).
“A diferença dos anos 80 para os dias de hoje é que a crise deixou de ser de negócios para ser financeira. Passamos a ter a financeirização da crise. Em média, ocorre uma crise financeira a cada três anos, passando de um fator de especulação para o subseqüente, de empresas de TI para setor imobiliário, do setor imobiliário para as commodities, etc.”
Entretanto, ressaltou Frederico, a crise atual tem um agravante que é a globalização. “O problema tornou-se maior, atingindo todos sem distinção. Com um mercado de ações transnacionalizado, se cai nos Estados Unidos, cai aqui. Tornando-se uma crise pior do que a de 1929. Mesmo porque, a capacidade de expansão naquela época era menor.”
O professor lembrou, ainda, que a crise atual, que começou nos Estados Unidos, assim como a de 29, é a primeira crise verdadeiramente mundial do capitalismo financeiro. “Atingindo todos os mercados financeiros do mundo simultaneamente e todos os agentes, como bancos com operações internacionais, instituições financeiras não bancárias/investidores institucionais.” Não existindo, segundo ele, formas seguras de proteção para ninguém.
Para Frederico, a crise – que começou em um segmento aparentemente pequeno do mercado imobiliário americano, o subprime, e terminou afetando os mercados financeiros e as economias reais de todas as economias capitalistas do mundo – também provocou o fim de alguns mitos, como: dos mercados auto-reguláveis; dos mercados financeiros “eficientes” com baixa regulação; e o da superioridade do capitalismo americano.
Ao concluir, o professor enumerou alguns efeitos de longo prazo, entre eles, uma nova arquitetura financeira mundial. E questiona: haverá também uma “autoridade financeira mundial”?; um novo papel para o FMI?; mudanças na hegemonia dos centros financeiros mundiais?; o fim do sistema bancário como conhecemos enquanto um negócio privado? São questionamentos que somente o tempo e as medidas a serem adotadas pelos governantes poderão responder.
Para a professora de História Beatriz Helena Domingues, que colaborou com a organização do evento, a Semana é importante não só por ter tornado-se uma tradição na Universidade, mas mostra, também, as temáticas que estão mobilizando os estudantes para as atividades extra-classes.”
Confira a programação
Dia 15
8h: Palestra Perspectivas para os partidos políticos de esquerda no pós-queda do Muro de Berlim, com Paulo Roberto Figueira Leal (UFJF)
14h: Comunicações
19h: Palestra – Cone Sul: 25 anos de avanços e recuos na luta contra a desmemória e a impunidade do terrorismo de Estado, com Enrique Padrós (UFRGS)
Dia 16
8h : Mesa de Debates – Perspectivas para os movimentos sociais no pós-queda do Muro de Berlim, com Paulo Azarias (movimento negro), Tatau Godinho (movimento negro) e Rafael Chagas (movimento estudantil)
14h: Mini-curso 1
Jodenir Souza
Mini-curso 2
Democracia e autoritarismo no Brasil contemporâneo, com Marcelo Romano
19h: Palestra – As transformações da democracia e da teoria democrática no mundo globalizado, com Diogo Tourino (UFJF) e Raul Magalhães (UFJF)
Dia 17
8h: Repressão sem fronteiras: o programa policial da USAID no Brasil (1960-1971), com Rodrigo Patto Sá Motta (UFMG)
14h: Comunicações
19h : Palestra de encerramento – Os 20 anos da queda do Muro de Berlim, com Daniel Aarão Reis Filho (UFF)
Outras informações: (32) 2102-3967 (Diretoria de Comunicação)
(32) 8818-4351 (Felipe) ou (32) 8822-3155 (Helenice)
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