UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora

ISSN 1983-8379

Editorial

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Leio muito tudo isso: Literatura e Cultura de Massa

 

A cultura de massa é, por muitas vezes, colocada como inferior e não tão digna de atenção quanto os grandes clássicos. Por muitas vezes, foi classificada como perigosa e prejudicial, pois estaria apenas se prestando a alienação das massas, ou por não ter a aura sublime das grandes obras culturais da humanidade. por não ter a aura sublime das grandes obras culturais da humanidade e porque prestaria, apenas, à alienação das massas. Assim, rechaçada tanto por uma elite (cultural e social) quando por pensadores de tendências esquerdistas, obras oriundas dos jornais, da tevê e tantos outros meios de comunicação em massa ficaram em um segundo plano.

Porém, como lembra Umberto Eco, “entre o consumidor de Poesia de Pound e o consumidor de um romance policial, de direito, não existe diferença de classe social ou de nível intelectual” [1]. Igualmente, não haveria necessidade de se relegar a tais produções um papel secundário e classificá-las como inferior: após a virada cultural observada nos anos 1970, sabe-se não haver sentido em uma divisão entre “alta” e “baixa” cultura. Uma nova perspectiva, que permita que se trate tanto do cânone quanto da cultura midiática de mercado, é cada vez mais necessária e inevitável.

Outro dado a se apontar é a desierarquização dos saberes como forma de legitimação de produções variadas, apontado, assim, para a democratização das manifestações e culturas representadas em tais manifestações. Tal desierarquização promove uma mudança da perspectiva política e promove a interação de variados tipos epistemológicos, desestabilizando as posições canônicas, não para negá-las, mas para mantê-las como fragmentos de cultura tão significativos quanto produções artísticas populares ou massivas.

Tendo essas questões em mente, a Darandina Revistaeletrônica abre espaço, em sua 10ª edição, à trabalhos que abarquem tal perspectiva, propondo leituras de obras oriundas da produção cultural de massa. Com um corpus de artigos dos mais variados assuntos, encontramos textos que fazem desde uma revisão dos principais conceitos dos Estudos Culturais com o olhar sempre atento às produções massivas, até um artigo que trata a utilização da literatura infanto-juvenil de massa, com o livro Percy Jackson and the Lightning Thief, para a discussão de problemas tais como o TDAH.

Permeando as publicações, o leitor encontrará dois artigos que têm como principal temática o diálogo entre a literatura e a 7ª arte. Podemos encontrar também a comparação entre a novela O cravo e a rosa e a Megera de Shakespeare. Ainda nesta linha o artigo “Medo, mistério e dúvida: Uma história de fotonovela em diálogo com o gênero fantástico”, que faz um levantamento entre as semelhanças formais na construção de fotonovelas e contos fantásticos.

A relação entre artes impressas não foi deixada de lado, há dois artigos que discutem a relação entre jornal e literatura, um fazendo uma leitura das crônicas de Mário de Andrade como objeto artístico e outro levantando os pontos que fizeram, no Brasil, essas duas atividades se aproximarem. O mercado editorial aparece sob uma análise das cartas do escritor Caio Fernando Abreu e sua visão sobre o boom cultural dos anos 70.

Dois textos fazem um levantamento mais geral sobre a estrutura de alguns meios massivos e suas ferramentas de leitura em contato com a literatura. Apontamos para a história das graphic novels e seu surgimento no mercado para um público específico, e as estratégias de leitura das narrativas encontradas em videogames.

Na parte teórica, por último, o leitor encontrará dois artigos que leem obras/temas mais específicas e seus meio de transmissão, a hipertextualidade do e-book Pride and Prejudice and Zumbies, e o caráter religioso encontrado nos cordéis nordestinos.

Ainda serão encontrados textos de criação literária, continuando com a tradição da Revisteletrônica Darandina de incentivar a produção literária contemporânea. São dois contos, de autoria de Stefane Soares Pereira e Michelle Aranda facchin, e cinco poemas, que têm como autores Adriano Carmo, Thiago Gonçalves, Tanya Marques Cardoso, Guilherme Fernandes e Roberto Mário Schramm Jr..

Agradecemos a toda a comissão editorial e os articulistas pela contribuição para mais um número da Revisteletrônica Darandina e desejamos a todos uma ótima leitura!

 

Maiara Alvim de Almeida

Ricardo Ibrhaim Matos Domingos

Comissão Editorial da Darandina Revisteletrônica

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[1] ECO, Umberto. 2008, p. 58.

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