UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora

ISSN 1983-8379

Apresentação/Editorial

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Apresentação

 

É com grande satisfação que apresento à comunidade dos estudos literários esse número da Revista Darandina, inteiramente dedicado à Literatura Portuguesa. Depois de três décadas ensinando essa disciplina  na graduação e, mais recentemente,  literatura comparada (principalmente em língua portuguesa)  na pós-graduação  na UFJF, vejo com  entusiasmo os jovens pesquisadores, mestrandos, doutorandos, graduandos e recém-titulados em nosso programa ou em programas afins, dedicando-se à tarefa crítica e ao exercício de leitura e interpretação de um corpus expressivo de textos da literatura portuguesa.

Observo que o interesse dos colaboradores é relativamente  amplo e abrangente  no que  diz respeito às propostas teóricas, críticas e temáticas,  mas no que tange à escolha das obras percebe-se  que a ênfase é dada à  literatura do século XX e à  literatura contemporânea.  Assim,  dos nove artigos, sete têm como objeto  esse recorte, enquanto os dois outros se dedicam a Camões,  único autor de época diferente, que,  contudo, aqui também  é lido em paralelo com escritores da atualidade.

A Darandina no seu número especial  sobre a  literatura portuguesa tem o seguinte perfil:   o  ótimo contista contemporâneo Pedro Paixão foi   tratado nos artigos de Laura Assis, e  de Andressa Pinto;   o complexo e instigante romance de António  Lobo Antunes  é matéria  de duas  colaborações: de Fabrícia Rodrigues, de Fabrício Tavares. O comparatismo entre autores de língua portuguesa norteia o artigo de Ana B. A. Penna, que aproxima  o Camões épico do poeta contemporâneo  Manuel de Freitas;  e, de modo menos direto, também é a base da reflexão sobre a  presença do poeta quinhentista no romance O ano da morte de Ricardo Reis,  de José Saramago, feita por Luy B. Braga, Lígia Valle e Webert Guiducci.  O muito  divulgado romance Ensaio sobre a cegueira, de José  Saramago, é retomado  por Bertoni Licarião, o que mostra o interesse permanente pela  obra do único Prêmio Nobel de língua portuguesa.  Também registro que   Fernando Pessoa, em suas muitas máscaras, continua sendo alvo  do interesse do jovem pesquisador brasileiro de literatura portuguesa: dois artigos voltam-se para a obra desse poeta plural. Cito o trabalho  de Gustavo Menegussu,   especificamente sobre o Mestre Caeiro,  e, numa perspectiva crítica relativamente pouco explorada,  o artigo de Rodrigo Damasceno sobre o Pessoa tradutor.

Outra  referência sobre o perfil desse  número, que convém  registrar,  é sobre a origem dos colaboradores:  apenas quatro dos nove artigos são de autoria de discentes da UFJF;  os demais são de autores externos à casa, assim distribuídos:  um da USP; dois da UFMG;  um  da UFF;  e  um da URI/RS. Esse dado é importantíssimo porque atesta não apenas a boa divulgação, o alcance e a circulação  da Darandina para muito além das fronteiras regionais, como também atende à  proposta de vascularização e de  abertura para a diversidade, o que é desejável para se evitar a endogenia do periódico.

A Literatura Portuguesa é um sistema literário consolidado e riquíssimo, e, pelas relações históricas e culturais que aproximam Brasil e Portugal, penso que a Literatura Portuguesa é, também, uma espécie de acervo que contribui, entre outros, para a construção  do arquivo da Literatura Brasileira, também rica, fecunda e originalíssima,  que tem em comum com a Portuguesa, além da língua,  uma trajetória marcada por  complexas relações de aproximação e de afastamento, mas nunca de ruptura absoluta.

Se a afirmativa famosa de Antonio Cândido – de que a literatura brasileira, ao menos até o século XIX,  pode ser considerada como um ramo da frondosa arvora da literatura portuguesa – foi já muito discutida, penso que podemos afirmar que  nos dias de hoje observa-se, pelo menos da parte dos estudos literários produzidos na universidade brasileira,  um interesse real por autores portugueses. Esse interesse  se revela nos currículos dos cursos de Letras, na existência de uma sólida e ativa Associação Brasileira de Professores de Literatura Portuguesa,  na grande demanda de  intercâmbios e de  bolsas-sanduíche em Portugal,  e nas pesquisas desenvolvidas nos cursos de pós-graduação,  no viés comparatista ou não, como atesta esse próprio número especial da Darandina.

Finalizo agradecendo, em nome do PPG Estudos Literários da UFJF,  aos colaboradores, e cumprimentando-os pelo excelente nível dos artigos. Também  parabenizo os editores e organizadores desse número especial sobre a Literatura Portuguesa, e desejo  à Darandina a vitalidade e a continuidade do  sucesso de que desfruta até aqui, e que tem mostrado de fato merecer!

Maria Luiza Scher Pereira

Professora de Literatura Portuguesa

da UFJF

Darandina Revisteletrônica