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Qualidade e Ficção Seriada

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O debate da qualidade está presente nos estudos televisivos desde os anos 1980 e foi incorporado na legislação da mídia de diversos países. Apesar de controverso e muitas vezes desacreditado pelo seu possível caráter de subjetividade, a discussão e a proposição de indicadores como os vistos nos trabalhos de Mulgan (1990), Cardwell (2007), Pujadas (2013) e Borges (2014) contribui essencialmente para criação de um repertório fundamental de programas de qualidade.

A partir deste aporte teórico, realizamos um levantamento das narrativas ficcionais seriadas brasileiras exibidas na TV aberta e por assinatura no período de 2000 a 2016. Posteriormente, dividimos o corpus de análise em quatro categorias: minisséries, séries episódicas, séries com ação transmídia e séries infantis.

Os indicadores de qualidade foram definidos com base nos estudos de Borges (2014) e do Observatório da Qualidade no Audiovisual. Desta forma, as análises das minisséries foram norteadas a partir do Plano na Expressão e do Plano do Conteúdo. Os indicadores do Plano na Expressão levam em conta a produção de sentido a partir dos elementos estéticos: ambientação, caracterização dos personagens, trilha sonora, fotografia e edição. Já os indicadores do Plano do Conteúdo são pautados pelos estudos de Mittell (2015) e Johnson (2005). Neste plano são considerados a intertextualidade, a escassez de setas chamativas, os efeitos especiais narrativos e os recursos de storytelling.

A partir da reflexão sobre os parâmetros de qualidade dos programas concluímos que as tramas apresentam os indicadores do Plano da Expressão, porém não estimulam o esforço analítico do telespectador. Isto é, as tramas são compostas elementos estéticos que contribuem para a qualidade das produções, mas os indicadores do Plano do Conteúdo são, praticamente, inexistes. Neste sentido, cada desdobramento narrativo é didaticamente explicado para o público.

 

Confira as análises em: http://observatoriodoaudiovisual.com.br/resultados/narrativas-ficcionais-seriadas/analise/

Grupo de Pesquisa Comunicação, Arte e Literacia Midiática