Clipping UFJF – 19, 20 e 21 de Novembro de 2015

Veículo: Tribuna de Minas

Editoria: Cultura

Data: 19/11/2015

Link:http://www.tribunademinas.com.br/o-processo-de-saida-da-cozinha/

O processo de saída da cozinha

Entre uma xícara e outra de café, ele dispara a falar sobre a dissertação de mestrado que defendia a relação entre literatura e história em quadrinhos, a tese de doutorado sobre a vanguarda moderna no Brasil através da repercussão e recepção das obras de Mário de Andrade e Oswald de Andrade e sobre outros aspectos literários que circundam seu dia a dia, fazendo os livros tomarem conta de todo um quarto de sua casa. O mesmo homem que se volta para mim mostrando pleno domínio da literatura nacional é aquele que em 2010 desviou-se de outros rostos na avenida principal de Itaguaí, no Rio de Janeiro, quando apontado pela polícia como elemento suspeito. Ao entrar no banco, foi logo para a fila enquanto o irmão parou, na porta, para conversar com uma conhecida. Uma mulher, adiante na fila, observou sua entrada e logo saiu. Chamou a polícia, que os abordou na saída, pedindo todos os documentos e desconfiando de todos os papéis. Quando, no carro, Anderson Pires da Silva apresentou a carteira de professor universitário, estancando a situação, o constrangimento já havia marcado. O problema estava na pele, na cara.

“Meu combate é este: refletir que uma das causas que mantêm o racismo é a sociedade materialista, que estimula a paranóia, o individualismo e não está a favor da compreensão, do respeito à igualdade”, expõe Anderson, poeta, doutor em literatura e professor da Faculdade de Letras da UFJF. Um dos cerca de 20 professores efetivos do quadro da universidade, num universo de aproximadamente dois mil, de acordo com levantamento preliminar da instituição, Anderson ocupa um dos mais destacados lugares da intelectualidade. E nesse espaço também há um estereótipo definido. E ainda que lhe seja exigido, de alguma maneira, pensar no negro dentro da academia, ele segue por outra via.

“O negro não é meu tema de pesquisa, mas minha pesquisa de doutorado sobre Mario e Oswald de Andrade tinha o objetivo de discutir e analisar os lugares que criamos de consagração para determinadas figuras, propondo uma visão desmitificadora”, diz. “Minha literatura dá conta do negro, mas não quero que isso seja um estilo”, completa ele, reforçando que sua forma de responder às “revistas” cotidianas é, simplesmente, assumindo o lugar que deseja, no qual acredita, e não o que lhe resta. Em um de seus poemas, ele escreve: “nesta sala de aula/ sou o único de cabelo duro/ o único de vermelho/ o único que não vê a menor graça nas piadas/ mas não sou o único de óculos”.
Avanços ainda no quarto de despejoIntelectual, numa seara dominada por brancos, Anderson brada em versos. “No nosso país, a literatura ainda é muito branca. Na cena contemporânea, há um mesmo tipo de perfil. Se for do Rio, é branco, estudou na PUC, teve uma experiência cosmopolita, escreve sobre ela e apresenta uma relação familiar com a ditadura”, comenta. O caminho, segundo ele, não é criar mais um lugar do gueto – “Dentro da literatura brasileira, criou-se a ideia de autoria negra, um departamento, um lugar no qual o autor negro só pode refletir politicamente sobre isso”, aponta -, mas ocupar, ajudando a reescrever a história, ficcional ou não. “É preciso reescrever a história o tempo inteiro. Manter determinados lugares acaba virando uma prisão. Muitas reivindicações do movimento negro se justificam no racismo, na escravidão como um crime hediondo, o que é irrefutável, mas também uma forma de manter o estigma.”

Autores como Carolina Maria de Jesus, autora de “Quarto de despejo”, com suas memórias de favelada, e a mineira Conceição Evaristo, voz contemporânea da discriminação racial, ainda são exceções da inserção do negro na intelectualidade brasileira. “Houve uma tentativa, por alguns pensadores do século passado, de embranquecer a sociedade brasileira. Aqueles que não se assumiam como negros já passaram a se assumir como negros. Está acontecendo uma mudança positiva. Aumentou-se a presença do negro nas universidades públicas, e isso gera conflitos, porque alguns não querem perder privilégios, mas caminhamos para a construção de uma sociedade democrática, em que todos tenham espaço”, pontua o professor da Faculdade de Educação da UFJF Julvan Moreira de Oliveira, que, entre suas pesquisas, investiga a produção do intelectual congolês radicado no país Kabengele Munanga.

“A produção africana ainda não entrou no país”, lamenta o professor, que integra a Associação de Pesquisadores(as) Negros(as) (ABPN), entidade que consegue reunir em seus congressos cerca de dois mil intelectuais negros e que foi a responsável por levantar questões como a política das cotas raciais. “Somos pouco representados nos mais diversos segmentos, e isso tem reflexos em várias áreas. Em termos simbólicos, se tivéssemos mais negros nos meios de comunicação, a população se inspiraria. É importante, numa sociedade democrática, que todas as pessoas tenham espaços, que estejam representadas em todos os lugares. O negro ainda está, em sua maioria, em trabalhos que a sociedade desvaloriza”, afirma Julvan.

Em frente à faculdade onde leciona, Julvan estampa um banner com a seguinte pergunta: “Quantos professores negros você tem?”, campanha elaborada pela UFJF através da diretoria de Ações Afirmativas. Seguidas da hashtag “nãoécoincidência”, as fotografias jogam luzes sobre os poucos intelectuais que dão aula na instituição, provocando, assim, a reflexão acerca da desigualdade racial, tema também da série de palestras, debates e exibições cinematográficas que a universidade recebe nesta semana e seguem até a segunda semana de dezembro, em diferentes pontos do Campus Universitário. Nesta quinta, o cineasta Joel Zito Araújo apresenta e discute seus filmes “Filhas do vento” (às 15h) e “Raça” (às 19h), no auditório da Faculdade de Educação.

Para a militante Adenilde Petrina, convidada a comentar uma das produções de Joel Zito, casos de racismo contra artistas, como os da jornalista Maria Júlia Coutinho e da atriz Taís Araújo – dois exemplos recentes, nos quais internautas ofenderam ambas – apenas confirmam que a intolerância está mais visível do que os próprios negros. “Ainda não acreditam que temos condição de entender os teóricos, de estarmos em destaque. É urgente enfrentar, tendo a coragem de mostrar que conseguimos pensar”, defende Adenilde, uma das idealizadoras e integrantes do Coletivo Vozes da Rua, no Bairro Santa Cândida. Questionada sobre artistas que a representam na grande mídia, a militante recua. “O pessoal do hip-hop me representa, mas na mídia alternativa”, diz, citando a resistência que ainda cerca a cultura de periferia.

‘Ainda não chegamos à sala’

 

Ruth de Souza foi a primeira protagonista negra de uma telenovela brasileira, em “A cabana do Pai Tomás”, de 1969. Ironicamente, o par de Ruth, que fazia o papel do escravo negro que dá nome à produção global, foi interpretado por um ator branco, Sérgio Cardoso, que pintava o rosto para entrar em cena. O dramaturgo e crítico Plínio Marcos, na época, foi quem levantou a discussão acerca do disparate, defendendo o nome de Milton Gonçalves (no elenco da novela) para o papel. No premiado documentário “A negação do Brasil”, de 2000, Joel Zito Araújo resgata a história e revisa a presença dos negros nas novelas nacionais, em entrevistas com artistas como os próprios Milton e Ruth, além de Léa Garcia, Zezé Motta e Maria Ceiça.

Esse ator das cozinhas ganhou novos espaços?, pergunto ao cineasta Joel Zito. “Infelizmente, ‘A negação do Brasil’ ainda não está datado. Adoraria que estivesse, mas a realidade mudou pouco, embora tenha modificado. Hoje temos uma presença maior de negros na mídia, porém, continuamos sendo minoria no país onde somos maioria”, defende. “Mister Brau”, a série global no ar que traz o casal Taís Araújo e Lázaro Ramos nos papéis principais, é, segundo o diretor, exceção. “Nossa produção audiovisual ainda é pequena para alterar esse paradigma racista da nossa sociedade brasileira”, pontua.

“Continuamos no fundão, ainda não chegamos à sala. É doloroso, revoltante, porque se fala em discriminação mas não se reconhece a cultura negra, da rua, do morro, do gueto”, critica Adenilde Petrina. “O que podemos fazer é insistir, mostrando que nosso povo tem o que dizer e fazer”, acrescenta. Otimista, Joel Zito vislumbra um cenário melhor no futuro, a partir da formação desses estudantes que acessaram o ensino superior a partir das cotas para negros. Para ele, a intelectualidade se afirmará no rito de passagem, demarcando um território no qual a pele não incidirá sobre o que a cabeça pensa. “Eu mesmo segui esse rumo. Nunca fui filiado a uma entidade do movimento negro. Na juventude, porém, por uma influência de diversos movimentos culturais, fui compreendendo que me afirmar como negro me tirava de um lugar de subalternidade. O negro brasileiro está acostumado a ser humilde, a pedir desculpa pela presença. Agora, contudo, estamos olhando no olho.”

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Veículo: Tribuna de Minas

Editoria: Cultura

Data: 19/11/2015

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Inscrições para Fórum de Educação Ambiental terminam nesta sexta-feira

Termina nesta sexta-feira (20) o período de inscrições para o 19º Fórum de Educação Ambiental (ForEA), realizado pela Secretaria de Educação. O evento, que será realizado nos dias 2 e 3 de dezembro, está oferecendo cem vagas para professores da rede municipal de ensino. Os interessados devem preencher a ficha de inscrição, presente no site da PJF, e enviá-la para eventosformacaose@gmail.com. O formulário contém os locais e a programação do evento. A Secretaria de Educação confirmará o recebimento da inscrição por e-mail.

O objetivo das discussões do ForEA é abordar e fomentar ações de conscientização ambiental em todas as esferas da sociedade, para a criação de ações positivas que melhorem a qualidade de vida e a prestação de serviços, de forma a respeitar a sustentabilidade. O fórum conta com a parceria de entidades, como Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental da Zona da Mata (Ciea-ZM), Instituto Estadual de Florestas (IEF), Superintendência Regional de Ensino de Juiz de Fora, UFJF, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar.

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Veículo: Tribuna de Minas

Editoria: Política 

Data: 20/11/2015

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Expressão religiosa no Parque da Lajinha

Manifestações religiosas que façam uso de fogo ou deixem oferendas religiosas ou velas poderão voltar a ser autorizadas no Parque da Lajinha. O impedimento vigente desde a publicação do Decreto 11.266, em 2012, que reconhece o parque como unidade de conservação, foi contestado ontem por representantes de entidades religiosas de matriz africana em audiência pública na Câmara. Durante o encontro, cuja discussão se pautou pelo combate à intolerância religiosa, o secretário de Governo, José Sóter de Figueirôa, afirmou que o Executivo está disposto a discutir a retirada da proibição e se comprometeu a conversar com a Secretaria de Meio Ambiente para autorizar a utilização do espaço.

A audiência pública foi convocada a pedido do vereador Roberto Cupolillo (Betão, PT) e contou com a participação das secretarias de Governo e Desenvolvimento Social (SDS), UFJF e representantes de entidades religiosas de matriz africana. Muitos expuseram a indignação pela impossibilidade de realizar a Festa de Preto-Velho, promovida no parque durante 23 anos. “A mata é o nosso sagrado, representa Oxóssi, o lago representa Oxum, a rua e as vielas representam Exu, que abre os caminhos de todos. O Parque da Lajinha foi conhecido pela nossa festa”, exaltou o presidente da Federação Regional de Defesa da Religião Umbanda e ex-vereador Wilson Novaes.

Além do parque, outra reivindicação é a falta de um estudo que dimensione a realidade dos centros religiosos de matriz africana em Juiz Fora. A supervisora de Direitos Humanos da SDS, Giane Elisa Salles de Almeida, classificou esta falta como uma forma de violação de direitos. Como forma de solucionar o impasse, o coordenador nacional do Movimento Negro Unificado, Paulo Azarias, propôs a criação de um grupo de trabalho que envolva a Câmara, a Prefeitura, a UFJF, o movimento negro e representantes da religião para fazer um estudo de todos os espaços que tem na cidade. Além disso, o líder defendeu a criação de uma secretaria de direitos humanos na PJF com um departamento da diversidade religiosa.

Conduta criminosa

Em referência à institucionalização das práticas fundamentalistas, principalmente no Congresso Nacional, a professora da Faculdade de Direito da UFJF, Joana de Souza Machado, denunciou o aumento da intolerância institucionalizada, em ações que “usam de fundamentos religiosos maquiados por fundamentos jurídicos”, destacou. Betão afirmou que isso tem incentivado fiéis a classificarem as religiões como a Umbanda e o Candomblé como satânicas. O parlamentar lembrou que o Código Penal, em seu artigo 208, estabelece como conduta criminosa o escárnio, a deturpação e o ataque às prática de culto religioso.

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Veículo: Tribuna de Minas

Editoria: Política 

Data: 20/11/2015

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Metáfora da vida

Sento-me para escrever como quem tenta recuperar a linearidade de uma noite regada a muita vodca. Imagens fortes vêm à memória, permeadas por uma sensação de envolvimento profundo com vários dos momentos, mas também a sensação de transitar entre uma lembrança e outra, levada apenas por estímulos que me arrastavam entre espaços. Um porre de vodca. Talvez seja a descrição mais honesta sobre a experiência de viver um ensaio do espetáculo “Quase nada é verdade”, indescritível de outra forma senão pelas sensações que provoca no espectador. Com estreia nesta sexta-feira, o projeto de pesquisa teatral, que tem o apoio da Lei Murilo Mendes, fica em cartaz até o dia 20 de dezembro, tempo suficiente para deslocar o juiz-forano de suas pré-concepções de teatro, arte, realidade, narrativas e de seu papel como público.

Cheguei às 20h35 no Victory Suites, onde escolhi começar a acompanhar a história, que teria início também em outros pontos da cidade: Casa de Cultura, Vaporetto do Alameda e a Praça Presidente Kennedy (no Paineiras, próximo à Olegário, perto de uma fábrica de plásticos com pintura de gosto duvidoso). “Inferno, tô atrasada!”. Cheguei à portaria, tem mais gente, ainda não começou. “Daqui a pouco, vocês sobem.” Guilherme, que fazia as imagens, me pergunta: “Será que a gente grava algum depoimento agora?”. Não deu tempo de responder, hora de subir. Esse primeiro momento seria bem intimista, em um dos quartos do hotel, e eu torcia internamente para não ter que interagir com o elenco, banana que sou.

Abre-se a porta, vejo o Vinícius Cristóvão, uma cara conhecida e querida. Respiro aliviada, sento-me no sofá, perco o medo dos atores, era só o Vi. Ele e Mia, a outra atriz em cena, interagem muito naturalmente, e tenho a sensação de estar na casa de um casal conhecido, enquanto fazemos hora para sairmos juntos. A atmosfera de conforto e de ‘vida real’ é interrompida por alguns momentos metalinguísticos, cenas dentro de cenas, grifadas por “Ih, ‘pera’, esqueci minha fala!”, e outras menções à dramaturgia no meio de um diálogo que, não fosse por essas intervenções, pareceria absolutamente cotidiano. De repente, o pau quebra. Vi e Mia começam a trocar gritos, insultos e empurrões pelo quarto afora, e começo a sentir um constrangimento quase físico de estar naquele lugar, na intimidade do conflito do casal. Vinícius bate a porta e leva três espectadores consigo. Fico ali, quis ver o que ia acontecer com a Mia.

Outro (s) espaço (s) cênico (s)

Quando me dou conta, estamos a caminho da Casa de Cultura, pela rua, e no trajeto questiono várias vezes: “Mas essa menina tá atuando ou não?”, e nunca consigo descobrir por completo. Chegamos à nova locação, Tairone está tocando “Help” no violão, e sei que faz parte da cena, mais uma cara querida no elenco. Sobre o resto das pessoas, fico tentando distinguir quem é ator e quem não é. Por um momento, volta a sensação de teatro (com “te” bem pronunciado, e não “tchi”, como se diz no dia a dia), de estar assistindo à encenação da abertura de uma exposição, da Licya. Ledo engano.

A peça termina tomando a cidade e seus espaços pelo colarinho, dizendo-lhe: “isso aqui é meu, e dou o significado que quiser”. Tento fazer sentido da experiência. Desisto, e logo me lembro de Clarice: “Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.” Abandono a compreensão, lembro-me dos sentimentos, constato que vivi. Percebo ter assistido a uma precisa metáfora da vida: é impossível controlar e vivenciar tudo, tanto quanto o desejo de fazê-lo é inalienável. E cada escolha representa uma consequente renúncia, com as perdas e ganhos inerentes ao processo.Mais personagens vão chegando e invadindo a cena: Carolina, Thiago, Aline, Bavuso, Rodrigo (nomes dos personagens e dos atores), no espaço da até então vernissage dramatizada. Reconheço alguns como atores, outros me surpreendem ao tomarem partido cênico: “Opa! Esse aí tá na peça!”. Do nada (sério, do nada), mil cenas explodem daquela única, para diversos cômodos, e começo a sentir uma ansiedade imensa, à mineira: “Oncotô? Proncovô?” e vou seguindo instintivamente ou os atores, ou um som, ou uma cena que me tocam, sem me dar conta de como as escolhas vão sendo feitas. Nas mudanças de ambientes, personagens se cruzam e histórias emaranham-se ou não, sempre de acordo com minhas escolhas: entrar ou não por tal porta, ficar ou não em uma cena, olhar ou não para um personagem. Tudo faz diferença.

Trabalho em contínua construção

Inenarrável a não ser pela vivência, “Quase nada é verdade” é um projeto de pesquisa iniciado cerca de um ano atrás, como explica o diretor Rodrigo Portella. “Já tinha essa vontade de trabalhar com espaços não convencionais de uma maneira que fosse, também, não convencional, buscando uma aproximação entre as linguagens do teatro e do cinema. Daí pensei em fazer em Juiz de Fora, onde a circulação entre os lugares seria mais executável, pensando em um espetáculo com custo baixo. Daí usarmos o próprio ambiente como cenografia, a roupa do elenco como figurino, os sons e luzes locais como ambientação”, conta o diretor, também cineasta.

Segundo o diretor, a iniciativa já dava seus primeiros passos depois da aprovação na Lei Murilo Mendes sob o nome de “Cartografias”, trabalho conjunto dele com Zezinho Mancini, Tairone Vale, Marcos Bavuso e Samir Hauaji, quando, em uma residência em Buenos Aires com a diretora Mariana Percovich, Rodrigo conheceu o conceito de hiperdrama. “Neste formato, em linhas gerais, o espectador é coautor, pode fazer escolhas que afetam a dramaturgia em todos os níveis. Com isso, foi (é) preciso pensar em cada possibilidade de intervenção e as combinações em termos de dramaturgia, que vão para mais de 300, e ainda assim pode haver ações imprevisíveis, porque a peça se pauta pelas subjetividades e experiências, o que, às vezes, é angustiante para um diretor como eu, que procura ter sempre o controle de tudo. Então é um exercício novo para mim também. E nem posso dizer que o que está sendo apresentado é o resultado destas pesquisas, porque a pesquisa continua acontecendo, com essa experimentação de linguagens e espaços.”

Como conta o diretor de produção Zezinho Mancini, o hiperdrama requer a aplicação de algumas técnicas específicas para que sua execução seja possível, sobretudo em uma montagem como esta, que se desdobra por espaços distintos. “Usamos muito os ‘dispositivos de espera’, uma preparação que os atores sigam com a cena caso haja alguma falha na sincronia, o que pode acontecer muito nos trajetos pela cidade. Outro recurso são os dispositivos sonoros: uma cena que termina com palmas indica para as outras que elas precisam se encerrar. Os atores então correm, caso estejam atrasados, para a conclusão. E tem muito improviso também, um momento que a gente abre para a interação com o espectador. Os atores têm uma base de respostas, conhecem o personagem e sabem, de alguma maneira, como eles se portam”.

Conexões não lineares

Zezinho explica que a elaboração do espetáculo foi não linear. Da escolha das locações (pela viabilidade delas), veio a escolha dos personagens, com o tema central já definido: “A instabilidade da verdade. A ideia de que a verdade só existe quando acontece, e que depois disso tudo vira versão. Partimos para estereótipos que fossem contrários em si: uma estudante ‘esquerda caviar’, um político honesto etc”. Fechada a lista de personagens, o grupo partiu para experimentações textuais. “Foi um período bacana, em que trabalhávamos on-line. Sempre tínhamos dois atores/personagens, cada um em um espaço da cidade, no chat do Facebook, com um terceiro integrante fazendo as vezes de diretor/motivador, que dava objetivos para a cena, e os atores iam escrevendo um diálogo. O diretor interferia quando achava necessário, seja mandando um link de música a ser ouvida no momento ou uma imagem que criasse outra motivação para a cena.”

Para Rodrigo, a maneira como o projeto foi e está sendo elaborado é essencial para a vivência individual do espectador, e está muito menos ligada à concepção tradicional de “entender a arte” atribuída ao teatro. Por isso mesmo, os ingressos só são vendidos antecipadamente, sob o limite de 36 pessoas por sessão. “Espero que as pessoas saiam daqui com uma sensação de terem vivido uma forte experiência sensorial, afetiva. A preocupação com o entendimento não é uma questão desse projeto. Quero que elas saiam daqui e falem ‘Nossa, que experiência, que viagem, tive a sensação de estar dentro de um filme’. Porque é tudo muito real, muito concreto.” Exatamente como a vida.

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Veículo: Tribuna de Minas

Editoria: Cultura

Data: 20/11/2015

Link:http://www.tribunademinas.com.br/um-circo-para-todas-as-idades/

Um circo para todas as idades

Não é o circo chegando à cidade, mas é quase isso. A Banda Osquindô apresenta neste sábado, na Praça Cívica da UFJF, o espetáculo “Osquindô Circus”, que integra o projeto “Reinações – Festa da arte para a infância”, que vai circular por um total de dez cidades mineiras até o final do ano. Segundo o diretor do show, Antônio Caeiros, o espetáculo tem por objetivo abordar o universo circense do circo tradicional por meio das canções que animavam as tardes e noites de crianças e adultos. “Não só as músicas de circo que tocavam, que já trazem um grau de diversão muito grande; queremos criar uma espécie de picadeiro musical, em que mostramos um pouco da bagagem da banda, que sempre trabalhou muito próxima da cultura popular, da infância”, explica. “O show é um picadeiro que reúne o trabalho da banda, e o circo é um elemento muito forte para nós. Convidamos o público para brincar, e essa interação é natural.

Ainda de acordo com Antônio, o projeto “Reinações” – viabilizado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura – tem permitido ao Osquindô pesquisar nas cidades em que as apresentações estão programadas a cultura popular e musical de cada localidade. Até agora, o show já passou por Mariana, Ouro Preto, Betim, Sarzedo, Uberaba e Uberlândia, chegando neste sábado a Juiz de Fora, para depois se dirigir a Montes Claros e Belo Horizonte. “Entramos em contato com grupos e artistas de todos os locais e, além das apresentações públicas, agendamos atividades nas escolas. Recolhemos e gravamos todo esse imaginário musical para produzir um programa televisivo que vai para o YouTube, no canal Reinações, que deve entrar em fevereiro de 2016.” A Banda Osquindô tem dois CDs gravados e um terceiro pelo projeto “Contos da passagem”.

Ligados na solidariedade

Surgido em Mariana há sete anos, o Clube Osquindô (associação que desenvolve diversos trabalhos ligados à criança, e do qual a banda faz parte) faz o que pode para ajudar a população afetada pelo rompimento de uma das barragens da empresa Samarco no último dia 5. “Temos uma ligação forte com o distrito que foi destruído. Além de participarmos de todas as campanhas, tentamos entender o impacto do que aconteceu na meninada, tanto em Bento Rodrigues quanto na cidade, é algo que precisa ser explicado para as crianças. Queremos desenvolver um projeto de fomento à leitura, que esperamos fazer na escola para onde os alunos do distrito foram deslocados.”

Essas ações na tragédia, inclusive, não deixam de fazer parte daquilo que Antônio considera uma das coisas mais importantes dentro do Osquindô. Gostamos de formar cidadãos através da arte. Estimulamos as prefeituras a criarem mais espaços para arte direcionados às crianças, pois isso permite socializar e crescer, podendo criar uma sociedade melhor.”

BANDA OSQUINDÔ

Neste sábado, às 17h

Praça Cívica da UFJF

(Campus)

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Veículo: Tribuna de Minas

Editoria: Edital

Data: 20/11/2015

Link:http://www.tribunademinas.com.br/reflexos-da-escravidao/

REFLEXOS DA ESCRAVIDÃO

Num país de maioria negra – 51% da população do país e 54% da população de Minas Gerais -, ainda é preciso jogar holofotes sobre as questões que envolvem esta população, que acaba sendo vista como uma minoria diante de tantos séculos de opressão e subserviência. Dar voz aos negros, que quase nunca a têm, e mostrar o racismo institucionalizado, exposto ou velado enfrentado no dia a dia foi um dos objetivos da série da Tribuna “Ser negro em Juiz de Fora”, realizada nesta Semana da Consciência Negra.

A série trouxe histórias como a do pedagogo Fernando Custódio Valério, negro e morador da Vila Olavo Costa, que precisa mostrar o anel de formatura em blitz policial para explicar que não é bandido. Entre as histórias relatadas pelos repórteres envolvidos, a triste constatação de que um pai negro fala para o seu filho antes de ele sair de casa: “Não corra na rua. Nunca corra, mesmo se estiver com pressa”, escondendo que, na verdade, ele não quer que ele seja confundido com um marginal.

Histórias como estas, por muitos anos não contadas, mas apenas guardadas, reforçam que o racismo está presente no nosso dia a dia. Mulheres e homens, de todos os setores, foram ouvidos nos últimos dias pela Tribuna. Pessoas que constatam que os negros, apesar de ser a maioria no país, ainda ocupam cargos da base da pirâmide e quase nunca os de liderança e poder nos setores público e privado. Não é coincidência que, dos cerca de dois mil professores da UFJF, apenas cerca de 20 sejam negros. Isso é o que diz campanha realizada pela própria instituição de ensino.

É necessário levar a discussão para os bancos escolares, a fim de lembrar que os episódios de racismo em nosso país são frequentes e foram muito marcantes em anos não tão distantes assim da história. Com as redes sociais, situações de racismo vividas por personalidades negras vêm à tona de forma constante, como as enfrentadas pela jornalista Maria Júlia Coutinho, a Maju, ou a atriz Taís Araújo. Estes casos confirmam a existência do racismo, mas precisam ser combatidos insistentemente em um país que se diz fruto da miscigenação, mas que tem uma dívida colossal com os afrodescendentes, ainda hoje estigmatizados.

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Veículo: Tribuna de Minas

Editoria: Esportes

Data: 20/11/2015

Link: http://www.tribunademinas.com.br/juiz-de-fora-perde-a-quarta-na-superliga/

Juiz de Fora perde a quarta na Superliga

Mais uma vez não faltou luta em quadra para o JF Vôlei. Mas novamente a equipe de Juiz de Fora terminou uma rodada da Superliga com derrota. Dessa vez, o algoz foi o Bento Vôlei/Isabela-RS. Em duelo na noite desta sexta (20), em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, os donos da casa conquistaram a segunda vitória no torneio, agora por 3 sets a 2, com parciais de 25/19, 16/25, 25/18, 20/25 e 15/10.

Se por um lado a equipe juiz-forana chegou à quarta derrota e não sabe o que é vencer na Superliga, ao menos o resultado fora de casa valeu o segundo ponto na competição. Mesmo assim, Juiz de Fora segue na lanterna do torneio. Com a mesma pontuação, o Copel Telecom/Maringá Vôlei leva vantagem nos critérios de desempate, e ainda vai entrar em quadra pela quarta rodada, enfrentando o Sesi-SP hoje.

Após a derrota para o Bento Vôlei, Juiz de Fora terá cinco dias até o próximo compromisso pela Superliga. Na quarta-feira, a equipe local receberá o Minas Tênis Clube no Ginásio da UFJF, às 19h30.

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Veículo: Estado de Minas

Editoria: Noticias 

Data: 21/11/2015

Link: http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2015/11/21/interna_gerais,710227/ecocidio-atinge-area-de-preservacao-maior-que-perimetro-da-avenida-d.shtml

“Ecocídio” atinge área de preservação maior que perímetro da Avenida do Contorno

Pelo menos 1 mil hectares de Áreas de Preservação Permanente (APP’s) nas margens dos rios por onde passou a lama de rejeitos oriunda do rompimento da barragem do Fundão, da Samarco, foram afetados. A análise, ainda preliminar, foi feita por técnicos do Ibama que acompanham os estragos da catástrofe provocada pelo rompimento da barragem da mineradora controlada pela Vale e BHP Billiton, no dia 5 deste mês. A área devastada é maior do que o perímetro da Avenida do Contorno, em Belo Horizonte (8,9 km²), mas se considerado todo o estrago, sem levar em conta apenas as APP’s, o total é de 1,6 mil hectares (16 km²).

De acordo com a coordenadora geral de emergência ambiental do Ibama, Fernanda Pirillo, os funcionários do órgão federal seguem trabalhando no salvamento de peixes, especialmente das espécies nativas da bacia. Para Pirillo, a recuperação é possível, mas ela não estima um prazo. Já a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, estimou que o processo de recuperação deve levar cerca de 10 anos.

“Se não foi má-fé, foi uma estimativa desonesta, ou um uso ilusório de um prazo”, avalia o doutor em botânica, Reinaldo Duque Brasil, sobre a estimativa da ministra. Reinaldo, que é professor do câmpus de Governador Valadares, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e especialista na Bacia do Rio Doce, classifica a catástrofe como um “ecocídio”.

Uma das principais unidades de conservação afetadas pela lama foi o Parque Estadual do Rio Doce. “Um refúgio de várias espécies de peixes e com trecho de mata atlântica preservada. É a unidade de conservação mais importante da bacia”, destaca Reinaldo. O professor lembra que grande parte das imagens de tartarugas, aves e peixes mortos foram feitas na região da Ponte Queimada, dentro da área do parque.

O Parque Estadual de Sete Salões, entre as cidades de Resplendor e Conselheiro Pena, também foi afetado. Reinaldo destaca que o parque é uma área montanhosa, com várias cavernas e pinturas rupestres, além de ser considerado uma área sagrada para os indígenas da etnia Krenak. O povoamento da região começou em 1808, quando uma carta régia declarou guerra ao povo Borum (chamado pejorativamente de botucados) e as primeiras cidades foram criadas como divisões militares da coroa portuguesa. “Os portugueses tinham muito medo dos indígenas e cometeram um genocídio”, relembra o professor.

Além desses dois, outra unidade de preservação afetada foi o parque municipal de Governador Valadares, que fica no sopé do Pico do Ibituruna; uma reserva ambiental de propriedade da Vale do Rio Doce, em Linhares e as áreas recuperadas pelo Instituto Terra, em Aimorés, projeto comandado pelo fotógrafo Sebastião Salgado. “É um dano irreparável, incalculável. A flora vai ser muito afetada e a fauna aquática nem se fala. Várias espécies vão ser exterminadas”, afirma Reinaldo.

Reinaldo pontua que após a matança dos índios teve início do ciclo da madeira e do gado. “A ideia era limpar as paisagens e com o tempo o Rio Doce se tornou um rio moribundo pelo histórico projeto de devastação. O que aconteceu com a chegada dessa lama foi o capítulo final de um ecocídio”, avalia o professor.

DANOS NA FAUNA
Além de avaliar os danos ambientais ao longo do Rio Doce, as equipes do Ibama tentam reduzir os impactos no estuário, em Regência (ES). Já foram transferidos 33 ninhos de tartarugas marinhas para áreas que não deverão ser atingidas diretamente pela onda de rejeitos de mineração.Também foram colocadas barreiras contenção para atenuar o possível avanço da lama para áreas de desova.

O Ibama alerta que é preciso cuidado no resgate de peixes para que o problema não seja aprofundado por ações precipitadas, ainda que bem-intencionadas. O instituto listou alguns dos possíveis problemas na transferência indiscriminada de peixes do rio para as lagoas. Entre eles, a predação maciça de peixes jovens em desenvolvimento em lagoas que tenham papel de berçário; transferência indiscriminada de espécies exóticas invasoras presentes no Rio Doce, como o bagre africano e o tucunaré concorrência intensa com os peixes residentes das lagoas, por comida e refúgios.

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Veículo: G1

Editoria: Zona da Mata 

Data: 21/11/2015

Link:http://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2015/11/vitima-de-assedio-em-onibus-deve-ser-ouvida-na-proxima-semana-em-mg.html

Vítima de assédio em ônibus deve ser ouvida na próxima semana em MG

A Delegacia de Mulheres de Juiz de Fora vai ouvir, na próxima semana, a jovem de 19 anos querelatou ter sido vítima de estupro dentro de um ônibus, na última sexta-feira (13). A delegada responsável pelo caso, Carolina Magalhães, contou que um inquérito foi instaurado e que a garota foi intimada a prestar depoimento.

Desde a última quarta-feira (18), investigadores realizam trabalho de campo para encontrar imagens do veículo e testemunhas que tenham visto o que ocorreu no trajeto.

A garota registrou um Boletim de Ocorrência (BO) na quarta contando que entrou em um ônibus em um ponto que fica dentro do campus da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), quando um homem se sentou ao seu lado, passou a mão nas pernas dela e a ameaçou. Ela conseguiu fugir do veículo quando o suspeito se distraiu com outro passageiro.

A UFJF enviou nota repudiando qualquer ato de assédio e se colocando à disposição para prestar apoio às vítimas e tomar as providências que forem cabíveis. Já a Tusmil, empresa que faz a linha 535, disse que um responsável vai entrar em contato com a equipe posteriormente.

Repercussão na internet
O caso ganhou repercussão na internet, mesmo antes do registro do BO. A vítima fez um relato anônimo no domingo (15), que foi repassado em forma de corrente nos dias seguintes. No texto, ela narra o assédio e tenta avisar a garotas para que elas se protejam. “Ameacei levantar e ele me puxou e disse que se eu levantasse ou gritasse ele me matava. Entrei em choque e ele começou a passar a mão em mim”, conforme a postagem.

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Veículo: Tribuna de Minas

Editoria: Cidade 

Data: 21/11/2015

Link:http://www.tribunademinas.com.br/assaltante-leva-r-350-de-taxista-no-centro/

Assaltante leva R$ 350 de taxista no Centro

Na madrugada de sábado (21), mais um taxista foi assaltado em Juiz de Fora. Por volta das 4h, o motorista de 48 anos afirmou que estava trafegando pela UFJF, quando um homem com uma mochila vermelha solicitou uma corrida até o Centro. Na altura da Rua Constantino Paleta, próximo ao número 100, o passageiro pediu que o motorista parasse. Colocou a mão na mochila e anunciou o assalto. O homem levou R$ 350 e fugiu. O taxista não ficou ferido. Apesar do rastreamento, o suspeito não foi localizado.

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Veículo: Tribuna de Minas

Editoria: Cultura

Data: 21/11/2015

Link:http://www.tribunademinas.com.br/do-drama-ao-luxo/

Do drama ao luxo

As histórias que levaram a repórter especial da Tribuna Daniela Arbex a lançar o best-seller “Holocausto brasileiro”, que expôs para o Brasil o drama dos pacientes do antigo Hospital Colônia de Barbacena, inspiraram um jovem designer de moda a levar o tema para as passarelas. Juntando a história do manicômio com a beleza dos bordados artesanais de Minas, o designer de moda Eduardo Gonzaga, 22 anos, criou cinco vestidos de festa que serão exibidos ao grande público neste sábado. As peças, produzidas como parte do trabalho de conclusão de curso que ele apresentou na última semana, ganharão a passarela durante um desfile realizado pelo Centro de Ensino Superior (CES), no piso G1 do Independência Shopping, a partir das 19h deste sábado. A entrada é gratuita.

“Nasci em Barbacena e morei muito próximo ao Colônia, estudava a 100m dele. Muitas pessoas de várias gerações da minha família trabalharam lá, e minha família inclusive adotou uma criança, na época em que algumas eram colocadas para a adoção. Isso contribuiu para que eu quisesse fazer essa pesquisa. Eu pude viver essas sensações”, conta Eduardo. “Já o bordado é muito usado no tratamento de doentes mentais, por meio de terapia ocupacional. Em determinados casos, ele é indicado para estimular a concentração e o autoconhecimento. É possível interpretar os traços da personalidade nas cores que a bordadeira escolhe, nos traços que ela faz e na forma como borda. Elas se comunicam por meio do bordado.”

O resultado da pesquisa teórica foi a coleção “Avesso mineiro”, da qual foram criados cinco vestidos de festa. Para captar a história do Colônia, Eduardo recorreu a “Holocausto brasileiro”, livro da repórter Daniela Arbex que conta como funcionou o hospício durante a maior parte do século XX. “Tive cuidado de respeitar essas histórias, porque a proposta é criar vestidos de festa, que, neste caso, acabam celebrando coisas tristes. Dar formas às sensações e às tragédias foi mais do que um desafio. E acho que em alguns momentos consegui fazer isso. A intenção do trabalho é ir além e estimular a terapia ocupacional em pessoas com transtornos mentais.”

“É emocionante ver como Eduardo transformou meu texto em arte com muita competência. Isso mostra que a literatura é uma porta de infinitas possibilidades, e que muitas pessoas podem ser tocadas a partir dela como ele foi”, avalia a repórter Daniela Arbex.

As peças criadas são conceituais, mas o professor que orientou o trabalho de Eduardo não descarta a possibilidade de serem efetivamente usadas. “O que ele criou são produtos voltados para o mercado de festas, para mulheres que gostam de usar roupas mais dramáticas. É uma roupa de ateliê, que individualiza a mulher. São peças que podem ser usadas, por exemplo, por mulheres que serão homenageadas, destacadas ou que vão receber um prêmio”, sugere Luiz Fernando Ribeiro, professor do CES e do IAD-UFJF.

Além dos looks criados por Eduardo Gonzaga, o desfile deste sábado vai reunir peças de outros recém-formados, alunos de vários períodos do curso de design de moda, incluindo estudantes premiados por suas criações. Serão mais de 50 itens, entre acessórios e roupas.

 

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